Maias previram, para 2012, fim de ciclo na Terra | Folha Espirita online

Maias previram, para 2012, fim de ciclo na Terra

Giovana Campos

Um dos mais antigos povos da América Central, os maias se destacam até hoje por sua organizada estrutura de ciência, história, arte e religião. Das várias profecias feitas por esse povo, há mais de 5 mil anos, a que mais chama a atenção de cientistas e filósofos de todo o mundo é a exatidão e o mistério contidos no calendário maia, que cita o ano 2012 como o fim de um ciclo, sendo um ano-chave para mudanças em nosso planeta. No entanto, as sete profecias que marcam a civilização maia trazem, acima de tudo, esperança e conscientização.
Os maias acreditavam que a nossa Galáxia segue um ciclo imutável, o que pode e deve ser mudado é a consciência da humanidade rumo à evolução. Eles apontam que sua civilização era a quinta iluminada pelo Sol, ou seja, estavam no quinto grande ciclo solar e, por conseqüência, outras quatro já haviam passado pela Terra e foram destruídas por desastres naturais.
Os maias previram que o Sol mudará a sua polarização em 22 de dezembro de 2012, após receber um raio sincronizado com origem no centro da Galáxia, um raio que dará origem a explosões solares iniciando a transformação do planeta. Desse modo, uma nova era terá início: o sexto ciclo solar. Os maias relatavam que esse fenômeno acontece a cada 5.125 anos (de acordo com estudiosos e pesquisadores, o início deste ciclo solar se deu no ano 3113 a.C.) e que a Terra será afetada pelo Sol devido a uma mudança no seu eixo de rotação.
As Sete Profecias Maias dizem que a civilização baseada no medo será transformada através das vibrações de harmonia. Mas essa transformação só ocorrerá para quem assim o desejar, será algo pessoal. Os maias não falam em fim do mundo, mas em um processo de transformação em que o espírito ganhará em sua jornada de evolução a esferas mais altas.

As sete profecias

As Sete Profecias Maias, que resumimos abaixo, aparecem para ajudar a humanidade a ter uma atitude de mudança individual, em que todos deverão almejar a compreensão de sua integração com tudo o que existe.

A primeira profecia : É o princípio do tempo não-tempo, que teve início em 1992. Nessa data, o homem começou a fazer mudanças em suas atitudes e consciência, abrindo sua mente a tudo o que existe. Este é um período de 20 anos de duração, no qual a humanidade entra em um período de grande aprendizado e transformação. Após sete anos (a partir de 1999) começa um período de escuridão, em que cada indivíduo se auto-analisará. O homem estará como em um grande salão de espelhos; o materialismo será deixado para trás e inicia-se um processo de libertação do sofrimento.

A segunda profecia : Afirma que a resposta a tudo está dentro de cada indivíduo e que seu comportamento determinará seu futuro. Confirma que, a partir do eclipse solar de 11 de agosto de 1999, o comportamento da humanidade terá grande transformação. Os maias afirmam que os homens facilmente perderão o controle de suas emoções ou conhecerão sua paz interior. Também indicam que a energia que é recebida do centro da Galáxia causa um aumento na vibração do planeta e das ondas cerebrais, alterando pensamentos, comportamento e sentimentos. Esta profecia sugere dois caminhos: um de compreensão e tolerância e outro de medo e destruição. O caminho a seguir será escolhido por cada um.

A terceira profecia : Aponta uma grande mudança na temperatura, produzindo transformações climáticas, geológicas e sociais em uma magnitude nunca antes vista e em incrível rapidez. Uma delas será decorrente do próprio homem, devido à sua falta de consciência em cuidar e proteger os recursos naturais do planeta, e as outras geradas pelo próprio Sol, o qual intensificará sua atividade pelo aumento das vibrações.

A quarta profecia : Relata que a conduta antiecológica do ser humano e o aumento da atividade solar causarão o derretimento dos pólos. A Terra estará apta a se recompor, porém com mudanças na composição física dos continentes. Os maias ainda apontam que, de acordo com seus estudos, a cada 117 giros do planeta Vênus, o Sol sofre novas alterações com grandes explosões e ventos solares, o que coincide com o final deste ciclo.

A quinta profecia : Todos os sistemas que se baseiam no medo sofrerão uma drástica mudança junto com o planeta e o homem passará por uma transformação para dar caminho a uma nova e harmônica realidade. Os sistemas falharão e o homem terá de olhar para si a fim de encontrar uma resposta para reorganizar a sociedade e continuar o caminho à evolução, que o levará a entender a criação.

A sexta profecia : Mostra que nos anos finais aparecerá um cometa cuja trajetória pode pôr em perigo a existência do homem. Essa cultura de considerar o cometa como um agente de mudança vem pôr movimento ao existente equilíbrio, permitindo a evolução da consciência. Para os maias, Deus é a presença da vida, apresenta variadas formas e está em tudo.

A sétima profecia : Esta profecia aponta que, entre os anos 1999 e 2012, uma luz emitida do centro da Galáxia sincronizará todos os seres vivos e permitirá que voluntariamente iniciem uma transformação interna que produzirá novas realidades. Os maias mencionam que cada um terá a oportunidade de mudar e quebrar suas limitações, criando uma nova era, em que a comunicação será pelo pensamento. Os limites desaparecerão, uma nova era de luz e transparência terá início e as mentiras desaparecerão.

O calendário é muito preciso

Nos últimos quatro anos, o colombiano Fernando Malkun Rojas apresentou workshops sobre ciência e espiritualidade, além de participar de conferências sobre a cultura maia em diferentes cidades da América. Foi nesse período que escreveu a obra Sak Balam, El Profeta Maia, que trata da civilização maia do período clássico. O tema também lhe rendeu um documentário, dentre tantos que realizou: Os Donos do Tempo, as Sete Profecias Maias, que trata, basicamente, da cultura daquele povo, seus livros sagrados, templos e calendários. Um dos maiores conhecedores do tema, ele falou, por telefone, com Amantino Freitas:

Amantino Freitas

Folha Espírita : O que o levou a se interessar pelas profecias maias?
Fernando Malkun : Foi um fato que aconteceu em 1999, quando eu estava num congresso no México do qual participavam xamãs vindos de várias partes das Américas. Naquela ocasião, todos estavam preocupados com a chegada do novo milênio e se discutia muito o que poderia acontecer nos próximos anos. Durante minhas pesquisas sobre os tópicos abordados no congresso, e observando os fenômenos astronômicos que estavam acontecendo naquela época, cheguei à conclusão que tudo estava baseado no calendário maia, que era extremamente preciso. Analisando as informações contidas nesse calendário, decidi ordená-las na forma de As Sete Profecias Maias.

FE : Quais são os pontos-chave das profecias?
Malkun : Os pontos-chave dizem respeito aos tempos que estamos vivendo atualmente. Sabemos que a Terra dá um giro completo em torno de seu eixo a cada 24 horas, ao mesmo tempo em que percorre a órbita em torno do Sol em 365 dias. Além disso, o Sistema Solar se move ao redor da Galáxia segundo ciclos bem definidos com duração, de acordo com os maias, de 25.625 anos, que podem ser chamados de dias galácticos. Os cientistas de nosso tempo denominam esse ciclo de Precessão dos Equinócios, com duração de 25.920 anos. Esses ciclos cósmicos determinam a evolução da consciência da humanidade. Cada um deles tem uma freqüência de vibração e, à medida que a Terra passa por essa mesma freqüência, coisas acontecem com a mente das pessoas. Dessa forma, tudo acontece segundo orientação divina, que provoca esses estados diferentes na mente dos seres humanos, auxiliando-os a entender melhor a ordem do universo e as leis da natureza.

FE : Os maias tomaram conhecimento desses ciclos cósmicos?
Malkun : Sim, os maias tomaram conhecimento desses ciclos cósmicos e os dividiram em cinco eras de 5.125 anos cada. Segundo eles, estamos vivendo na quarta era, sendo que os últimos dias dessa era vão ocorrer por volta de 2012. Essa não é uma informação apenas dos maias. Os egípcios, os hindus, os antigos habitantes da Babilônia, todos eles já tinham essa informação. No presente tempo, o Sistema Solar está atravessando a parte posterior da Galáxia. Estamos, portanto, deixando o período de escuridão do ciclo cósmico para entrar no de luz. Muita coisa vai mudar na nossa Galáxia.

FE : O que vai ocorrer nesse próximo ciclo cósmico?
Malkun : As atividades do Sol vão sofrer grandes modificações devido à trajetória que esse astro vai percorrer. Como conseqüência, a temperatura da Terra vai aumentar e haverá elevação do nível do mar devido ao derretimento do gelo nas montanhas e nas calotas polares. As correntes marítimas sofrerão alterações e o clima nas várias regiões do planeta vai passar por mudanças dramáticas. A Terra vai receber mais energia do Sol e do centro da Galáxia, elevando o nível de nossa energia vital e acarretando mudanças na nossa mente, quer dizer, nas nossas crenças e noção da realidade. Com isso, vamos nos livrar principalmente do medo, que é a razão de muito dos nossos sofrimentos.

FE : Quais os fatos ou comprovações que nos levam a aceitar e tomar como verdadeiras essas profecias?
Malkun : O primeiro fato é que o Sol está passando por um período de extrema atividade, a mais intensa de que se tem notícia. Isso foi previsto pelos maias. Em segundo lugar, eles também falaram em termos do trânsito de Vênus, baseando-se no giro de 584 dias desse planeta para efetuar seus cálculos solares. Deixaram registrado que a cada 117 giros de Vênus, marcados a cada vez que o planeta aparece no mesmo ponto do céu, o Sol sofre fortes alterações. O próximo trânsito será em torno de junho de 2012.

FE : A data-chave de 22 de dezembro de 2012 será o dia que realmente vai mudar os rumos da civilização atual da Terra?
Malkun : As mudanças já estão ocorrendo desde 1992; não vão acontecer apenas nos últimos dias do ciclo previsto pelos maias. Aliás, é de se ressaltar que eles se constituíram na única civilização que tinha conhecimento do final dos tempos. Agora estamos apenas a quatro anos dessa data. Trata-se de uma transformação contínua e não de uma mudança repentina e isolada. A queda das torres gêmeas do World Trade Center de Nova York, em 11 de setembro de 2001, ante o olhar horrorizado de milhões em todo o mundo, é um exemplo desse tipo de transformação. Fatos como esse continuarão a acontecer ao nosso redor, de modo a reorientar nosso pensamento em relação à vida. Infelizmente, apenas quando estamos perto da morte é que temos uma visão mais neutra da vida. Mudando nossa forma de pensar, poderemos aumentar nosso senso de integração com o universo e com a realidade.

FE : Essa data é exata ou aproximada? Nessa data estão consideradas as diferenças do calendário?
Malkun : Como já disse, o calendário maia é muito preciso, baseado no movimento dos corpos celestes como é observado pelos estudiosos da Astronomia. É bem diferente do nosso calendário. Tem por base períodos de 100 anos, pois a cada 100 anos o planeta Vênus atinge o ponto mais próximo do Sol por duas vezes, separadas por um espaço de oito anos. Em 2012 Vênus vai atingir um desses pontos.

FE : Quais tipos de acontecimentos vivenciaremos?
Malkun : Na verdade, as mudanças estão em curso. Estamos vivendo a era da energia, da informação e da capacidade de manifestação de poder. A energia é aquela enviada pelo Sol, que causa impacto direto na ionosfera. Esta acumula cargas elétricas crescentes, com conseqüências diretas para o planeta. Há 30 anos a quantidade de descargas elétricas na superfície da Terra era de 1.000 por segundo; agora, neste mesmo período, temos 2.200. Estamos imersos em eletricidade. O pico da freqüência da Terra, que era de 8 Hz durante os últimos 2.160 anos, está aumentando para 13 Hz. Tudo isso está afetando nossa energia. Quanto à era da informação, temos de considerar que a população da Terra agora já é de 6,5 bilhões de pessoas e que, com os meios modernos de comunicação (mídia em suas várias formas, computadores, Internet, etc., cada dia mais velozes), estão interagindo cada vez mais entre si, trocando energia uns com os outros. Essa é a maneira pela qual aprendemos acerca do universo e este nos ensina a viver essa integração.

FE : Serão ocorrências radicais ou gradativas? O eixo da Terra voltará à posição vertical?
Malkun : Como ressaltei, existem muitas coisas ocorrendo atualmente. O futuro vai nos trazer muitas coisas novas e importantes. Com o maior nível de energia que o universo nos repassa, vamos aumentar nossa percepção, podendo ver a aura das pessoas, isto é, o campo magnético que as envolve. Quando isso acontecer, não vai haver mais mentiras e ninguém poderá esconder nada dos outros. Com respeito à mudança do eixo da Terra, devido ao degelo das calotas polares, isso não é uma certeza. As principais mudanças irão ocorrer porque o ser humano vai mudar. Quando mudamos o nosso interior, tudo ao nosso redor também se altera.
Existem outras previsões, como, por exemplo, a de que o Sol vai interromper a emissão de luz visível por 72 horas. Após isso, continuaria emitindo radiação não visível, como raios-X, raios infravermelhos, etc. Isso causaria muito impacto, acarretando mudança interior em todas as pessoas. Mas não existe uma certeza absoluta de que isso vai acontecer, apenas uma probabilidade indicada nos registros maias. Vai depender de algumas decisões que podem ou não ser tomadas pelo ser humano.

FE : A ordem mundial, tanto no aspecto sociológico quanto econômico, mudará de fato para sempre?
Malkun : Tudo vai mudar. Devido ao aumento da freqüência da Terra, o medo (que condiciona de várias formas a realidade das pessoas) vai desaparecer. Militares, políticos e forças econômicas vão agir de outra forma. As religiões, baseadas no medo e em julgamentos quanto ao bem e ao mal, também vão mudar.

FE : Haverá alteração do comportamento atual do ser humano que hoje trabalha em busca de dinheiro, porém pensando em gastá-lo no futuro quando então imagina atingirá a felicidade?
Malkun : O dinheiro representa uma mistura de energia e consciência. Somos uma sociedade capitalista, baseada em bens materiais. Portanto, dinheiro é importante para nossa sociedade, pois é a base do seu funcionamento. Quando as pessoas puderem incorporar outras freqüências acima das que hoje nossos olhos são capazes de enxergar, começarão a ver o que se passa no íntimo dos outros. Então, não haverá mais mentiras e o comportamento da sociedade vai mudar, vai haver mais harmonia entre os seres humanos, que aprenderão o significado real do amor e entenderão melhor o universo.

FE : Sendo os maias um povo bastante espiritualizado e observador da natureza, fazendo previsões dessa magnitude, por que desapareceram?
Malkun : Em filosofia esotérica, maya significa mente que se libera do corpo para se mover a grandes distâncias com plena consciência. Será que esse significado teria algo a ver com o desaparecimento quase total do povo maia no ano de 830 d.C.? Foi um desaparecimento voluntário e consciente, tendo eles abandonado suas cidades e suas casas no momento de maior desenvolvimento de sua civilização.

FE : O que mais o impressionou na visita às ruínas dos maias?
Malkun : Acho que foi o fato de eles terem conseguido construir uma sociedade em harmonia com a natureza. Também construíram várias pirâmides, que lhes proporcionavam locais elevados onde podiam observar o universo com mais facilidade. Isso me impressionou bastante; eram muito imponentes. Todas as construções da civilização maia têm um estilo muito particular que traduzem a maneira como eles viam e se apropriavam do universo.

FE : Quais as suas pesquisas e trabalhos atuais?
Malkun : Terminei há pouco tempo de escrever um livro sobre os maias, de título Sak Balám, o Profeta Maia, que trata de todos esses assuntos abordados nesta entrevista. Esse livro traz informações detalhadas sobre a civilização maia do período clássico, descrevendo os conhecimentos científicos, espirituais, cósmicos e de calendários acumulados por gerações de sacerdotes na antiga escola de mistérios maia.

Não conheço a Doutrina Espírita, mas acho importante focalizar a neutralidade. Sem ela, não podemos manifestar nossa essência. Deus não deseja que julguemos o comportamento dos outros; devemos ter neutralidade, tolerância e flexibilidade. Essa é a única forma em que o homem pode aprender sobre tudo que existe no universo. Essa é a mensagem que deixo a todos os brasileiros.

Quem quiser saber mais sobre os trabalhos de Fernando Malkun, assim como adquirir seu livro Sak Balám , o Profeta Maia, pode acessar o site http://www.fernandomalkun.com

Reunião de diferentes grupos

Provavelmente a primeira civilização a florescer no hemisfério ocidental, os maias ocuparam a América Central por mais 20 séculos. Sua cultura floresceu entre o início da Era Cristã e a chegada dos conquistadores espanhóis, no século XVI, num vasto território que abrange Belize, parte da Guatemala e de Honduras e a península de Yucatán, no sul do México.
Os maias não formavam um povo único, e sim uma reunião de diferentes grupos étnicos e lingüísticos como os huastecas, os tzental-maia e os tzotzil. Eles atingiram um grau de evolução, no que se refere ao conhecimento de Matemática e Astronomia, capaz de sobrepujar as culturas européias da mesma época. Isso lhes permitiu criar um calendário cíclico de notável precisão.
A arte maia se expressou, sobretudo, na arquitetura e na escultura. Suas monumentais construções eram adornadas com elegantes esculturas, estuques e relevos. A economia era baseada na agricultura, principalmente de milho, feijão e tubérculos. Suas técnicas de irrigação do solo eram muito avançadas para a época. Praticavam o comércio de mercadorias com povos vizinhos e no interior do império. Ergueram pirâmides, templos e palácios, demonstrando um grande avanço arquitetônico. O artesanato também se destacou: fiação de tecidos, uso de tintas em tecidos e roupas. A religião desse povo era politeísta, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza.

Abril de 2008 - Edição número 404