Folha Espirita online

Editorial agosto de 2014

A paz futura comprometida pela guerra do presente

Não restam dúvidas que a tática do Hamas de jogar mais de dois mil foguetes em direção a milhões de vidas em cidades israelenses, e ao mesmo tempo usar palestinos como escudos humanos, a fim de maximizar as vítimas civis, e com isso comover a mídia e a opinião pública mundial, é de uma crueldade inominável.

E se é verdade que nenhum governo toleraria, sem reagir, uma chuva de foguetes em seu território, esses foguetes, todavia, não dão a Israel a autoridade moral que justifique matar, no contra-ataque ao território palestino, mais vidas civis do que os terroristas. Mesmo sabendo que, se pudessem, os terroristas matariam ainda mais.

Nesse, como em tantos conflitos, ambos os lados tentam justificar suas ações como sendo apenas uma reação ao que o outro lado fez ou está fazendo.

Esse conflito não é uma luta do bem contra o mal. Mas é fruto de uma incapacidade histórica de convivência entre esses povos.

No entanto, o que torna tudo isso ainda mais lamentável não são apenas as vítimas do presente, mas o comprometimento da paz futura, o que fará ainda mais vítimas.

Vários estudos feitos após esses conflitos evidenciam que eles têm um impacto na radicalização de longo prazo. Palestinos que cresceram durante a Primeira Intifada (o primeiro levante palestino, ocorrido de 1987 a 1993), e foram, assim, expostos a mais violência durante os seus anos de formação, são menos propensos a apoiar as negociações de paz com Israel do que os indivíduos que cresceram durante o processo de paz de Oslo.

A recente rodada de combates tende a agravar ainda mais as relações entre israelenses e palestinos, pois certamente gerará indivíduos, de ambos os lados, menos propensos a uma resolução pacífica do conflito, e uma geração futura ainda mais endurecida pela dor das perdas que todos estão sofrendo.

Nesse conflito, de forma mais nítida, fica evidenciada a nossa imaturidade na convivência com a diferença. Conviver e respeitar o outro são um convite à caridade mais necessária em nossos dias: a caridade moral.

Na definição da Irmã Rosália, no capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “A caridade moral consiste em vos suportardes uns aos outros, o que menos fazeis nesse mundo inferior, em que estais momentaneamente encarnados.”

Irmãos, não podemos fazer julgamentos simplistas, nem ficar paralisados com as cenas chocantes. Preces, mas, sobretudo, atitudes de paz são nossa melhor contribuição para um mundo novo.
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