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Editorial

Ciência e fé

No mês passado, a revista Época publicou interessante matéria sobre A Fé que faz bem à saúde, afirmando que novos estudos mostram que o cérebro é programado para acreditar em Deus e que isso nos ajuda a viver mais e melhor.

Jordan Grafman, chefe do Departamento de Neurociência Cognitiva do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame, autor da mais recente pesquisa sobre o assunto, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, afirmou, na entrevista, que nós, seres humanos, somos predispostos biologicamente a ter crenças, e a religiosa é uma delas. Na verdade, constatou que ela nasceu junto com o cérebro humano, antes de outras crenças. E isso tem guiado o nosso comportamento em sociedade.

Também o neurocientista da Universidade da Pensilvânia, Andrew Newberg, autor do livro Porque Deus não Desaparecerá e de pesquisas sobre preces, afirma que há alterações no lobo frontal e no sistema límbico das pessoas religiosas.

As imagens do cérebro demonstram que a meditação e a oração ajudam a melhorar a relação das pessoas consigo mesmas e com os outros. Há, inclusive, alterações na química cerebral relacionadas com a prática religiosa.

Newberg afirma que a forma como a pessoa pratica a religião é mais importante do que as ideias religiosas em si. E enfatiza que eles ainda não sabem explicar se as mudanças constatadas no cérebro da pessoa são devidas ao fato de que ela seja religiosa há muito tempo ou se nasceu daquela maneira e por causa disso procurou um tipo de religião ou meditação.

A cada nova pesquisa, estamos vendo a confirmação científica dos princípios e revelações do Espiritismo. O Livro dos Espíritos afirma, claramente, que a ideia da existência de Deus é inerente ao ser humano. Já nasceu com ele, acompanhando-o desde suas origens mais remotas, constituindo-se em crença de todos os povos. Essa comprovação, antes do domínio da Antropologia, passou, agora, a fazer parte da ciência médica.

Vemos também a confirmação das revelações de André Luiz. No livro No Mundo Maior, há informações sobre os três cérebros do ser humano, o mais primitivo, representado pelo bulbo e pela medula; o intermediário, representado pelo córtex motor; e o mais recente, de estrutura mais nobre, que recebe os impulsos espirituais superiores, o lobo frontal. Vimos, por essas pesquisas recentes, que o lobo frontal é mesmo a sede das inspirações da espiritualidade superior.

Os neurocientistas enfatizaram também a facilidade que a prática religiosa entreabre para o autoconhecimento e a melhoria das relações entre as criaturas humanas, bem como para o aspecto mais importante, a vivência dos princípios religiosos. Nesses pontos, constatamos também que a ciência reforça os ensinamentos espíritas.

Embora não tenha sido abordado pela reportagem, o dr. Newberg é o mesmo pesquisador que realizou recentemente, na Universidade da Pensilvânia, juntamente com os brasileiros Julio Peres e Alexander de Almeida, pesquisas com psicógrafos brasileiros, utilizando também imagens do cérebro colhidas com o uso do spect, aparelho que funciona à base de emissão de pósitrons.

Bons ventos sopram, a cada dia, comprovando as revelações espíritas. Conquistas de luz para a humanidade.

Abril de 2009 - Edição número 416