Editorial julho de 2016

Rompimento na União Europeia

O mundo ainda discute os impactos da decisão tomada pelos britânicos em um referendo, realizado em 24 de junho, no qual se definiu a saída do país do bloco econômico da União Europeia, por mais de 1,2 milhão de votos de diferença. Com certeza, uma decisão como essa traz diversas consequências para a economia britânica e também para o mundo, e provavelmente revela uma crise no bloco econômico e político criado após a Segunda Guerra Mundial.

Não há dúvidas que conseguir alinhar em uma única direção os 28 Estados-membros é uma tarefa das mais difíceis. Cada um avalia seus interesses próprios, tenta colocar medidas que privilegiem sua economia e, assim, ao longo dos anos, com todos os percalços, a União Europeia vinha tentando se firmar. Uma das grandes conquistas era a questão da inexistência de barreiras ou impedimentos para que qualquer cidadão europeu pudesse circular em qualquer país-membro, o que recentemente se viu como um grande dilema acerca das medidas dos países sobre os refugiados que abandonavam suas nações que viviam conflitos civis, ou mesmo vítimas de grande recessão, para tentar a sorte em outros países-membros que apresentassem perspectivas melhores.

Provavelmente, esse exercício de concessão e convivência entre os Estados-membros da UE era um ganho muito relevante para o desenvolvimento do sentimento da integração das nações e também o exercício da fraternidade. Certamente, a decisão do Reino Unido gera impactos e reformulações dos planos na Espiritualidade Maior. Estudando o tema no livro A Caminho da Luz, de Emmanuel, e também na maravilhosa descrição do Irmão X, no livro Cartas e Crônicas, percebemos que os planos do Alto para o povo europeu no final do século XVII era realmente buscar a unificação dos povos, em que Napoleão seria investido de uma responsabilidade de preparar o cenário europeu para a implantação do terceiro milênio do Cristianismo na Terra. Caberia a ele manter a organização terrestre para que os avanços da Ciência e as conquistas de liberdade tão almejadas pelos pensadores franceses pudessem abarcar os ensinamentos dos espíritos que haveriam de ser trazidos pelo Codificador.

Nós questionamos hoje os verdadeiros objetivos que levaram o Reino Unido a definir pelo caminho-solo, abrindo mão do sacrifício tão necessário para a construção de uma sociedade com menos fronteiras e mais equilibrada. Se nossos irmãos britânicos pudessem olhar sua decisão sob o prisma das necessidades da evolução espiritual, talvez pudessem avaliar que a manutenção da união dos povos com o esforço constante pelo entendimento e a renúncia pavimentariam a implantação do amor sob todo o orbe terrestre.

Edição junho de 2016

Os principais destaques da edição de junho da Folha Espírita são:

    Cura do câncer. Será que virá?
    Chico Xavier será tema de musical em 2017
    Reflexão do processo evolutivo pela dor
    Nossas mil caras
    Emmanuel e a infância
    A volta de Allan Kardec

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Editorial junho de 2016

Escravidão moderna

Os 213 anos passados desde que a Dinamarca, em 1803, colocou em vigor a sua lei de abolição da escravatura, ou mesmo os 128 anos que já avançamos depois da assinatura da Lei Áurea em nossas terras, parecem que não são suficientes para que possamos conviver longe da realidade da escravidão.

O relatório Índice de Escravidão Global, da Fundação Walk Free (uma entidade sem fins lucrativos que se dedica a lutar pelo fim da escravidão no mundo), divulgado em 31 de maio, apresenta-nos um dado alarmante: cerca de 46 milhões de indivíduos em todo o mundo estão sujeitos a alguma forma de escravidão moderna. Isso mesmo, passamos décadas após a abolição da escravidão em nossa sociedade global, mas o que fizemos foi “modernizar” a forma de se escravizar. Os dados assustadores do relatório nos indicam que 58% das pessoas escravizadas vivem em cinco países: Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão. E os países com a maior proporção de população em condição de escravidão são a Coreia do Norte, Uzbequistão, Camboja e Índia.

Essa forma moderna de se escravizar ocorre quando um sujeito controla o outro, cerceando sua liberdade individual, com a intenção clara de explorá-lo. Podemos citar que, atualmente, vemos essa condição no tráfico de pessoas, trabalho infantil, exploração sexual, recrutamento de indivíduos para o conflito armado e também o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas de trabalho sob coerção, violência, ameaça ou dívida.

O dado mais chocante é que no relatório anterior, de 2014, eram cerca de 36 milhões de indivíduos que viviam nessa situação, ou seja, a realidade de conscientização sobre o problema diminuiu, convivemos com o crescimento de tal prática em linha com o crescimento populacional.

Em nosso país, a Walk Free aponta 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna. Segundo o relatório, essa exploração é concentrada em áreas rurais, especialmente em regiões do cerrado e na Amazônia. Nas Américas, o país com o maior número de indivíduos submetidos à escravidão é o México, com 376,8 mil, e os governos com melhores respostas no combate a esse crime são os dos Estados Unidos, Argentina, Canadá e Brasil.

Em nosso país, a Walk Free aponta 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna. Segundo o relatório, essa exploração é concentrada em áreas rurais, especialmente em regiões do cerrado e na Amazônia. Nas Américas, o país com o maior número de indivíduos submetidos à escravidão é o México, com 376,8 mil, e os governos com melhores respostas no combate a esse crime são os dos Estados Unidos, Argentina, Canadá e Brasil.

Mas por que ainda convivemos com essa tragédia? Em O Livro dos Espíritos, na questão 829, Kardec indaga: Haverá homens que estejam, por natureza, destinados a ser propriedade de outros homens? Resposta: É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos.

Contudo, é preciso que estejamos atentos a que progresso se referem os espíritos, pois, certamente, o progresso material descontrolado é um impulsionador das condições de escravidão. Segundo a Walk Free, a escravidão moderna é um crime oculto que afeta todos os países e tem impacto na vida das pessoas que consomem produtos feitos a partir do trabalho escravo. Faz-se necessário, pois, o envolvimento dos governos, da sociedade civil, do setor privado e da comunidade em geral para a proteção da população mais vulnerável.

Cremos que a reflexão é muito importante para que possamos despertar para a necessidade de reformular nossos compromissos como cidadãos e as nossas necessidades de consumismo desenfreado frente à exploração de tantas pessoas ainda em condições tão adversas à liberdade humana.

Edição maio de 2016

Os principais destaques da edição de maio da Folha Espírita são:

    Bezerra de Menezes, Cairbar Schutel e Freitas Nobre - Homens que nos inspiram a acreditar numa política melhor
    Confiantes no Brasil
    Apoio fraterno ao dependente químico
    Todos têm um lado bom
    Você aproveita bem o seu tempo?
    Quando Deus criou as mães

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Conteúdo sindicalizado