Em algum momento da vida, encontramos ou encontraremos opositores

Acredito que ninguém passa pela vida sem se deparar com antagonistas. Aliás, até mesmo os ícones da história reconhecidos pelo amor que dedicaram ao próximo e pelo compromisso com a paz que demonstraram em suas existências tiveram seus antagonistas. Nessa categoria encontramos: Chico Xavier, irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, entre outros. Kardec também enfrentou antagonistas ferozes para realizar a sua grande obra.

Pelo menos em algum momento, tivemos ou ainda teremos de lidar com forte oposição às nossas ideias ou a grupos sociais com os quais nos simpatizamos. Numa simples observação, veremos que é comum encontrarmos antagonistas até nos meios estudantis, entre colegas de turma ou de grupos diferentes. O antagonismo se expressa de maneira livre na sociedade, apoiado no fortalecimento do espírito competitivo tão reverenciado e até mesmo robustecido pelos pais na educação de seus filhos.

Um fato é incontestável: não agradaremos a todos. No entanto, o perigo está quando essas antipatias avançam para o campo da competição desvairada ou discórdia combativa cujos resultados são sempre desastrosos, acarretando danos de dificílima reparação. É natural que se formem grupos de apoiadores a determinada ideologia política, por exemplo, porém as manifestações do grupo devem observar a sanidade e o preparo individual. Ora, se um grupo se constitui de pessoas em defesa de uma causa, e se cada uma dessa pessoas expressar-se com autocontrole, o grupo também se manifestará com equilíbrio.

André Luiz, no livro Sinal verde, no capítulo “Antagonistas”, nos propõe algumas reflexões sobre como podemos evitar confrontos com os antagonistas, já que estes existem. Escreve-nos o mentor: “O adversário em que você julga encontrar um modelo de perversidade talvez seja apenas um doente necessitado de compreensão”.

Chamo atenção para o que ele diz: “compreensão”. O fato de percebermos que o nosso opositor traz consigo desajustes emocionais e psíquicos e alardear com desprezo – fulano ou fulana é um doente! – não é compreensão.

André Luiz nos leva a refletir sobre quanto se tem errado, quantas animosidades poderiam ser evitadas nos relacionamentos pessoais; quantas perdas contabilizadas nos movimentos coletivos, impulsionadas pela política e pelo antagonismo religioso e ideológico!

Não é simplesmente reconhecer a ignorância ou o desequilíbrio do outro, mas esforçar-se em compreender a sua fraqueza, sem deixar-se atingir pelas farpas da oposição, esquivando-se quando necessário e, principalmente, não revidando. Dessa maneira, o objeto do antagonismo se enfraquece e deixa de servir de estopim para incendiar ainda mais os ânimos.

Outro ponto fundamental trazido por André Luiz sobre esse tema é: “Reconheçamos o fato de que, muitas vezes, a pessoa se nos torna indigna simplesmente por não nos adotar os pontos de vista”. Aí está o perigo: angariarmos inimigos de graça só porque na nossa prepotência e eivados de preconceitos supomos que somente têm valor e merecem a nossa consideração os que pensam como nós; que gostam das mesmas coisas que nós; que têm o mesmo modo de vida que nós etc.

Um ponto delicadíssimo e difícil de aceitar está na seguinte reflexão que André Luiz nos traz: “respeitemos o inimigo, porque é possível seja ele portador de verdades que ainda desconhecemos, até mesmo em relação a nós”. Não é fácil reconhecer, eu sei. Mas justamente aqueles que se opõem a nós têm uma visão mais clara dos nossos defeitos mais secretos, aqueles que conseguimos ocultar aos olhos dos amigos e afins.

Nosso orgulho e vaidade não lidam muito bem com o fato de alguém conseguir ver as nossas fraquezas e nosso defeitos e não ter muita consideração em esconder que sabem disso. O que fazer? Eis aí o maior desafio. O jeito é aproveitar a verdade nua e crua sobre nós mesmos e começar a trabalhar sinceramente em eliminar em nós o defeito apontado pelo opositor.

André Luiz nos traz uma verdade insofismável, quando escreve: “A melhor maneira de aprender a desculpar os erros alheios é reconhecer que também somos humanos, capazes de errar talvez ainda mais desastradamente que os outros”. Na minha opinião, eis a fórmula mais eficaz. Se não estamos isentos de cometer erros, por que exigir dos outros espetáculos de virtude! Sejamos razoáveis! Quando somos rigorosos com os outros, estamos chancelando o mesmo comportamento dos outros para conosco. Por fim, André Luiz escreve: “O adversário, antes de tudo, deve ser entendido por irmão que se caracteriza por opiniões diferentes das nossas”. Tal ponderação de André Luiz nos leva a refletir no quanto se tem errado, quantas animosidades poderiam ser evitadas nos relacionamentos pessoais; quantas perdas contabilizadas nos movimentos coletivos, impulsionadas pela política e pelo antagonismo religioso e ideológico!

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