Evidências da vida após a morte nos ajudam a lidar com as perdas e o luto

Durante a pandemia do novo coronavírus, muitas pessoas têm perdido familiares e amigos queridos de uma forma abrupta, sem ter a chance de se despedir. Uma nova forma difícil de lidar com a morte, as perdas e o luto. Nessas horas, as mensagens psicografadas pelo médium Chico Xavier são um alento a todos os que vivem episódios de dor. Por isso, no final de maio, eu e Walther Graciano Jr., presidente do Grupo Espírita Cairbar Schutel, na capital paulista, nos reunimos em uma live com Conrado Santos, responsável pelo Departamento de Marketing e Comunicação do grupo e da Folha Espírita, para que ele, profundo conhecedor do livro A vida triunfa (1992), de autoria de Paulo Rossi Severino, um dos fundadores da FE, que acaba de ser lançado em e-book, nos contasse as histórias ali reunidas em mais de 15 anos ao lado do médium e que consolaram e ainda consolam dezenas de corações.

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O livro, resultado de pesquisa científica iniciada em 1975 sobre a mediunidade de Chico Xavier, feito em parceria com a Associação Médico-Espírita de São Paulo, traz 45 casos de mensagens psicografadas pelo médium mineiro. Ele trata de um dos grandes mistérios da humanidade, a morte, e as evidências sobre uma nova vida após ela, que nos ajudam a construir uma maneira de lidarmos melhor com o luto e as perdas, tendo como base as reflexões das mensagens recebidas.

Chico Xavier foi a maior antena paranormal da história, com incontáveis mensagens consoladoras, além, claro, da sua obra literária, que chegou a 534 livros psicografados. A vida triunfa é um consolo a todos que sofrem com o momento da despedida do corpo físico. A fidelidade e a exatidão das mensagens coletadas na pesquisa, e que constam na obra construída em 15 anos, impressionam. São casos de morte acidental, por arma de fogo, afogamento, incêndios, acidentes aéreos e por atropelamento, a maioria deles ocorreram com jovens de 11 aos 30 anos, ou seja, mortes muito prematuras e inesperadas.

Conrado Santos

“As mensagens acalmam corações e fazem com que essas famílias se sintam conectadas com a vida após a morte e tenham uma nova maneira de enxergar a vida”

(Conrado Santos)

Os ensinamentos presentes nas mensagens

Como lidar com a saudade? O que fazer com as coisas dos que partiram? Qual o melhor caminho para dar continuidade à vida? O que fazer para afastar a nossa tristeza? Afinal, o que de prático essas mensagens que foram comprovadas como autênticas nos ensinam? Selecionamos, a seguir, algumas das mensagens que constam no livro para que façamos essas reflexões.

José Roberto Pereira da Silva, de 18 anos, vítima de acidente rodoviário em Mogi das Cruzes (SP).

“Trabalhe, meu pai, guarde o seu ânimo de homem de bem. Não queira morrer para reencontrar-me, porque eu prossigo vivendo para reencontrá-lo, a cada dia mais encorajado para a luta em favor do bem. Não me procure chorando e clamando por mim, no recanto da terra onde meu retrato ficou arquivado! Agradeço o seu carinho, meu querido pai, suas preces e suas manifestações de amor e peço a Deus que lhe recompense a abnegação, mas não procure por seu filho a pedir com tanta dor para que a nossa dor necessária não exista. O tempo com a bênção de Deus nos ajudará. O senhor queria que eu ficasse aí para realizar os seus ideais, no entanto, eu não estou morto, meu pai! Estou vivo! E trabalharei com as suas mãos. Recordo as suas palavras, lembrando os dias de minha infância. Você queria seu filho num hospital para atender às crianças necessitadas e satisfazer às necessidades dos enfermos sem maiores recursos… E quem diz que não vou servir? […] Não deixem que a nossa casa se transforme em recanto de sombras e lágrimas.”

“São muitos os relatos de amparo de parentes que já desencarnaram e ajudam esses Espíritos a se adaptarem à nova vida”

Volquimar Carvalho dos Santos, 21 anos, vítima do incêndio do edifício Joelma, em 1974, na capital paulista.

“Tudo aconteceu de repente, como se devêssemos todos naquela manhã obedecer, de um modo só, a ordem que vinha do Mais Alto, a fim de que a gente trocasse de vida e corpo […]. O calor era demasiado para que fosse sentido por nós, especialmente por mim, com minudências de registro, compreendi que não estávamos à beira de uma libertação para o mundo, e sim na margem da vida espiritual que devíamos aceitar com fé em Deus. E aceitei. Os amigos espirituais, destacando meu avô Álvaro, comigo, durante todo o tempo, não me deixaram assinalar qualquer violência, naturais numa ocasião como aquela, da parte daqueles que nos removiam do caminho e que se acreditavam no rumo da volta que não mais se verificaria. Lembrando nossas preces e nossas conversações em casa, procurei esquecer as frases de desespero que pronunciavam em torno de mim. Essa atitude de prece e de aceitação me auxiliou e me colocou em posição de ser socorrida []. A morte não existe, o que existe é a mudança que, por vezes, quando imprevista, como foi o nosso caso, não é fácil de suportar.”

“Aprendemos, com essas mensagens, que ninguém morre, e o socorro do plano espiritual é muito presente. Se aqui nós nos despedimos daqueles que nós amamos, lá no outro plano da vida o amor promove o reencontro com outros Espíritos”

Maria Teresa de Sena Melo, 17 anos, vítima de meningite, em Bauru (SP).

“Papai, peço ao seu carinho lembrar-me, com a certeza de que sua filha não morreu. Perdi apenas uma foto: a foto de elementos físicos pela qual me identificavam aí no mundo […] Ah! mãezinha, dizer que isso foi natural para mim é impossível. Chorei muito e demorei-me na aceitação necessária. A hospitalização nova surgiu para mim como verdadeira bênção. E gradativamente retomei-me […].”

“As mensagens nos ensinam a lidar com a saudade em ambos os planos, tanto para quem fica quanto para quem está do outro lado”

Solange Victoretti, 20 anos, vítima de atropelamento em Sorocaba (SP).

“Confesso que tenho lutado para vê-los conformados. Não chorem por mim. Tudo se passou decerto como devia ser. Em quatro meses de vida nova, com mais tempo de tratamento que outra coisa, pouco sei para falar do mundo novo em que me vejo. Posso afirmar, porém, que tenho encontrado afeições queridas […]. Pois hoje, papai, sou eu quem roga ao senhor e à mãezinha para não procurarem a pessoa que desapareceu quando caí na rua. Hoje sei que ninguém faz o sofrimento dos outros conscientemente. O carro branco deve ter sido instrumento de Deus para que eu voltasse à vida espiritual, conforme as leis que ainda não conhecemos […] guardemos a certeza de que a morte não existe.”

“Não podemos nos esquecer que aqueles que partiram continuam sendo pessoas sem o corpo físico e que estão ligadas a nós pelos laços do amor. Tudo aquilo que pensamos repercute em quem partiu”

João Jorge Lima, 25 anos, vítima de acidente automobilístico em Mogi-Guaçú (SP).

Venho pedir aos meus para que não chorem assim com tanta mágoa. Há quase dois anos, a lei de Deus me trouxe para a vida nova, mas, querida irmãzinha, seu mano está preso, preso às aflições em casa. Não chorem mais com essa dor que mais nos parece um braseiro no coração […] não somos preparados na Terra para enfrentar o problema da vinda para cá. Penso que a falta de conhecimento coloca noventa por cento de dificuldades nos problemas que a morte do corpo nos obriga a aceitar […]. Nossos familiares nos auxiliam tanto em nossas doenças e provações do mundo… Por que não nos auxiliarem na renovação em que nos vemos, nós, os que perdemos uma estrada para entrarmos em outra?”

“Os Espíritos dizem repetidamente que nada acontece por engano, de forma prematura, que viveram o tempo que deveriam”

Yolanda C. Giglio Villela, 27 anos, acidente automobilístico.

“O que sucedeu foi mudança de lugar e de clima, sem transformações em nosso amor de irmão que, se tanto e que com a benção de Jesus, prosseguiremos unidos […]. Cada qual na Terra dispõe de uma quota de tempo a fim de fazer o que deve. A parcela que a vida me reservava era curta. Mas, tenho a ideia de que tive os melhores pais da Terra e os melhores irmãos, porque recebi todos os recursos de casa para realizar em mim as construções espirituais que pude.”

“Existe um tempo de luto para que você possa construir o desapego. Cada um tem o seu. O que deve nos ligar aos que partiram são as questões imateriais, assim devemos buscar ressignificar as relações”

Andréa Lodi, 9 anos, acidente automobilístico.

“Estou bem. Saudade de casa não poderia deixar de estar comigo, mas estou aqui junto do vovô Sílvio, que nos solicita calma e paciência […]. Sei que estou melhor e com o apoio do meu avô Sílvio estou num grande colégio cercado de jardins. Peço para ficarem tranquilos. Meu avô me diz para que eu pense que eu vim para cá a fim de aprender muitas lições de internação longa. Confesso que me vejo ainda muito desambientada, mas creio que, se meus pais me auxiliarem, a minha estranheza passará […]. Quanto puderem, distribuam tudo o que pretendem guardar por minhas lembranças. Estaremos ligados no amor, mas não presos a objetos que de certa maneira nos escravizam.”

“A gente precisa lembrar que a vida vai prosseguir e este amor não vai desaparecer. A maneira com que nós continuarmos amando, nos relacionando com a vida é a chave para que este luto possa ser vencido de maneira muito mais construtivo para ambos”

Confira o bate-papo sobre A vida triunfa no canal do Grupo Espírita Cairbar Schutel, no YouTube:

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