Educa a Tua Alma
O mal chamado preguiça
Sandra Marinho
Queridos leitores e leitoras, vamos falar hoje sobre um dos maiores entraves à nossa evolução, “a preguiça”. Seus sintomas vão desde o excesso de horas de sono até o gasto do tempo com inutilidades, ou simplesmente o “não fazer nada”. E onde há tempo desperdiçado, há espaço para a instalação do mal.
Se formos analisar por detrás dos crimes de toda ordem que atualmente superlotam os noticiários, está ela, a ociosidade, fruto da preguiça, como uma das principais causas.
Conta-nos uma fábula, trazida pelo Espírito Neio Lúcio, no livro Alvorada Cristã, que um dia, a Gota d’Água, o Raio de Luz, a Abelha e o Homem Preguiçoso chegaram ao Trono de Deus. O Todo-Poderoso recebeu-os, com bondade, e perguntou pelo que faziam. A Gota d’Água avançou e disse:
– Senhor, eu estive num terreno quase deserto, auxiliando uma raiz de laranjeira. Vi muitas árvores e diversos animais sofrendo de sede. Fiz o que pude, mas venho pedir-te outras Gotas d’Água para me ajudar.
O Pai sorriu, satisfeito, e exclamou:
– Bem-aventurada sejas pelo entendimento de minhas obras. Dar-te-ei os recursos das chuvas e das fontes.
Logo após, o Raio de Luz adiantou-se e falou:
– Senhor, eu desci ao fundo de um abismo. Nesse antro, combati a sombra, o quanto pude, mas notei a presença de muitas criaturas suplicando claridade. Venho ao Céu rogar-te outros Raios de Luz que comigo cooperem na libertação de todos aqueles que no mundo ainda sofrem a pressão das trevas.
O Pai, contente, respondeu:
– Bem-aventurado sejas, Raio de Luz, pelo serviço à Criação. Dar-te-ei o concurso do Sol, das lâmpadas, dos livros iluminados e das boas palavras.
Depois disso, a Abelha explicou-se:
– Senhor, tenho fabricado todo o mel ao alcance de minhas possibilidades. Mas vejo tantas crianças fracas e doentes que te venho implorar mais flores e mais Abelhas, a fim de aumentar a produção.
E o Pai lhe concedeu novos jardins e novas companheiras.
Chegou a vez do Homem Preguiçoso que, com uma cara desagradável, disse:
– Senhor, nada consegui fazer. Por todos os lados, encontrei a inveja e a perseguição, o ódio e a maldade. Tive os braços atados pela ingratidão. Nada pude fazer, diante de tanta gente má.
O Pai bondoso, descontente, exclamou:
– Infeliz de ti, Homem Preguiçoso, que desprezaste os dons que te dei. Adormeceste na preguiça e nada fizeste. Os seres pequeninos e humildes alegraram-me com os seus trabalhos, mas tua boca só sabe se queixar, como se a inteligência e as mãos que te confiei para nada valessem. Retira-te!... Regressa ao mundo e não voltes a procurar-me enquanto não aprenderes a servir...
Realmente, esta singela lição nos trás vários pontos de reflexão.
Se pensarmos mais profundamente sobre a penúria material e moral que tanto assola a humanidade, vamos deparar com a displicência do ser humano no lidar com as necessidades do seu semelhante.
Acreditamos que atribuir ao Poder Público a solução de todos os problemas da sociedade é suficiente para se instalar a justiça, a igualdade e a paz. Ora, o que é tal posição senão preguiça? Preguiça de sair do lugar-comum, preguiça de olhar ao nosso lado e de dispor de tempo e trabalho em atenção ao outro. Preguiça de sair da zona de conforto.
Ficamos a perder tempo na nossa mesmice, no entanto almejamos um mundo melhor. Eis um paradoxo que precisamos mudar e urgente!
Muitos dizem que trabalham muito, alguns também estudam, e por isso não é justo que sejam tidos como preguiçosos. E eu ouso a questionar, será mesmo?
Percebam que Deus, na fábula de Neio Lúcio, indica ao homem o retorno à Terra e que somente volte a Ele quando aprender a SERVIR. É disso que estamos falando. De deixarmos a preguiça prá lá e passarmos a “andar um quilômetro extra” a cada dia. Vamos trabalhar não somente para nós, para o sustento da nossa família, mas, principalmente, trabalhar em benefício de todos.
Isso é SERVIR, preocupar-se com o coletivo. E trabalhar pelo bem comum pode significar, da nossa parte, o desenvolvimento de atividades que vão desde aquelas que visam melhorar a participação política junto a legisladores e governantes, no acompanhamento das ações públicas, até a realização regular de trabalhos voluntários junto a comunidades carentes e organizações não governamentais e religiosas voltadas à assistência, educação, esclarecimento e saúde.
Bom, fica aqui o convite: já que estamos no início do ano, que tal dar um “xô, preguiça!” e “fazer algumas horas extras”?
Um grande abraço.
Fevereiro de 2010 - Edição 426

