Folha Espirita online

Edição agosto de 2018

FE de agosto 2018
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Meditação, a busca pelo equilíbrio das emoções e da mente

    Água é indício de vida em Marte?

    Morte de entes queridos

    Hilda Hilst e a imortalidade da alma

    O exemplo de Leopoldo Machado

    A importância da gratidão

    Uma geração conectada e despreparada

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EDITORIAL

Brasil homenageia Hilda Hilst e descobre a TCI

A 16ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que aconteceu de 25 a 29 de julho, homenageou a escritora Hilda Hilst, que representa como poucas a literatura contemporânea ao explorar gêneros como poesia, ficção, teatro e crônica e versava sobre temas como o amor, a morte, Deus, a finitude das coisas e a transcendência da alma.

Ao mergulhar na obra da autora e sua biografia, a cena literária nacional deparou-se com um lado curioso de Hilst: sua inquietude com a finitude da vida, que era muito explícita em suas poesias, sua dedicação a conseguir se comunicar com os mortos. A escritora tinha convicção da vida após a morte e buscava uma conexão com a Ciência para ter essa certeza. Sua busca não era uma prática religiosa, mas um método científico.

Hernani Guimarães Andrade, o grande cientista espírita brasileiro, em seu livro A Transcomunicação Através dos Tempos, relatou-nos a experiência:
“Hilda Hilst começou a interessar-se pela TCI, após a leitura do livro de Friedrich Juergenson, Telefone Para o Além. Aproximadamente em 1972, decidiu-se a repetir as experiências de Juergenson. Inicialmente, Hilda usou um gravador pequeno e de qualidade inferior. Deixava-o ligado, ora sozinho, ora perto dela ou de outras pessoas. Durante muito tempo não logrou qualquer gravação de vozes do Além. A primeira vez que ela conseguiu uma captação foi enquanto conversava com uma amiga cética. Esta dizia que só acreditaria naquelas experiências diante de provas. Foi nessa ocasião que no gravador, que estava ligado, surgiram as palavras: ‘Ah, querido.’ Hilda entusiasmou-se e, dali em diante, nas suas gravações, surgia, de vez em quando, a palavra ‘ankar’, nada mais. Numa ocasião em que conversava com um amigo que iria submeter-se a um transplante de rim, apareceu na fita do gravador, que se achava funcionando em meio à conversação, a expressão: ‘Que dia lindo!’ Hilda Hilst procurou aperfeiçoar a técnica das gravações. Passou a usar o rádio acoplado ao gravador. Com o tempo e a persistência, ela foi treinando também a sua capacidade auditiva e passou a obter maior número de vozes.”

Vale aqui observarmos a convicção e a coragem dessa autora, que não se omitiu em momento algum. Disse ela em uma entrevista a Elsie Dubugras e Luiz Pellegrini:
“Minha experiência nesse sentido tem sido quase sempre dolorosa. Principalmente no que toca aos chamados meios intelectuais.”

Hilda chegara a considerar aquela uma atividade ainda mais importante do que a sua própria escrita. Ela comparecera inclusive no V Colóquio Brasileiro de Parapsicologia e durante sua vida se correspondeu com universidades estrangeiras que estudavam o assunto.

Cremos que, ao trazer a lume a obra da escritora, toda a sociedade irá se defrontar com os esforços de uma mulher talentosa, que encontrara na imortalidade uma razão verdadeira para dedicar-se à busca de respostas que aproximassem os dois mundos. Que seus feitos possam continuar a inspirar muitos. E, quem sabe um dia, com a evolução terrena, a comunicabilidade entre os mundos através de aparelhos eletrônicos possa ser uma realidade, como aquela tão sonhada por Hilda Hilst.

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