Histórico

O jornal Folha Espírita foi lançado no dia 18 de abril de 1974, nas dependências da Livraria Humberto de Campos, de propriedade da Federação Espírita do Estado de S.Paulo, em uma cerimônia que reuniu muitos amigos e diretores de várias entidades.

A escolha da data foi uma lembrança ao lançamento de OLivro dos Espíritos, obra inaugural do Espiritismo que foi lançada em Paris no dia 18 de abril de 1857, por Allan Kardec.

A primeira diretoria do jornal era formada por Freitas Nobre (diretor-presidente), Jamil N. Salomão, Paulo Rossi Severino e Marlene Rossi Severino Nobre.

Meses antes do lançamento da Folha Espírita, Jamil N. Salomão visitou Francisco Cândido Xavier e consultou-o sobre a possibilidade da fundação de um jornal espírita para ser vendido em banca. Chico afirmou que um jornal com essas características era um compromisso do Grupo Espírita Caibar Schutel, de Diadema, e de Freitas Nobre. "Chico Xavier foi um dos maiores incentivadores para que a Folha Espírita fosse produzida, e, por diversas vezes, ressaltou a importância de o jornal contar com a direção de Freitas Nobre, cuja inteligência e competência, certamente, seriam a viga

mestra desse empreendimento de difícil suporte, pelos inúmeros tropeços comuns à imprensa espírita no Brasil de uma maneira geral", relembrou Jamil, 17 anos depois, num artigo em homenagem a Freitas Nobre, logo após o seu desencarne ocorrido em 19 de novembro de 1990. Desde então, Marlene Nobre, viúva de Freitas Nobre, está a frente da Folha Espírita.

No aniversário de 30 anos da Folha Espírita (Abril de 2004), o jornal passou por uma reformulação em seu projeto gráfico, tornando-se mais dinâmico e atual.

Em Abril de 2009 a Folha Espírita completa 35 anos de atividades em prol da divulgação do Espiritismo no Brasil.



Em sua primeira edição, jornal estampou assunto atual como manchete, com depoimento do médium Chico Xavier
Em sua primeira manchete, estampada em um jornal de quatro páginas, ao preço de 1 cruzeiro, o médium mineiro Chico Xavier examinou, em entrevista à Marlene Rossi Severino Nobre, a questão do “congelamento dos corpos e a experiência do velho Egito”, assunto já muito discutido na época.

À pergunta “o congelamento dos corpos imediatamente após a morte física – com vistas a um espertar na carne após alguns decênios ou séculos, isto é, quando a Medicina houver descoberto remédio para os males físicos do congelado, trará perturbação maior ao espírito desencarnado?”, Chico respondeu: “Marlene, transcrevo aqui o que estou ouvindo de nosso Emmanuel, a quem solicitei o esclarecimento preciso: ‘Sim, o congelamento do corpo ocupado pelo espírito, em processo de desencarnação, pode retê-lo, por algum tempo, junto à forma física, ocasionando para ele dificuldades e perturbações. Isso, de algum modo, já sucedia no Egito Ancião, quando o embalsamento nos retinha, por tempo indeterminado, ao pé das formas que teimávamos em conservar. Semelhante retenção, porém, só se verifica na pauta da lei de causa e efeito. E, quanto ao congelamento, se alguns dos interessados – por força da provação deles mesmos – retomarem o corpo frio a

fim de reaquecê-lo, a ciência não pode assegurar-lhes um equipamento orgânico claramente ideal como seria de desejar, especialmente no tocante ao cérebro, que o congelamento indeterminado deixará em condições por agora imprevisíveis’”.


“Freitas sempre foi da opinião de que os assuntos da mídia em geral deveriam ser abordados por nós, porque o Espiritismo tem resposta para todos os problemas, e os seguidores não deveriam se omitir, auxiliando as pessoas a raciocinarem em termos espirituais”, lembra Marlene Nobre, mulher de Freitas e que o auxilia desde o início da publicação do jornal em entrevistas e produção de textos.

Foi seguindo essa linha que, no decorrer dos anos, os assuntos do dia sempre estiveram na pauta da FE. uando do seu lançamento, na Livraria Espírita Humberto de Campos, na Rua Maria Paula, 198, no Centro da capital paulista, não existiam publicações com a mesma finalidade da Folha Espírita, mas apenas ligadas a determinados segmentos do Movimento.


A ideia da criação do jornal se deu por conselho de Chico Xavier a Jamil Salomão, que contribuía nas atividades da Federação Espírita do Estado de São Paulo, e o engenheiro Ney Prieto Peres, que o haviam consultado a respeito do lançamento de um jornal em São Paulo.

“Procurem o Freitas, ele tem o perfil para este tipo de tarefa”, relembra Marlene. “E foi o que aconteceu. Os dois estiveram em casa e o Freitas aceitou a incumbência de dirigir esse novo jornal, que estava sendo projetado para ser lançado em bancas. Depois disso, fomos a Uberaba e, em mensagem dirigida ao Freitas, Bezerra de Menezes confirmou que a tarefa era dele, com o apoio do Grupo Espírita Cairbar Schutel, de Diadema (SP)”, completa Marlene.


Depoimentos de Chico Xavier viraram livro

Logo nos primeiros meses, o jornal ganhou oito páginas, como permanece até hoje, e sempre foi vendido em bancas da capital paulista, fato que ocorreu por mais de 20 anos. A cada três meses, o casal Nobre visitava o médium em Uberaba e muitos dos assuntos a serem pautados na FE eram apresentados ao próprio Chico, que dava entrevistas sobre os assuntos. “O resultado desse trabalho está no livro Lições de Sabedoria, com entrevistas concedidas pelo médium durante 23 anos”, relata Marlene.

Nomes como o de Fernando Worm, jornalista de Guaíba (RS), que fez inúmeras entrevistas com Chico Xavier; o de Apolo Oliva Filho, da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e do Grupo Espírita Batuíra, de Perdizes, na capital paulista; o do engenheiro Hernani Guimarães Andrade; Ney Prieto Peres e Maria Júlia Peres, a criadora da Terapia Vivencial Peres (TRPV); a jornalista Elsie Dubugras, que mais tarde se tornaria a editora da revista Planeta, da Editora Três; e Luiz Carlos Becker, filho da atriz Cacilda Becker, foram alguns dos colaboradores nesse início da FE – os dois últimos, respectivamente, em relatos sobre casos mediúnicos pelo mundo e pesquisas nesse segmento e na produção de artigos nas áreas de Cultura e Arte.


Em seus primeiros anos, matérias que tratavam do filme O Exorcista, entrevistas com personalidades, como o craque do Palmeiras Olegário Tolói de Oliveira, mais conhecido como Dudu; o comediante Golias, o ator Paulo Figueiredo, o cantor Roberto Carlos, Nicete Bruno e Paulo Goulart, e Augusto César Vanucci, falando de sua mediunidade e o encontro com o espírito da cantora Dolores Duran; e sobre temas polêmicos, como casamento, pílula e divórcio, assim como apresentação de trabalhos realizados em instituições, como a Comunhão Espírita Cristã, de Uberaba; estamparam as páginas da FE nas bancas da capital paulista.

No decorrer dos anos, foram muitos artigos e informativos sobre diferentes temas e eventos. “Escrevemos muita coisa”, lembra Maria Júlia e o marido Ney Prieto Peres. “Sempre estivemos de algum modo colaborando com a FE, que continua sendo prestigiada, divulgada e mensalmente lida”, declara Maria Júlia. “Nesses 35 anos, a FE ganhou importante espaço na imprensa nacional, com ampla divulgação no exterior. Consagrou-se pela seriedade e qualidade dos seus textos, entre os quais destacamos Espiritismo e Ciência, com as matérias de Hernani Guimarães Andrade. Hoje, noticia, entre outros, o sólido trabalho realizado, em níveis nacional e internacional, das associações médico-espíritas”, relembra Ney Prieto Peres.

Em avaliação sobre os 35 anos do jornal, Marlene finaliza: “Acredito que a Folha Espírita continua cumprindo o seu papel, dentro do possível, naquilo que o Freitas sempre desejou: comentar as notícias recorrentes da mídia em geral sob o enfoque do Espiritismo, além de divulgar as principais atividades do Movimento aqui e no exterior. Desde o começo, sempre estivemos atrelados ao Movimento Médico-Espírita e esta sempre foi uma preocupação do Freitas. Inicialmente, com a AME-SP, inclusive o seu presidente, dr. Antonio Ferreira Filho, esteve conosco no lançamento, e depois a AME-BR. Participamos do Prêmio Nobel para o Chico em 1980/1981, do Movimento da Paz com o Vannucci, da luta contra o aborto, e assim vamos caminhando”.