Editorial julho de 2013

Das redes sociais para as ruas e a participação no poder

As recentes manifestações de protesto promovidas por brasileiros no País e no exterior demonstraram, com toda a força, sua grande insatisfação com a situação do Brasil. Mas demonstraram muito mais: deixaram evidente uma crise de representação. As autoridades públicas em todos os níveis (federal, estadual e municipal) foram pegas totalmente de surpresa pelo vigor dos protestos. Sem saber o que fazer, paralisadas pelo susto, tentam entender o que está acontecendo.

E o que está acontecendo é que o gigante acordou. A população brasileira, comumente tida até então como paciente e acomodada, resolveu protestar contra um sem-número de problemas que a afeta. Um dizer comum nos cartazes exibidos nas ruas é: “Tem tanta coisa errada no Brasil que não cabe em um cartaz.”

O fato é que a consciência política do povo vem crescendo e as organizações políticas não a têm acompanhado. Há um evidente distanciamento do pensamento dos brasileiros com suas instituições representativas.

O modelo de democracia representativa adotado atualmente no Brasil e no mundo está falido, pelo fato de permitir a sobreposição dos interesses do grande capital (especialmente o financeiro) aos interesses da maioria da população. O resultado são as graves crises econômicas que assolam o mundo, em que mais uma vez os cidadãos são chamados a pagar a conta de uma situação de falência que não foi criada por eles. O historiador e sociólogo Jordi Tejel Gorgas, do Instituto Graduate, de Genebra, constata: “Em todo o mundo parece haver um conflito entre a juventude e a política. Os jovens não se sentem representados pelos partidos e querem respostas rápidas às suas novas demandas.”

Está na hora de a democracia brasileira dar um passo adiante, criando mecanismos de participação popular nos rumos das políticas públicas. Está na hora de transformarmos o Brasil em uma Democracia Participativa, sistema democrático que combina a representação política com participação direta dos cidadãos, por meio de plebiscitos, referendos populares, consultas e assembleias públicas, para a tomada de decisões importantes em nível federal, estadual e municipal.

O povo deixou claro querer participar da vida política do País. Aproveitemos essa energia positiva para melhorar o Brasil. Vamos avançar em nossa democracia, adotando a Democracia Participativa. O Brasil está maduro para isso.

Cabe a nós a reflexão aprofundada dos acontecimentos, fazendo com que esse amadurecimento sociopolítico possa também ser catalisador de um país mais justo. Recordamos o pensamento de Léon Denis, em sua obra Socialismo e Espiritismo: “O estado social não sendo em seu conjunto senão o resultado dos valores individuais, importa antes de tudo obstinar-nos nessa luta contra nossos interesses egoístas. Enquanto não tivermos vencido o ódio, a inveja, a ignorância, não se poderá estabelecer a paz, a fraternidade, a justiça entre os homens; e a solução dos problemas sociais permanecerá incerta e precária.”

Edição julho de 2013

Momento delicado no Brasil

Nos últimos dias temos acompanhado grandes protestos em praticamente todas as capitais brasileiras. A população saiu da zona de conforto e foi às ruas reivindicar e, principalmente, levar a debate pontos importantes para o nosso país. Sem dúvida, os acontecimentos trazem um momento de reflexão para todos nós, que pode trazer grandes mudanças ao Brasil, se tratado com diálogo e paz. Na última semana, a espiritualidade se manifestou em mensagem psicofônica sobre os últimos acontecimentos e, dada a sua importância, a compartilhamos:

Caros irmãos,

O Brasil vive hoje um momento delicado de sua história.

Brasileiros, na sua maioria irmãos nossos ainda jovens na vestimenta física, exprimem nas ruas suas angústias, incertezas e mesmo revoltas subjacentes, acumuladas ao longo de decênios de insatisfação, ante a falta de respostas concretas com relação ao futuro e ao destino real que almejam para suas existências.

É preciso que as forças vivas da nação aglutinem-se em torno de todas as figuras históricas e heroicas, que serviram com idealismo ao País, a fim de encontrarem soluções justas aos anseios legítimos das pessoas, que se veem, cada vez mais, entregues a si mesmas, sem contar com o respaldo de interlocutores compassivos, que façam do diálogo um instrumento real de crescimento e aprimoramento da sociedade como um todo.

As reivindicações diversas expressam o grau de insatisfação popular com o aumento crescente da coleta de impostos, com os desvios de dinheiro público e com o mau emprego de bens e patrimônios da Nação, responsáveis por frustrações repetidas, principalmente, dos mais jovens, ante a precariedade de investimentos nas áreas essenciais como saúde e educação, entre outras.

As insatisfações são dirigidas principalmente aos que têm a responsabilidade de cuidar das questões político-administrativas do País, pedindo especial atenção aos projetos que verdadeiramente interessam ao bem-estar e ao progresso da coletividade.

Há algum tempo esses interesses vêm sendo administrados, em determinados setores do País, por espíritos que se locupletam indebitamente da rica produção nacional, espoliando o País justamente no momento em que avança para o seu mais amplo desenvolvimento. Continuam encarcerados no egocentrismo, na visão estreita do personalismo inferior, incapazes de enxergar as necessidades do conjunto, formado pela grande família brasileira, que deveria na verdade ser a usufrutuária dos bens produzidos.

Por isso, meus amigos, enfrentamos, na hora presente, momentos difíceis que exigem oração, vigilância, cautela.

Permita Jesus a união das criaturas nobres, que já despertaram para as verdadeiras responsabilidades sociais e democráticas, dentro de uma visão holística e abrangente, que contemple todos os setores da sociedade em suas necessidades espirituais mais profundas.

Que essas forças vivas, verdadeiras estacas de sustentação do Brasil livre, possam defendê-lo dos movimentos radicais, que buscam nessas horas difíceis lançá-lo nos caminhos da violência, na tentativa de usurpar-lhe o clima pacífico, seu apanágio maior, desde a fundação.

Meus irmãos, o tempo é de vigilância, de cuidado, de oração.

Que todos se unam em torno dessas forças vivas, que estão voltadas para a espiritualidade superior, a fim de que possam neutralizar os arremessos das trevas, promovendo as mudanças necessárias, mas sem violência.

Há pouco mais de 20 anos, seguindo a voz das ruas, os poderes constituídos destituíram um presidente da república; a partir de então, era de se esperar que os responsáveis pelos destinos da nação priorizassem em suas ações a probidade administrativa em todas as áreas, mantendo como objetivo maior a distribuição mais justa e igualitária da riqueza.

Era de se esperar que amadurecessem, procurando servir às camadas mais pobres da população, e, sobretudo, à valorosa Nação, que lhes deu o berço, e que foi dotada pelo Criador de grandes jazidas naturais, do maior reservatório de água do mundo e que permanece emoldurada pela beleza ímpar de sua natureza exuberante.

O mundo cibernético, todavia, abriu imensas possibilidades para que as gargantas se exprimissem em conjunto, em uníssono, e os jovens saíram às ruas. Mas se isso representou um avanço nas formas de expressão das almas, trouxe também imensas preocupações quanto aos rumos do País, porque não se sabe se as forças negativas tomarão a frente, tentando impedir o cumprimento da importante missão que o Brasil tem a desempenhar perante si mesmo e perante as demais nações do mundo.

Por isso, meus amigos, diante do mostruário desta noite, solicitamos silêncio, meditação, prece e, sobretudo, entranhado amor pelo País que vos recebeu de braços abertos depois de inúmeras encarnações de falência para vos reabilitardes perante o Pai.

Que Ele nos abençoe.

(Mensagem recebida psicofonicamente por Marlene Nobre em 19/6/2013 no Grupo Espírita Cairbar Schutel.
A médium esclarece que José Maria da Silva Paranhos Jr. (Barão do Rio Branco) assumiu a autoria da mensagem, mas que o mentor deixou claro que falava em nome de uma falange. Fazem parte dela e estavam ali presentes Pedro de Alcântara, Bezerra de Menezes, Rui Barbosa, Tiradentes, Freitas Nobre, Frei Caneca, Cairbar Schutel e inúmeros outros brasileiros ilustres.)
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