Edição dezembro de 2016

Os principais destaques da edição de dezembro da Folha Espírita são:

    As eleições americanas e o nosso futuro
    Eutanásia em animais. Sim ou não?
    Saúde e espiritualidade no exterior
    Reflexões de Natal
    Não morremos com o suicídio
    Novo documentário espírita

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Editorial dezembro de 2016

Todas as vidas que se vão

No fechamento desta edição, quando nos preparávamos para escrever o último editorial do ano, fomos surpreendidos pela queda do avião que levava toda a equipe de futebol da Chapecoense e dirigentes, além de jornalistas. O impacto da notícia naturalmente nos trouxe, mais uma vez, questionamentos sobre a transitoriedade da vida terrena e, principalmente, sua fragilidade.

A Doutrina Espírita preenche um pouco o vazio que fica, ao nos depararmos com as múltiplas explicações para os resgates coletivos. Temos a convicção que a Providência Divina é determinante para que se faça cumprir a Lei de Causa e Efeito, reunindo espíritos comprometidos com o mesmo resgate na mesma circunstância, e até mesmo afastando aqueles que não devem participar do reencontro de contas, evitando, assim, que estes desencarnem.

O que nos salta aos olhos é observar que carecemos de fatos tão impactantes como esse para nos consternarmos, para avaliarmos os nossos reais objetivos na vida. Diariamente, a grande maioria das pessoas se dedica às suas realizações pessoais, buscando ganhos, conquistas, reconhecimento e tudo mais que a sociedade contemporânea tanto nos cobra. Com certeza, a tragédia marcante e dolorosa é capaz de estremecer nossos pensamentos. Os porquês nos invadem a mente e são ingredientes para uma construção mental vigorosa de grandes reflexões. Somos impulsionados a repensar tantas escolhas, tantos ideais, e não obstante descobrimos nossa pequenez ao fixarmos nossos olhos apenas nas vicissitudes da matéria.

Nossas considerações nestas linhas contam com mais um fato marcante. No mesmo dia do acidente, 29 de novembro, veio a decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que firmara o entendimento de que praticar o aborto nos três primeiros meses de gestação não é crime. A decisão é sobre um caso específico, que revogou a prisão preventiva de cinco pessoas que trabalhavam em uma clínica clandestina de aborto em Duque de Caxias (RJ), porém pode ser um passo largo para a descriminalização do ato no início da gravidez.

Temos então nosso coração invadido por sentimentos de uma profunda tristeza, ao lembrarmos os jovens que deixaram a vida terrena em um acidente aéreo, e uma incompreensão imensa ao imaginarmos que milhares de espíritos poderiam vir a ser vitimados por uma decisão como a da descriminalização do aborto e que nem sequer teriam a chance de reencarnar e viver a vida.

Choramos pelos jovens da Chapecoense que partiram prematuramente da presente encarnação e ficamos comovidos com a perda de tantos seres que podem não mais viver a presente existência. Mas cabe-nos refletir sobre a responsabilidade que temos ao imputar a tantos outros espíritos a negação do direito à vida, que não nos pertence, ao permitirmos o aborto.

Rogamos ao Alto que os benfeitores espirituais possam nos auxiliar a evitar que a lei de liberação do aborto na fase inicial da gestação seja aprovada. Certamente, tal decisão macularia para sempre nossa nação. Concluímos estas linhas resgatando uma frase da fundadora deste jornal, Marlene Nobre, que dedicou sua vida à valorização da vida e ao combate ao aborto, que poderia ser muito bem endereçada aos ministros do STF: “Cada concepção é uma nova oportunidade de vida na Terra, é um novo projeto existencial que deve ser respeitado no continuum zigoto-velho, e o respeito ao embrião, deficiente ou
não, é um respeito ao continuum. Esse continuum tem bilhões de anos de evolução. E cada um de nós está aqui porque sua mãe assim o quis.”

Conteúdo sindicalizado