Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo

Em 3 de outubro, celebramos 216 anos do nascimento do professor lionês Hippolyte Léon Denizard Rivail, imortalizado como Allan Kardec. Debruçarmo-nos sobre a obra do codificador em um ano como 2020 é realmente consolador. Ao lermos páginas escritas há 163 anos (data de lançamento de O livro dos Espíritos), percebemos o quanto são atuais e que por trás de cada linha grafada existe uma mensagem eterna e um convite para as transformações pelas quais estamos passando enquanto humanidade.
A construção do pensamento racional com objetivos filosóficos que encontram no progresso moral sua destinação é algo fascinante. Temos em nossas mãos uma obra que rompe e continuará a romper séculos e mais séculos, pois traduz uma verdadeira mensagem de amor.
A importância da tarefa de Kardec ficou muito bem explícita nas obras de Emmanuel, em A caminho da luz, cap. XXII – “Revolução Francesa”, e de Humberto de Campos, em Cartas e crônicas, cap. XXVIII – “Kardec e Napoleão”.
O mentor espiritual de nosso Chico Xavier nos relata assim sobre a volta de Kardec: “Aproximavam-se os tempos em que Jesus deveria enviar ao mundo o Consolador, de acordo com as suas auspiciosas promessas. Apelos ardentes são dirigidos ao Divino Mestre, pelos gênios tutelares dos povos terrestres. Assembleias numerosas se reúnem e confraternizam nos espaços, nas esferas mais próximas da Terra. Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo baixa ao planeta, compenetrado de sua missão consoladora, e, dois meses antes de Napoleão Bonaparte sagrar-se imperador, obrigando o papa Pio VII a coroá-lo na igreja de Notre Dame, em Paris, nascia Allan Kardec, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo”.
Já o renomado escritor nos informa sobre uma reunião que acontecera no final do século XVIII, precisamente em 31 de dezembro de 1799, contando com a presença de grandes sábios como Sócrates, Platão, Aristóteles, São Vicente de Paulo, Santo Agostinho, Galileu, Pascal, entre outros, acompanhada também por Espíritos encarnados que, desligados do corpo, assistidos por outros Espíritos, também compareceram. Chamou a atenção a presença de Napoleão, que, em determinado momento, ajoelha-se diante de um Espírito que contava com muito respeito de todos, e Humberto de Campos relata o momento em que Kardec erguera o Napoleão, e todos ouvem o anúncio do retorno do emissário às lides terrenas: “O celeste emissário, sorrindo com naturalidade, ergueu-o, de pronto, e procurava abraçá-lo, quando o Céu pareceu abrir-se diante de todos, e uma voz enérgica e doce, forte como a ventania e veludosa como a ignorada melodia da fonte, exclamou para o Napoleão, que parecia eletrizado de pavor e júbilo, ao mesmo tempo: – Irmão e amigo ouve a verdade, que te fala em meu Espírito! Eis-te à frente do apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerrará para a Terra atormentada um novo ciclo de conhecimento […]”.
Temos, assim, dois momentos de singela beleza, nas quais podemos observar nas descrições de Emmanuel e Humberto de Campos toda a preparação na Espiritualidade para o retorno de Kardec, que regressara para cumprir o papel de apresentar à humanidade o Consolador Prometido, que tanto nos fala ao coração, principalmente nos dias de hoje.

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