Editorial novembro de 2016

Pelo fim do sofrimento dos animais

Em decisão inédita, em 6 de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou que a vaquejada envolve maus-tratos e crueldade para com os animais, proibindo sua prática. Típica e cultural no Nordeste brasileiro, a vaquejada consiste em soltar um boi, e dois vaqueiros montados a cavalo tentam derrubá-lo pela cauda. Em 2013, o Estado do Ceará aprovou uma lei estadual de regulamentação da prática das vaquejadas, o que estimulou entidades protetoras de animais a se movimentarem judicialmente contra esses eventos. Motivado por elas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou solicitação de ação inconstitucional para a proibição da sua prática ao STF.

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, presidido pela professora Sônia Fonseca e que tem como assessoras técnicas as médicas veterinárias dra. Vânia Plaza Nunes e dra. Irvênia Luiza de Santis Prada, esta membro e fundadora do Núcleo de Medicina Veterinária e Espiritualidade da AME-São Paulo (NUVET), apresentou um parecer técnico, com 16 páginas e diversos anexos, instruindo o processo com várias argumentações sobre a saúde física e psíquica do animal, relatando com diversas fontes o sofrimento gerado a ele durante a prática. Nesse julgamento, votaram contra a vaquejada o relator da ação, Marco Aurélio, e os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski. A favor da prática votaram Edson Fachin, Gilmar Mendes, Teori Zavascki, Luiz Fux e Dias Toffoli. Coube à ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, o Voto de Minerva que foi contra a prática.

Na conclusão do parecer emitido pelas médicas veterinárias está redigido: “... Concluímos que os bovinos utilizados nos treinamentos e nas provas de vaquejada têm estrutura física, organização neurossensorial e dimensão psíquica (mental) compatíveis com a vivência de dor/sofrimento ao serem submetidos às condições em que essas provas são realizadas e, ainda, às condições em que os repetitivos treinamentos acontecem. Assim, concluímos também que todos os procedimentos que os peões impõem aos bovinos, nas provas de vaquejada, são abusivos tanto em relação à integridade e à saúde do corpo físico desses animais quanto em relação à sua estrutura mental ou psíquica, uma vez que esses animais são expostos, na arena, a perseguição e maus-tratos. Se, de uma parte, nesse espetáculo deprimente, vemos animais sendo subjugados e submetidos ao arbítrio de insensíveis, por outro lado desejamos e confiamos que os seres humanos hoje responsáveis por esses acontecimentos despertem seus sentimentos para a realidade de que a missão dos “superiores” – se assim nos consideramos – é a de proteger e auxiliar esses seres que não estão à nossa disposição, mas que merecem ser respeitados em sua capacidade de fruir dor/sofrimento e em seu direito natural à integridade física/mental e em seu direito natural à própria vida. Essa é a forma de dignidade que, segundo nosso desejo, um dia a humanidade irá conquistar e, portanto, merecer.”

Assim esperamos!

Edição outubro de 2016

Os principais destaques da edição de outubro da Folha Espírita são:

    Jorge Andréa dos Santos - Pioneiro da Medicina do futuro
    Transplante na visão espírita
    Kardecpedia: tudo sobre Kardec
    A formação de um professor
    Quem não erra?
    Cuidado com a língua

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Editorial outubro de 2016

Em defesa da vida

As manchetes de vários jornais, revistas e páginas eletrônicas voltaram a estampar o recorrente tema sobre a liberação do aborto. Desta vez, duas vertentes se abriram: a possibilidade de realizá-lo via Sistema Único de Saúde (SUS) até a 12ª semana de gestação e a defesa do aborto para as grávidas que apresentem contaminação com o Zika vírus, esta última podendo ser votada até o fim do ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ambas as ideias são repugnadas por diversas entidades que militam em favor da vida, e aqui não vamos abordar as questões religiosas ou filosóficas. Vamos falar sobre o aspecto científico em defesa da vida, muito bem embasado pelo pediatra francês Jérôme Lejeune, professor de genética, que foi taxativo ao defender que a vida começa na concepção, afirmando que “desde a concepção, um embrião já é um ser humano, pois absolutamente nada é acrescentado a ele”. Outra frase famosa de sua autoria é a de que “a sociedade não tem de lutar contra a doença, matando o doente”. O citado professor foi o descobridor da anomalia cromossômica que dá origem à trissomia 21, ou síndrome de Down.

Hoje, temos uma dura realidade no Brasil, na qual grupos defendem o aborto por causas diferentes e escusas, para não dizer egoístas. As razões científicas que invalidam e interditam a propalada autonomia da mulher de decidir quanto à morte do embrião ou do feto, tendo em vista que a vida é um bem indisponível, já é tema de artigos científicos de diversas áreas da Medicina, pois os riscos vão além da esfera da saúde física, muitas vezes chegando a abalar a saúde mental.

Com o objetivo de preservar a vida do feto e a saúde materna, vários grupos em defesa da vida iniciaram, no fim do mês passado, o projeto 40 Dias pela Vida, que visa a conscientizar sobre o valor da vida humana desde seu início. O projeto teve o engajamento também da Associação Médico-Espírita do Brasil, que, através de suas redes sociais, conclamou pessoas a postarem vídeos de um minuto justificando o seu posicionamento contra o aborto. E muitos profissionais da área de Saúde citaram artigos científicos, experiências pessoais em hospitais, clínicas e ambulatórios sobre os benefícios da preservação da vida humana. O início da campanha, aqui no Brasil, foi em 28 de setembro, coincidentemente, data da promulgação da Lei do Ventre Livre, que considerava livres todos os filhos de mulheres escravas nascidos a partir da data da lei, assinada pela Princesa Isabel.

Presente em 37 países, a campanha segue até 6 de novembro e espera sensibilizar as altas esferas políticas do País para que não ocorra a liberação de assassinato de seres indefesos.

Edição setembro de 2016

Os principais destaques da edição de setembro da Folha Espírita são:

    Chaplin, o adorável vagabundo, a serviço do Plano Espiritual
    Capelania Hospitalar Espírita
    Chico Xavier vivo
    Espiritismo Kids
    A Independência do Brasil
    O bem é o caminho

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Conteúdo sindicalizado