Editorial junho de 2016

Escravidão moderna

Os 213 anos passados desde que a Dinamarca, em 1803, colocou em vigor a sua lei de abolição da escravatura, ou mesmo os 128 anos que já avançamos depois da assinatura da Lei Áurea em nossas terras, parecem que não são suficientes para que possamos conviver longe da realidade da escravidão.

O relatório Índice de Escravidão Global, da Fundação Walk Free (uma entidade sem fins lucrativos que se dedica a lutar pelo fim da escravidão no mundo), divulgado em 31 de maio, apresenta-nos um dado alarmante: cerca de 46 milhões de indivíduos em todo o mundo estão sujeitos a alguma forma de escravidão moderna. Isso mesmo, passamos décadas após a abolição da escravidão em nossa sociedade global, mas o que fizemos foi “modernizar” a forma de se escravizar. Os dados assustadores do relatório nos indicam que 58% das pessoas escravizadas vivem em cinco países: Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão. E os países com a maior proporção de população em condição de escravidão são a Coreia do Norte, Uzbequistão, Camboja e Índia.

Essa forma moderna de se escravizar ocorre quando um sujeito controla o outro, cerceando sua liberdade individual, com a intenção clara de explorá-lo. Podemos citar que, atualmente, vemos essa condição no tráfico de pessoas, trabalho infantil, exploração sexual, recrutamento de indivíduos para o conflito armado e também o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas de trabalho sob coerção, violência, ameaça ou dívida.

O dado mais chocante é que no relatório anterior, de 2014, eram cerca de 36 milhões de indivíduos que viviam nessa situação, ou seja, a realidade de conscientização sobre o problema diminuiu, convivemos com o crescimento de tal prática em linha com o crescimento populacional.

Em nosso país, a Walk Free aponta 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna. Segundo o relatório, essa exploração é concentrada em áreas rurais, especialmente em regiões do cerrado e na Amazônia. Nas Américas, o país com o maior número de indivíduos submetidos à escravidão é o México, com 376,8 mil, e os governos com melhores respostas no combate a esse crime são os dos Estados Unidos, Argentina, Canadá e Brasil.

Em nosso país, a Walk Free aponta 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna. Segundo o relatório, essa exploração é concentrada em áreas rurais, especialmente em regiões do cerrado e na Amazônia. Nas Américas, o país com o maior número de indivíduos submetidos à escravidão é o México, com 376,8 mil, e os governos com melhores respostas no combate a esse crime são os dos Estados Unidos, Argentina, Canadá e Brasil.

Mas por que ainda convivemos com essa tragédia? Em O Livro dos Espíritos, na questão 829, Kardec indaga: Haverá homens que estejam, por natureza, destinados a ser propriedade de outros homens? Resposta: É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos.

Contudo, é preciso que estejamos atentos a que progresso se referem os espíritos, pois, certamente, o progresso material descontrolado é um impulsionador das condições de escravidão. Segundo a Walk Free, a escravidão moderna é um crime oculto que afeta todos os países e tem impacto na vida das pessoas que consomem produtos feitos a partir do trabalho escravo. Faz-se necessário, pois, o envolvimento dos governos, da sociedade civil, do setor privado e da comunidade em geral para a proteção da população mais vulnerável.

Cremos que a reflexão é muito importante para que possamos despertar para a necessidade de reformular nossos compromissos como cidadãos e as nossas necessidades de consumismo desenfreado frente à exploração de tantas pessoas ainda em condições tão adversas à liberdade humana.

Edição maio de 2016

Os principais destaques da edição de maio da Folha Espírita são:

    Bezerra de Menezes, Cairbar Schutel e Freitas Nobre - Homens que nos inspiram a acreditar numa política melhor
    Confiantes no Brasil
    Apoio fraterno ao dependente químico
    Todos têm um lado bom
    Você aproveita bem o seu tempo?
    Quando Deus criou as mães

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Editorial maio de 2016

Confiantes no Brasil

É realmente inquestionável que vivemos mais um momento ímpar na história recente de nosso país. Em junho de 2013 foi deflagrado um movimento que parecia estar esquecido ou adormecido. A população voltou às ruas para exercer o direito legítimo e assegurado de protestar. Naquele momento, o pano de fundo que parecia motivar os movimentos era realmente muito maior do que os R$ 0,20 (vinte centavos) nas passagens de ônibus. De lá pra cá, muita coisa aconteceu, presenciamos momentos ainda mais difíceis no cenário político-econômico e a Nação voltou os olhos para todo o movimento do Judiciário, que nos proporcionou um despertar para as questões de impunidade, em um processo que parece avançar cada dia mais. Com isso, fomos prosseguindo com a população imersa em um sentimento de mudança.

O último mês foi marcado pelo episódio da sessão na Câmara dos Deputados que votou pela aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Percebemos um lamentável espetáculo de banalização da política, reforçando ainda mais o sentimento de falta de representatividade justa, honesta e, sobretudo, comprometida com os rumos de nossa pátria.

Durante todo esse processo recente que relatamos acima, procuramos dividir com nossos leitores reflexões positivas, nas quais as revelações dos espíritos superiores, através de Chico Xavier, pudessem nos sinalizar alguma esperança frente ao cenário tão desesperador e extremo de usurpação da vida pública.

Cremos que o pensamento do medianeiro, registrado em O Evangelho de Chico Xavier, é totalmente pertinente: “Devemos orar pelos políticos, pelos administradores da vida pública. A tentação do poder é muito grande. Eu não gostaria de estar no lugar de nenhum deles. A omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na vida espiritual...” Por outro lado, devemos também confiar que não estamos à deriva, e que a Espiritualidade Superior segue regendo os passos da Pátria do Cruzeiro.

Maio de 2016 deverá ser decisivo para os rumos de nossa história, por isso devemos seguir confiantes e orando. Nesse mesmo mês, há 149 anos, em 1867, Adolfo Bezerra de Menezes assumia a sua cadeira como deputado na Assembleia Geral do Império. Diante desse fato histórico, decidimos resgatar os feitos da trajetória política de Bezerra de Menezes e a ela somar ainda os passos de Cairbar Schutel e Freitas Nobre. Relembrar a história desses homens públicos e verdadeiros cristãos envolvidos com a Nação é a nossa forma de disseminar a cultura da fé e da esperança nesse momento tão delicado.

Confiantes que esses e tantos espíritos nos orbes superiores continuam comprometidos com o Brasil, a eles e a Ismael direcionamos nossas preces para podermos suplantar essa etapa e seguir na evolução necessária para que um dia possamos nos tornar realmente merecedores de ser a Pátria do Evangelho.

Edição abril de 2016

Os principais destaques da edição de abril da Folha Espírita são:

    Jesus, sem dogmas ou efeitos especiais
    Um Brasil melhor
    Suicídio. E depois?
    Cartas de Chico Xavier em documentário
    Experiências com a capelania hospitalar espírita
    Reconstrução da vida a dois
    Passaporte para renascer

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