Folha Espirita online

Editorial janeiro de 2016

Kardec no vestibular

Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará. (A Gênese)

A atualidade da Doutrina Espírita mais uma vez avança como base sólida a resoluções complexas da vida humana, com respostas coerentes sobre questões que intrigam o conhecimento humano. Os vestibulandos da Unesp, na prova de conhecimentos específicos realizada em 15 de novembro, encontraram uma questão que citava O Livro dos Espíritos. Em seu enunciado, trazia uma reflexão entre dois textos que se contrapunham para explicar as capacidades morais e intelectuais do homem.

O outro texto, em contraposição ao trecho de O Livro dos Espíritos, fora extraído de um artigo da revista Superinteressante, assinado pelo ex-ministro da Justiça Nelson Jobim (Um Dom de Gênio?, maio de 2015), no qual o autor cita pesquisa do neurologista alemão Helmut Steinmetz, pesquisador da Universidade Henrich Heine, de Düsseldorf, que comparou cérebros de um grupo de 30 músicos com os de outros 30 que não se dedicavam à arte musical. Na conclusão do cientista, o virtuosismo dos primeiros seria explicado por um acentuado desenvolvimento do lobo temporal esquerdo (região do córtex cerebral onde são processados os sinais sonoros). Nos músicos, esse tamanho pode ser duas vezes maior, diz o texto.

O trecho apresentado de O Livro dos Espíritos refere-se à questão 370 e sofreu pequenas modificações para os vestibulandos:

Da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento do cérebro e o das faculdades morais e intelectuais? “Não confundais o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades, e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.”

Os professores responsáveis pela questão prepararam uma resposta que abrangeu um entendimento sobre a explicação da Doutrina Espírita e a resposta à questão 370 e deixou aos vestibulandos o questionamento acerca do texto de Jobim. Os maiores gênios, sábios, poetas e artistas não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais?

Kardec sempre se posicionou a favor da discussão e, principalmente, da pesquisa científica. Para concluir, reverenciamos o texto de Kardec: Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo. Se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira. (O que é o Espiritismo, capítulo I, Primeiro Diálogo)

O tempo e as discussões irão nos mostrar. Mas, como Kardec também nos ensina, o Espiritismo não pede que ninguém renuncie às próprias crenças para adotar as nossas, por isso nos recomenda a não violentar a fé de ninguém.

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