Editorial abril de 2017

Aborto volta a ser discutido

Em 28 de março, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de cinco dias para que o presidente Michel Temer retornasse sua avaliação sobre uma ação em curso que pretende ampliar a legalidade do aborto. Na mesma data, fora dado também ao Senado e à Câmara dos Deputados o mesmo prazo para que ambos apresentem suas manifestações. Transcorrido esse período, inicia-se o mesmo prazo para que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também possam enviar suas considerações sobre o pedido.

Todas essas etapas se fazem importantes antes de a ministra decidir sobre um pedido de liminar, feito pelo PSOL e pelo Instituto Anis – ONG de defesa dos direitos das mulheres, para que sejam suspensas prisões em flagrante, inquéritos policiais, processos em andamento e decisões judiciais que tenham relação com os procedimentos abortivos praticados nas 12 primeiras semanas de gestação.

As manchetes atuais trazem à tona a possibilidade real da descriminalização do aborto em nosso país. Dessa forma, faz-se necessária a mobilização de nossos pensamentos para que uma decisão de tamanha envergadura, que compromete espiritualmente toda a nossa nação, não avance.

Este periódico, em inúmeras oportunidades, firmou sua posição contrária à legalização do aborto no Brasil e, para reforçar tal posição, relembra a orientação de André Luiz, explícita no capítulo 14 (segunda parte) de Evolução em Dois Mundos, que, claramente, nos apresenta todas as implicações do aborto provocado.

E, ainda, Marlene Nobre, que durante toda a sua vida lutou contra o aborto. Certa vez, ao ser entrevistada pelo Diário do Nordeste sobre as implicações para o nosso país se o aborto fosse liberado, respondeu com o que Chico Xavier havia dito a ela sobre o tema. Vejamos o questionamento e a resposta:
“Certa vez, Chico Xavier teria dito que se o aborto fosse aprovado legalmente no Brasil, o País entraria em um ciclo de guerras. Qual sua opinião sobre isso?

Ele disse isso a mim, diretamente, e estou certa de que isso poderá mesmo ocorrer. Como já me referi, o país que pratica esse tipo de violência não consegue sair da cadeia de ódio que gerou para si mesmo. Vivemos em uma grande rede – a teia da vida – e o que se faz em um dado ponto desta imensa malha, faz-se a todo o conjunto, com natural repercussão sobre os responsáveis pela ação. Nossa bandeira é imaculada, não tem nenhuma nódoa de violência na sua tessitura, vamos rogar a Deus que continue assim.”

Edição marco de 2017

Os principais destaques da edição de março da Folha Espírita são:

    Paulo Rossi Severino (1933-2017): A vida triunfou
    Mednesp recebe trabalhos científicos
    Mapa mental e a organização de ideias
    Mulheres de nossas vidas
    Gabriel Delanne e o Espiritismo

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Editorial março de 2017

Mulheres de nossas vidas

Passados 160 anos do fatídico 8 de março de 1857, que entrou para história quando trabalhadoras de uma indústria têxtil de Nova York, nos Estados Unidos, fizeram greve para exigir condições de trabalho e igualdade de direitos trabalhistas para as mulheres, podemos nos perguntar que avanços tivemos em nossa sociedade para diminuir a desigualdade entre homens e mulheres. O objetivo da criação da data, que foi oficialmente adotada pela ONU em 1975, não era de fato comemorar, até porque, nem há o que se comemorar, mas, sim, fixar um dia para que as comunidades em diversos países pudessem discutir o papel da mulher na sociedade atual. Todo o esforço era para diminuir e, até quem sabe, um dia extinguir o preconceito e a desvalorização da mulher. Entretanto, mesmo com todos os avanços, ainda hoje elas sofrem com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e diversas desvantagens na carreira. Há de se concordar que muito foi conquistado como no Brasil, em que em 24 de fevereiro de 1932 foi instituído o voto feminino, mas demorariam ainda anos para que se pudessem eleger mulheres para cargos públicos, o que hoje é uma realidade.

A codificação da Doutrina Espírita, através de O Livro dos Espíritos, traz grafada em suas páginas a orientação dos espíritos codificadores acerca do tema.
Questão 817. O homem e a mulher são iguais perante Deus e têm os mesmos direitos?
R. Deus não deu a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?

A resposta enfática apresenta com precisão a visão dos espíritos benfeitores sobre a igualdade, e nos leva a refletir se somos capazes de hoje em dia colocar essa afirmação em prática.

Os indicadores atuais são desanimadores, segundo Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres, é possível se dizer que a única grande ameaça para a saúde da mulher são os homens, uma vez que 35% das mulheres em todo o mundo têm experimentado violência física e/ou sexual por parceiro íntimo ou violência sexual por não parceiro. Em alguns estudos nacionais sobre a violência, esse porcentual chega a 70%. De todas as mulheres mortas em 2012, quase metade foram mortas por parceiros íntimos ou membros da família.

Essa pequena reflexão é um trecho do discurso de lançamento do movimento apoiado pela ONU Mulheres, denominado HeforShe. O movimento tem como objetivo engajar homens e meninos em novas relações de gênero sem atitudes e comportamentos machistas. Para a ONU Mulheres, a voz dos homens é poderosa para difundir ao mundo inteiro que a igualdade para todas as mulheres e meninas é uma causa de toda a humanidade.

A existência de tal movimento nos leva realmente a refletir sobre a responsabilidade dos homens para com as mulheres, e reforçamos o trecho de O Livro dos Espíritos, ao nos esclarecer:
820. A fraqueza física da mulher não a coloca naturalmente sob a dependência do homem?
R. Deus a uns deu a força, para protegerem o fraco e não para o escravizarem.

E Allan Kardec conclui: Deus apropriou a organização de cada ser às funções que lhe cumpre desempenhar. Tendo dado à mulher menor força física, deu-lhe ao mesmo tempo maior sensibilidade, em relação com a delicadeza das funções maternais e com a fraqueza dos seres confiados aos seus cuidados.

Convidamos todos a se engajarem na luta pela igualdade entre homens e mulheres, a refletirem sobre as possibilidades de valorizarmos mais as mulheres em nossos dias, respeitando-as, amando-as e promovendo atitudes de igualdade. Somos e seremos sempre gratos às mulheres que, como nossas mães, avós, tias, irmãs, esposas, amigas, etc., marcam as nossas vidas com o amor e a sensibilidade que lhes são próprios. A elas a nossa imensa gratidão e respeito.

Edição fevereiro de 2017

Os principais destaques da edição de fevereiro da Folha Espírita são:

    Crise no sistema carcerário - ‘Só a educação poderá reformar os homens’ (Allan Kardec)
    Acontecimentos em ritmo acelerado
    Não violência: política para a paz
    Reconciliação com a vida
    A diferença entre professar e praticar

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Conteúdo sindicalizado