Edição março de 2014

Os principais destaques da edição de março da Folha Espírita são:

    Devemos nos alimentar de nossos irmãos, os animais?
    Eutanásia infantil: realidade assustadora
    Mulher brasileira e seu dia internacional
    Suicídio: doloso engano
    Quem são os anjos da guarda?
    Resiliência e preparação para a vida

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Editorial março de 2014

Eutanásia infantil: realidade assustadora

A Câmara dos Deputados da Bélgica aprovou, em 13 de fevereiro, uma lei que autoriza a eutanásia para menores de idade com doença incurável, sem fixar uma idade mínima. A lei estabelece a permissão da eutanásia apenas nos casos de doença terminal, depois de terem sido tentados todos os tratamentos médicos disponíveis, e o paciente se encontrar em sofrimento físico insuportável e para o qual já não exista uma terapêutica capaz de aliviar a dor. Nesse caso, além do consentimento dos pais e do acordo da equipe médica responsável pelo tratamento, será exigido um atestado que comprove que o doente está consciente, tem capacidade de discernimento e competência para formular autonomamente a sua decisão.

Trata-se de uma realidade assustadora que permeia o mundo ocidental, baseada em uma visão hedonista (que busca o prazer) e utilitarista (só tem importância quem é útil) de uma sociedade materialista que tem como objetivo uma vida direcionada para a posse, prazer, prestígio e poder. Para essa sociedade, o sofrimento, quer seja físico ou moral, passa a não ter sentido quando não aliviado pela Medicina. Não se admite que alguém possa continuar sofrendo sem outra perspectiva. Se a morte é o fim, deve-se antecipá-la para que nem o paciente e nem a família sofram. Para isso recorre-se ao direito à autonomia, em que até crianças em idade precoce, sem nenhuma noção da vida e seus desafios, podem decidir sobre a sua morte.

Triste sociedade. Perdeu-se todo o significado da existência humana, da dignidade e do sentido da vida em um ato de alienação e desumanização. Para que tanto progresso material se não conseguimos enfrentar os desafios da existência com serenidade e adotamos o suicídio e a morte voluntária como bandeiras de progresso e de liberdade? Usar o argumento de que a doença não tem mais cura e a dor não pode mais ser controlada é questionável, sobretudo em um país tão desenvolvido quanto a Bélgica, onde os recursos e o acesso ao tratamento médico não encontram óbices. Falta humanidade, fé e esperança.

A proposta médico-espírita é seguir a tradição hipocrática, que nos ensina a defender e a preservar a vida, em todas as circunstâncias, sem prejudicá-la jamais. Curar algumas vezes, aliviar e consolar sempre. Seria inverter totalmente esses valores fundamentais se adotássemos a eutanásia ou a abreviação da existência como prática médica natural, uma vez que o médico trairia sua nobre missão, convertendo-se em agente efetivo da morte.

A Medicina deve entender que chega um determinado momento em que seu papel não é mais vencer a doença ou a morte, mas aliviar o sofrimento, limitar o mal e acalmar a dor. Esse é um dos objetivos principais da Medicina Paliativa, que enxerga a morte não mais como uma inimiga a ser vencida, mas o morrer como um período da vida que deve ser vivenciado com dignidade. Com a Medicina Paliativa, essas crianças podem passar seus últimos dias com mais dignidade e conforto.

Aqueles que defendem a eutanásia, no intuito de oferecer um descanso para o corpo sofrido, só enxergam pelo olho material e não conseguem descortinar o desequilíbrio provocado no espírito por tal ato. As comunicações espirituais mostram as agressões no corpo espiritual e o sofrimento dos seres que experimentaram a interrupção abrupta, não programada, de sua vida orgânica. Tais transtornos são diretamente proporcionais ao envolvimento de cada um no processo: o espírito desencarnante e aqueles que contribuíram, direta (pais, profissionais de saúde) ou indiretamente (legisladores), para abreviar a vida, pois tal ato ficará impregnado na memória espiritual de cada um, e deles será “cobrado” no futuro. É a lei da ação e reação.
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