As pérolas da distração

Homem com postura de sucesso
Foto: banco de imagem

“Inúmeros seguidores do Evangelho se queixam da incapacidade de retenção dos ensinos da Boa Nova, afirmando-se ineptos à frente das novas revelações. E isto porque não dispensam maior trato à lição ouvida, demorando-se longo tempo na província da distração e da leviandade” (Emmanuel, Fonte viva).

Uma narrativa popular, de autor desconhecido, informa que um galo estava no terreiro ciscando em busca de alimento quando encontrou uma pérola. Pensou: “se fosse um joalheiro certamente estaria vibrante com o achado, mas para mim nada serve, pois eu não me alimento de pérola”. E seguiu ciscando em busca de alguns caroços de milho, porque essa era a sua meta.

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A terra pode ser comparada a um terreiro, simbolizando um vasto campo de experiências e aprendizados, onde cada um de nós está ciscando em busca de alimentos espirituais. Em várias oportunidades, encontramos pérolas que expressam as ilusões e fantasias, mas tal achado não deve perturbar a nossa busca, nos desviando da nossa prioridade.

  • Pérolas de ganância poderão nos remeter a ansiedades exageradas de conseguir fortuna, assim, às vezes, para atingir nosso objetivo, utilizamos métodos escusos e imorais.
  • Pérolas de desejo de conquistar poder, prestígio e alcançar a admiração popular, galgando posições de destaque no mundo, sem a preocupação com o imprescindível crescimento espiritual.
  • Pérolas de vaidade, luxúria e exibicionismo, num acentuado culto às aparências exteriores, efêmeras e passageiras, dando pouca atenção aos valores íntimos, eternos e imortais.
  • Pérolas de ignorância e descaso para com os necessários dotes educativos e culturais, preferindo valorizar a bestialidade e a estupidez.
  • Pérolas de ódio e animosidade, cultivando uma vida belicosa e infrutífera, geradora de consequência danosas e imprevisíveis.

O galo da nossa narrativa foi suficientemente prudente quando entendeu que, embora tivesse muito valor a pérola para os homens, para ele nada significava, pois o que precisava e não poderia deixar de conseguir era o milho, que o manteria vivo e saudável. Nós somos superiores a uma ave, então não fica difícil entender que, pelos caminhos, encontraremos inúmeras pérolas, mas essas tais não devem nada significar, visto que nosso objetivo é obtenção de alimentação espiritual. A verdadeira vida está fora da matéria, embora seja importante a existência física, como campo de experiências e aprendizados.

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Uma vez atraídos pelas pérolas encontradas na estrada, desviaremos o foco da nossa reencarnação, pois um dia saímos da espiritualidade carregando no bojo uma imensa quantidade de propostas e objetivos a serem cumpridos na vida física. A não concretização desses intentos caracterizará como falência dos nossos ideais, anteriormente traçados.

Então, continuemos ciscando pelos terreiros da nossa vida, deixando as pérolas encontradas àqueles que, porventura, nelas tenham interesse e as valorizem, já de nossa parte prossigamos em busca do milho espiritual, pois esse, sim, nos proporcionará os benefícios que esperamos.

Tais pérolas significam distração e vulnerabilidade. Meditemos.

Fonte Viva – Emmanuel

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