Jogos olímpicos e espiritualidade, a vivência dos ensinamentos do Cristo

Em tempos de Olimpíadas, o mundo se volta para a prática esportiva e diversas modalidades. Algumas não tão populares aos hábitos brasileiros tomam espaço em programas televisivos, sites de notícias e conversas entre amigos. No entanto, será que conseguimos enxergar algo de espiritual nessa prática? Sim há uma correlação entre o hábito de se exercitar e a espiritualidade! Os mesmos mecanismos fisiológicos são ativados, tanto por meio do pensamento como pelo movimento. As duas atividades impactam diretamente a saúde e o bem-estar das pessoas, porque reforçam o sistema imunológico, proporcionando proteção ao organismo contra doenças.

Ainda que envolta em lendas, a origem dos jogos olímpicos remonta a uma história de fundamentação religiosa, visto que Hércules, para agradar a Zeus, estabeleceu uma série de atividades físicas em honra aos deuses mitológicos, com o costume de realizar essas atividades em agradecimento em quatro em quatro anos. Ao completar seus trabalhos, construiu o estádio olímpico como homenagem a Zeus.

Vemos que essa tradição se manteve com o passar dos anos, apesar de períodos em que houve uma pausa devido a guerras e um adiamento no ano passado em decorrência da pandemia causada pelo novo coronavírus. Desse modo, está solidificado que em toda a história o esporte sempre foi um espaço de relação cordial entre diferentes povos e culturas.

As modalidades esportivas que compõem os jogos olímpicos variaram durante os tempos, e nesta edição temos 33 diferentes. Além disso, é interessante ressaltar que todas elas proporcionam valores cristãos, que são desenvolvidos desde a infância: lealdade, perseverança, amizade, partilha, solidariedade, tomada de decisão sem prejudicar o outro e capacidade de realizar um trabalho produtivo estão presentes como parte fundamental para “combater o bom combate”.

E como fica a questão da competição? Sempre haverá um vencedor, independentemente se disputado individualmente ou em grupo. Lembremos que o sucesso não depende apenas do vigor físico, das técnicas aperfeiçoadas ou do tempo despendido em cada treino: a paz de espírito, a conexão consigo, a tolerância, a ética, a resiliência e a calma são fundamentais para o êxito dos esportistas. Esses critérios não são apenas teorias voltadas para a atividade física, mas, sim, uma prática vivencial dos ensinamentos cristãos.

Em 2020, a revista Caminhos, de Ciência da Religião da PUC Goiás publicou um artigo em que aponta como a qualidade de vida e os exercícios físicos são relacionados na busca de uma espiritualidade do cuidado do corpo. Dentre os resultados colhidos, a prática da atividade física ajuda a melhor realizar a autoexpressão do corpo com sentido místico, englobando a autoestima, confiança, disposição, energia de modo que o corpo ativo poderá expressar o sentido mais profundo do ser que busca o divino, sendo o corpo como caminho para Deus.

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Hoje temos uma grande integração entre a psicologia do esporte e a psicologia positiva como promotores de saúde em um nível global, sendo a espiritualidade uma das possibilidades de alavancar a contribuição para o desenvolvimento de uma sociedade mais humana, mais otimista, integrada e saudável. A integração entre espiritualidade e esporte leva a uma abordagem integradora, apontando traços da espiritualidade cristã a partir da atividade física.

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda” (2 Timóteo 4:7-8).

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