2020, o ano que nos fez rever nossas vidas, passou…

Sandra Marinho

Pois é, 2020 passou…

Ano atípico que nos forçou a rever o nosso modo de contabilizar o que fizemos e o que deixamos de fazer. Muitas vezes, me pego com a sensação de ainda estar em março, mas o interessante é que, ao mesmo tempo, já resolvi muitas coisas e já superei algumas etapas. Não como havia planejado, e sim de outro jeito.

Quando o país lançou as primeiras medidas de combate à Covid-19, todos tivemos um sentimento ruim, de caos, de muitas incertezas. No início, após o primeiro mês de recolhimento em nossas casas, recebemos uma enxurrada de mensagens que nos convidavam a refletir nossos atos, nossas preferências, nossa forma de viver. De fato, demos um stop em tudo e fomos obrigados a nos reprogramar em muitas das nossas frentes da vida cotidiana e familiar.

Não vou me estender em tais lembranças, pois todos foram exaustivamente levados a promover muitas mudanças no seu modo de vida sob os mais diversos aspectos. Normalmente, em dezembro, costumamos fazer uma retrospectiva do que vivenciamos durante o ano. Reavaliamos metas e repensamos nossos comportamentos. Acredito que a maioria das pessoas considere essa alternativa, nem que seja no último dia do ano.

Com tantos acontecimentos imprevisíveis que interferiram diretamente na nossa vida, qual será o nosso balanço, considerando que muitas interferências externas nos forçaram a algumas mudanças de rumo importantes? É neste ponto que eu gostaria de refletir com você.

Com certeza, o reflexo dos quase 10 meses que se sucederam após a notícia da pandemia no Ocidente, de algum modo, alterou algo em nossa personalidade. Mas até que ponto as sequelas da pandemia nos impediram de avançar espiritualmente? Ninguém discute que todos enfrentamos e ainda estamos enfrentando um momento de provas. Muitos passaram por um processo de dor, quer da própria doença, quer da perda dos entes queridos. Essas dores, sem dúvida, deixaram marcas indeléveis em nosso ser que perdurarão por muito tempo. No entanto, sob a ótica da fé raciocinada, a dor é a oportunidade para amadurecermos, para rever nossos erros e, por outro lado, desenvolvermos a compreensão e a compaixão para com o próximo.

Algumas partes do livro Entre a terra e o céu, do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier, trazem uma abordagem sobre a dor feita pelo ministro Clarêncio, de Nosso Lar, que vêm ao encontro do que estamos refletindo:

“[…] Pai Celestial nos concede a dor e a luta, a provação e o sofrimento, únicos elementos reparadores, suscetíveis de produzir em nós o reajuste necessário, quando nos pomos em desacordo com a Lei.

“A dor é o grande e abençoado remédio. Reeduca-nos a atividade mental, reestruturando as peças de nossa instrumentação e polindo os fulcros anímicos de que se vale a nossa inteligência para desenvolver-se na jornada para a vida eterna. Depois do poder de Deus, é a única força capaz de alterar o rumo de nossos pensamentos, compelindo-nos a indispensáveis modificações, com vistas ao Plano Divino, a nosso respeito, e de cuja execução não poderemos fugir sem graves prejuízos para nós mesmos.”

Assim, podemos aferir que toda a dor trazida no bojo da pandemia nos ajuda na reeducação mental tão necessária, para que possamos nos livrar das cascas que não nos servem para mais nada, como a carapaça do orgulho, da prepotência e do preconceito. É fundamental que aproveitemos tudo o que passamos neste ano que se encerra, para mudar, não somente a forma como trabalhamos, estudamos, nos relacionamos em família e tantas outras novas regras às quais tivemos de nos ajustar, mas, principalmente, avaliemos o que mudou dentro de nós.

Avaliemos o que diz Clarêncio, de que a dor é o poder que vem logo após o poder de Deus com capacidade de nos reeducar a mente.

Para finalizar, acredito que ao fazermos o nosso balanço de 2020, coloquemos os créditos dos novos pensamentos que adquirimos e dos sentimentos revigorados. Afinal, as perdas materiais, as perdas dos nossos amados, nos fizeram mais fortes para enfrentarmos as novas lições, que não cessarão até alcançarmos a condição de mundo de regeneração, em conformidade com a vontade de Deus.

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