Folha Espirita online

Edição outubro de 2017

FE de agosto 2017

DESTAQUES DESSA EDIÇÃO:

    Crise econômica: oportunidade para rever valores

    Novo estudo sobre o coma

    Afinal, o que é felicidade?

    Cartas de Bezerra de Menezes

    O Espiritismo no País, há 100 anos

    Suicídio: agir para prevenir

    Homenagem aos professores

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EDITORIAL

O ensino religioso nas escolas

Em 27 de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que professores de ensino religioso em escolas públicas promovam suas crenças em sala de aula. Em suma, a maioria dos ministros foi favorável à possibilidade do modelo “confessional”. Assim, os professores lecionam como representantes de uma religião, com liberdade para influenciar os alunos.

Com isso, podemos imaginar que as salas de aula passarão a ser alvo de diversas religiões. Vale lembrar que nossa Constituição determina o ensino religioso nas escolas públicas como disciplina do Ensino Fundamental, porém, também estabelece que sua matrícula seja facultativa. Dessa forma, por vontade própria ou da família, o aluno pode se recusar a cursar a disciplina.

A responsabilidade por organizar o ensino religioso fica a cargo dos Estados. Alguns fazem até parcerias comerciais com igrejas e instituições religiosas para dar aulas. Há, entretanto, alguns que optam pelo modelo chamado “não confessional”, em que os professores não são necessariamente representantes de uma religião. A ação apresentada pela Procuradoria Geral da República, que foi julgada, propunha exatamente que as aulas fossem focadas em exposição das doutrinas, história, práticas e dimensões sociais das diferentes crenças, assim como do ateísmo e do agnosticismo – modelo não confessional. Ou seja, proporcionando com isso uma atuação mais ecumênica, sem promover influências diretas nos alunos.

No entanto, após o julgamento, com a decisão da Corte, continua permitido o ensino confessional, o não confessional e também o chamado interconfessional, com aulas sobre valores e práticas religiosas baseados em características comuns das religiões.

Para alguns ministros, caso o Estado adotasse o modelo não confessional, poderia levar o Estado a definir o conteúdo da disciplina, criando assim uma “religião estatal”. E reforçaram que o modelo não confessional poderia ser uma forma de o Estado “tutelar” a religião. Para os ministros que foram contra, o Estado não tem nem pode ter interesses confessionais, e deve ser indiferente ao conteúdo das ideias religiosas que eventualmente venham a circular e a ser pregadas por qualquer grupo confessional.

Por fim, entendemos que a decisão abre espaço para uma nova adoção do modelo religioso, e o mais importante é que consigamos de alguma forma avançar na formação de nossas crianças, levando a elas valores indispensáveis para a preparação de adultos de bem, que tragam em seu íntimo aprendizados sobre a importância do respeito ao próximo em todas as suas expressões.

Edição setembro de 2017

FE de agosto 2017

DESTAQUES DESSA EDIÇÃO:

    Um olhar espírita sobre a transexualidade

    A gratidão e o amadurecimento espiritual

    Espiritualidade e qualidade de vida

    Transformação de crianças e adolescentes

    Maratona do progresso

    O amor que Jesus amou

    Autocontrole

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EDITORIAL

Quanto tempo mais para nos reconhecermos iguais?

No último mês, mais uma vez acompanhamos de perto a comoção e o engajamento da nossa sociedade em torno do assunto da violência contra a mulher. É lamentável que o resgate de um tema tão relevante e decisivo para a nossa transformação moral ainda encontre níveis de atraso tão altos.

Também em agosto, no dia 7, comemoramos a criação da Lei Maria da Penha, que, em 2006, deu à sociedade brasileira algo concreto para tentar por fim a essa violência. Para celebrar a data, o Instituto Maria da Penha lançou uma campanha para chamar atenção sobre os números da violência contra a mulher no Brasil. O site “Relógios da Violência” faz uma contagem, minuto a minuto, do número de mulheres que sofrem esse problema em todo o País. E ainda traz muitas informações sobre o que é a violência doméstica, como prevenir e combater. A iniciativa tem como objetivo incentivar as denúncias de agressão, que podem ser físicas, psicológicas, sexuais, morais e até patrimoniais. As pessoas que quiserem participar podem acessar o site e compartilhar os dados da campanha sobre a violência contra a mulher nas redes sociais, com a hashtag #TáNaHoraDeParar.

Mas, afinal, quanto tempo ainda precisaremos para realmente promover uma transformação em nossa sociedade nesse sentido? O século XIX, no qual Kardec traz a lume a Codificação da Doutrina, já revelava em sua essência o convite para a renovação do pensamento humano acerca da igualdade entre homens e mulheres. Pode-se dizer que o Codificador se colocara já como um dos feministas de sua época, e não se isentou de comentar sobre a questão de mudanças ao publicar artigos na Revista Espírita. Em comentários em jornais, ele dizia que a condição da igualdade não deveria dizer respeito a uma definição dos homens, mas a uma condição da natureza que não faz nenhum ser superior ao outro.

Na questão 817 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec perguntou aos espíritos: “São iguais perante Deus o homem e a mulher e tem os mesmos direitos?” E os espíritos responderam com outra pergunta: “Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?”

Não temos dúvida que a transformação moral pela qual necessitamos passar não haverá de tolerar quaisquer indícios de uma desigualdade com quem quer que seja. A única forma de romper a condição ainda rudimentar e egoísta para passar a um novo ser do mundo de regeneração é definitivamente lutar contra qualquer tipo de desigualdade e violência.

Conteúdo sindicalizado