Apocalipse

Richard Simonetti

O livro mais enigmático da Bíblia é o Apocalipse, última parte de O Novo Testamento, atribuído a João Evangelista.
Significa revelação. Neste particular, todos os livros da Bíblia são apocalipses.

O destaque para o livro de João é que, supostamente, contém revelações sobre o fim do mundo, apresentadas na forma de visões.

O problema é que elas estão carregadas de simbolismos e fantasias que exigem prodígios de imaginação para interpretá-las.

Já de início algo fora de foco (1:1):
Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo.

Brevemente? Um mês, alguns anos, um século?

Alguma pane no relógio do Eterno, amigo leitor?

Com base na imaginação, ao longo do tempo, os intérpretes situaram o fim dos tempos, o juízo final, em determinada época, com predileção para os números terminados em zero: 500, 1000, 1500, 2000. Sempre que nos aproximamos das datas desse teor, surgem as previsões apocalípticas.

Sábios intérpretes do texto fixaram o ano 1000, virada do primeiro milênio, para consumação das previsões de João. Nada aconteceu. Falou-se, então, em 2000. Curiosamente, há quem se reporte a suposto versículo bíblico, proclamando:
Passou de 1000, mas de 2000 não passará!

Já estamos em 2009, e tudo como antes na casa de Abrantes.

Ultimamente, intérpretes dão tratos à bola para ligar o decantado Calendário Maia ao Apocalipse, com fixação de uma data, 2012, para ocorrência de espantosos acontecimentos que marcarão o fim do mundo.

Na verdade, 2012 marca apenas o fim de um ciclo naquele calendário, assim como uma virada de milênio para a cultura ocidental, sem previsões apocalípticas.

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Verdadeiramente espantosas são as informações de João. Coisas assim (13:1-4):
E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.

E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio.

E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta.

E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?

Como diriam os personagens da novela A Caminho das Índias, are baba!

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Falando sobre o assunto, diz Chico:
"Respeito os estudos sobre o Apocalipse, mas não tenho largueza de raciocínio para interpretar o Apocalipse como determinados técnicos interpretam e o situam.

Mas, acima do próprio Apocalipse, eu creio na bondade eterna do Criador que nos insuflou a vida imortal.

Então, acima de todos os Apocalipses, eu creio em Deus e na imortalidade humana, e essas duas realidades preponderarão em qualquer tempo da humanidade."

Haverá um Apocalipse extinguindo a vida na Terra, algo que não deve nos preocupar, porquanto, segundo os astrônomos, deverá ocorrer dentro de 5 bilhões de anos, quando o Sol apagar.

Até lá enfrentaremos, sim, outros apocalipses, envolvendo mudanças climáticas, períodos glaciares, guerras, fome, mortes coletivas, conflitos gerados pelas ambições humanas, como sempre tem acontecido.

E, também, em tempo que só Deus sabe, ocorrerá a chamada separação do joio e do trigo, a que se reporta Jesus, quando multidões comprometidas com o erro e o vício serão degredadas para planetas inferiores.

Mas fiquemos tranquilos, amigo leitor. Somos espíritos imortais. E como explica Chico, na Terra ou em outro planeta, no plano físico ou espiritual, a bondade eterna do Criador nos proporcionará infinitas oportunidades de reabilitação, progresso e bem-estar.

Novembro de 2009 - Edição número 423