Inquietação, um mal que paira sobre nós

Águas revoltas

Se existe um mal que paira sobre todos nós encarnados seguramente é a inquietação, principalmente no mundo de hoje, em que ser estressado virou moda. Para abordar esse tema, me inspirei numa lição do livro Palavras de vida eterna, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier.

Na introdução da mensagem, se lê a citação de Paulo aos Filipenses: “Não estejais inquietos por coisa alguma”, algo bem diferente do modo de inquietação constante vivenciado nos dias atuais. Temos de tomar cuidado, pois esse sentimento (de inquietação) chega devagar, toma corpo e se apodera sem que percebamos. A pessoa inquieta é incapaz de relaxar para poder refletir e está sempre achando que algo de ruim está por acontecer. A insegurança é a tônica da inquietação, gerando quase sempre resultados desastrosos. Se pensarmos bem, quantos erros são cometidos quando se está inquieto? No cálculo incorreto de engenharia, na prescrição de medicação errada, nos acidentes em geral…

Entretanto, os distúrbios psicológicos são o pior mal que pode decorrer da inquietação, como, por exemplo: ansiedade, depressão, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, entre outros males que acometem a alma e cuja cura pode levar muito tempo e esforço, por vezes ultrapassando a atual existência de uma pessoa.

Estresse do dia a dia

Conheço indivíduos que se dizem estressados e que ficam muito inquietos perante situações corriqueiras, como ficar de plantão esperando o filho chegar da faculdade ou do trabalho à noite, supondo que a qualquer momento o telefone pode tocar com alguma notícia ruim; achar que poderá ser mandado embora do emprego a qualquer momento, que não vai dar conta do trabalho a fazer, que não vai conseguir pagar as prestações da casa ou do carro, que está ficando velho, e por aí vai. A pessoa nessas condições desenvolve um alto grau de expectativas negativas, promovendo um estado de sofrimento constante.

É importante lembramos que a inquietação é um espinho que fere as nossas relações interpessoais, pois na afobação das suposições descabidas, trazidas por ela, podemos julgar alguém erroneamente, ofender e até sermos irresponsáveis, deixando de fazer o que nos cabe para o bem comum.

Medo da velhice

Característica comum do estado de inquietação é o medo do futuro. Seja este futuro o próximo minuto ou daqui a 10 anos, nutrido pela preocupação enfermiça. Por outro lado, Emmanuel, no livro já citado, nos chama a atenção para o seguinte: “Muita gente, a pretexto de evitar a inquietação, asila-se em comodismo deplorável, alegando que foge de trabalhar para não se afligir”. Isso acontece quando a pessoa se isola para não se aborrecer, se isola da vida com as suas preocupações normais e opta pela ociosidade.

É comum, por exemplo, ver irmãos e irmãs na entrada da madureza da vida que, a pretexto do avançar dos anos, já não têm a mesma disposição e, assim, acham que devem se preservar dos embates comuns da vida cotidiana. Com essa justificativa, optam por ficarem em casa à frente da televisão ou do celular, cuidando apenas do que não lhes diz respeito diretamente.

O pior é que muitos na inquietação que lhe é própria encontram outros motivos para se preocuparem, como, por exemplo, a velhice que está avançando rapidamente ou o organismo que já não responde como antes. Aí começam as alucinações. Quem vai cuidar de mim? Não quero ficar entrevado numa cama! Não quero depender de ninguém! E se isto me acontecer? Bom, não preciso nem falar quais as consequências desse comportamento. As doenças se intensificam, a pessoa se abate, entrega-se ao pessimismo e cai em depressão com a piora geral da saúde. E tudo o que ela tinha medo acaba se concretizando. Nem tudo podemos controlar, e em muitas situações o melhor e mais inteligente a se fazer é aceitar. Assim, guardemos a lição de Paulo e vamos confiar mais. Façamos a nossa parte e deixemos que as coisas fluam em harmonia com o fluxo natural das coisas e, sobretudo, nos mantenhamos sempre ativos, no leme dos nossos destinos, combatendo o comodismo deplorável, lembrando que ele mesmo, Paulo, nunca esteve ocioso.

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Fonte

Palavras de vida eterna, de Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier.

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