Editorial

Foi somente um sonho. Acordei.

Sonhei que uma dezena de espíritas, possuidores de folgada conta bancária e imóveis diversos, consumidores de farta mesa diária e de viagens deliciosas ao exterior na companhia dos familiares, participavam de uma reunião, a fim de discutirem o rumo de suas existências, tendo como referência o que haviam prometido aos Espíritos Protetores antes da reencarnação. Diante da seleta assembleia, o Benfeitor Espiritual fez uma pergunta muito clara:
O que é que vocês estão fazendo de diferente dos demais irmãos que desconhecem as luzes do Espiritismo com relação ao emprego do dinheiro?

Os dez passaram a argumentar. Depois de muitas justificativas quanto a guardar o que é necessário ao bem-estar da família e à segurança do dia de amanhã, a conclusão tornou-se óbvia: eles estavam fazendo exatamente igual ao que todos os abonados da Terra faziam. Quer dizer: cuidavam unicamente de ampliar o patrimônio pessoal e zelavam pelo bem-estar da família.

Os irmãos depositários de fortunas menores ou maiores ainda estavam em meio às surradas justificativas quando o Benfeitor insistiu:
Mas o que é que vocês estão fazendo de diferente dos demais? Até hoje, não vimos o emprego dos recursos na difusão da Doutrina, quer seja em rádio, em TV, em jornais ou revistas. Não vimos maiores iniciativas em buscar diminuir a miséria e o desconforto dos irmãos do caminho. Por que tantas propriedades? Por que essa compulsão por juntar sempre mais e mais no celeiro transitório da vida física?

Aos argumentos do Benfeitor, os novos ricos responderam com discussões acaloradas; não iriam colocar dinheiro em projetos dos outros, de qualidade duvidosa. Alguns argumentaram que a Doutrina não tinha necessidade de ser divulgada pelos meios de comunicação, porque a sua vocação é a da qualidade e não da quantidade.
Pois é, respondeu o Benfeitor, não foi isso que vocês disseram antes de voltar ao corpo. O compromisso que consta de suas fichas individuais é o de empregar utilmente a fortuna que lhes foi concedida temporariamente pelo Pai e Criador em favor do bem comum.

Em seguida, o Benfeitor rodou um filme, mostrando todos os avanços que o Espiritismo teria tido se eles tivessem empregado 5% de seus lucros em favor de projetos construtivos inspirados nas lições do Cristo Consolador.

Fez-se profundo silêncio. Na mente dos detentores do dinheiro passavam agora cenas em que havia um só anseio, acordar e empregar os talentos em benefício da Doutrina.

Mas foi só um sonho. Acordei.

Fevereiro de 2010 - Edição número 426