Folha Espirita online

Edição fevereiro de 2018

FE de janeiro 2018
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO:

    Febre amarela sob a ótica espiritual

    Fake news: o que temos a ver com isso?

    60 anos da obra Pensamento e Vida, de Emmanuel

    Abordagem da espiritualidade

    Documentário espírita em plataforma on-line

    A arte como expressão da espiritualidade

    O poder de um gesto

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EDITORIAL

O sofrimento da fome

Infelizmente, em nossos dias atuais, os conflitos armados, as guerras civis são uma realidade e decorrem ainda dos sentimentos de egoísmo e orgulho do ser humano que, com certeza, se caracterizam como chagas que deixam expostas as mais cruéis faces da humanidade. Sob pretextos totalmente equivocados, movidos por paixões descabidas, o homem insiste em aumentar o seu próprio sofrimento.

Além das mortes causadas pelo embate entre os opostos na guerra, são alarmantes os dados recentes que nos mostram que, em pelo menos oito países em conflitos, mais de 25% da população passa fome. Em matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo (30/1/2018), o relatório da ONU revela que a insegurança alimentar de países em conflitos está piorando a cada dia. No lêmen, por exemplo, mais de 60% da população passa fome extrema.

No relatório foram identificados 16 países com sérios problemas de alimentação, dos quais oito enfrentam crises ou emergências que afetam um quarto ou mais da população. No lêmen aproximadamente 17 milhões sofrem de fome severa; no Sudão do Sul são 4,8 milhões que passam fome. A guerra na Síria, que balançou o mundo com os movimentos migratórios de refugiados, também levou 33% de sua população a sofrer com a insegurança alimentar; no Líbano, que foi fortemente afetado pelo número de refugiados, 1,9 milhão de pessoas passam fome. E não para por aí, na República Centro-Africana, 1,1 milhão de pessoas; na Ucrânia, 1,2 milhão; no Afeganistão, 7,6 milhões; e na Somália, 3,1 milhões.

Para se ter uma ideia, em 2016, o cálculo era que 815 milhões de pessoas passavam fome no mundo, sendo que 489 milhões viviam em zonas afetadas pela violência.

Dessa forma, podemos ver que as consequências da guerra são destruidoras e levam as populações a sofrer de maneira dolorosa.

Mas por que ainda nos comprazemos com as guerras?

A questão 742 de O Livro dos Espíritos nos responde que a predominância da natureza animal sobre a espiritual e a satisfação das paixões são a causa da guerra, e, no estado de barbárie, os povos só conhecem o direito do mais forte, e é por isso que a guerra, para eles, é um estado normal. À medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque ele evita as suas causas e, quando ela se faz necessária, ele sabe adicionar-lhe humanidade.

Ou seja, o progresso nos fará pensar mais na coletividade, deixando de lado nosso orgulho e egoísmo, que são capazes de ceifar vidas em nome de nossas paixões.

O Livro dos Espíritos também é muito esclarecedor ao nos guiar para um horizonte mais equilibrado e justo, quando Kardec, na questão 930, reflete sobre as causas da fome decorrentes da miséria e da incapacidade do próprio ser em prover seu sustento, que esbarra nos preconceitos sociais ou mesmo em situações em que moléstias ou outras causas independentes de sua vontade (como a guerra que assola esses países) causam a fome. E os espíritos da codificação respondem de forma direta:

“Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo ninguém deve morrer de fome.”

Que esses dados alarmantes possam nos impulsionar a orar por todos esses povos que vivem a calamidade da guerra e da fome. Oremos confiantes de que um dia a Lei do Cristo haverá de imperar em nosso orbe.

Conteúdo sindicalizado