Marte sob as lentes do mundo e as visões do Espírito

A quem não desiste com facilidade, que insiste e não desiste de uma coisa, mantendo constância, pertinácia, dá-se o nome de perseverante. É aquele que persiste. Sem dúvida, podemos chamar o homem assim, quando pensamos em conhecer mais sobre o espaço e desbravar o Universo. Muito provavelmente, desde o momento que aprendeu a observar as estrelas no céu e percebeu que algo havia para ser explorado, este sonho foi e continua sendo a força motriz para muitos homens. Em 18 de fevereiro, o esforço humano para desbravar e conhecer o espaço teve mais uma conquista. Não por acaso, a chamada Missão Perseverance pousou com um robô planetário no solo de Marte com o objetivo de explorar as terras marcianas.

A sonda espacial desenvolvida pela Nasa viajou incríveis 480 milhões de quilômetros em oito meses e entrou no planeta numa velocidade de 20 mil km/h. Sob os olhos atentos do mundo, conseguiu pousar no solo marciano. Agora, por mais de 687 dias terrestres, ou ano marciano, o robô permanecerá no planeta vermelho para pesquisar o solo, recolher amostras e trazer tudo de volta para ser estudado na Terra. E graças aos avanços da tecnologia, teremos muitas imagens, que são possíveis de serem enviadas a milhões de quilômetros. O que será que vamos descobrir e poder ver?

O que os “olhos” da Perseverance já nos mostraram?

O mundo todo pôde acompanhar o pouso ao vivo. Foi muito emocionante, pois não se sabia o que poderia acontecer. Havia o desafio da redução da velocidade para se entrar no planeta, período chamado pelos engenheiros espaciais de “sete minutos do terror” devido aos riscos – uma falha nesse processo de descida poderia comprometer a integridade dos equipamentos, anos de trabalho e milhões de dólares gastos, mas deu tudo certo, o pouso aconteceu com sucesso e foi possível seguir com a missão.

Assim que a sonda tocou o solo, foi possível ver algumas imagens de registros importantes: a primeira imagem em alta resolução do planeta Marte, na qual se pode ver a grande extensão da superfície que será explorada pela Perseverance e algumas rochas; a segunda imagem mostra um close em rochas que estavam perto da sonda com proximidade e precisão nunca vistos antes. Vale lembrar que o estudo exploratório em uma cratera batizada de Jezero – que possui 45 quilômetros de diâmetro e, segundo os cientistas, há 3,5 milhões de anos foi um grande lago – é um dos principais objetivos da missão. A ideia é colher amostras para estudar vestígios de vida orgânica que possam ter existido nas águas, retornando ao nosso planeta com informações essenciais que podem ajudar a contar a história do planeta vermelho.

Paisagens áridas e desertas?

Afinal, será que as visões de Marte do presente não passarão das paisagens áridas e desertas, sendo que nos restará nos conformarmos com um planeta desabitado hoje, mas com muita história para nos contar? Movido pelo seu ímpeto exploratório, o homem também chega a Marte com a ânsia em descobrir condições propícias para que seja possível uma adaptação para, um dia, quem sabe, poder contar com uma missão tripulada e, por que não dizer, se estabelecer nas terras marcianas, aparentemente “desertas”. A sonda, além de ser equipada com mais de 20 câmeras, recursos para perfuração e um sofisticado equipamento para testar uma adaptação da atmosfera, convertendo-a em oxigênio, potencializaria a chance de um humano poder experimentar uma viagem interplanetária.

Vale registrarmos a importância de uma missão com essa para a ciência e a tecnologia. Por isso, por mais que as cenas da paisagem desértica e árida possam reforçar em muitos a ideia de que não há vida inteligente em Marte, temos a certeza de que se trata de um passo fundamental para novos rumos, que só o tempo poderá concretizar.

O que os olhos da espiritualidade já viram no planeta?

Quando rompemos os limites de nossos sentidos e entramos na realidade de outros planos dimensionais, como o mundo espiritual, nos animamos em constatar o que os relatos espirituais nos trazem sobre Marte. A literatura espírita nos apresenta relatos precisos e estimulantes que sustentam a nossa certeza de que não estamos sozinhos no Universo e de que o planeta vermelho seria mais uma morada das diversas que existem na Casa do Pai, como nos ensinou Jesus.

Se os olhos humanos e as potentes câmeras desenvolvidas pelos cientistas terrenos, construídas com a matéria de nosso orbe, não são incapazes de ver algo além das rochas, da poeira e das vastas planícies marcianas, quando estamos libertos das amarras do corpo físico, percebemos que os olhos do Espírito são capazes de capturar detalhes impressionantes sobre o que existe em Marte. Vejamos algumas dessas revelações.

Humberto de Campos, no livro Novas mensagens, nos esclarece que, se na Terra, organizam-se cruzeiros intercontinentais, no plano espiritual as excursões interplanetárias são realizadas pelas caravanas da fraternidade. Se a Perseverance compartilha conosco imagens de um deserto, o escritor desencarnado na excursão espiritual nos revela: “Dentro da atmosfera marciana, experimentamos uma extraordinária sensação de leveza… Ao longe divisei cidades fantásticas pela sua beleza inédita, cujos edifícios, de algum modo, me recordavam a Torre Eiffel ou os mais ousados arranha-céus de Nova York. Máquinas possantes, como se fossem movidas por novos elementos do nosso hélio balouçavam-se, ao pé das nuvens, apresentando um vasto sentido de estabilidade e de harmonia entre as forças aéreas”.

Enquanto as lentes e os equipamentos precisos da Perseverance se esmeram para encontrar vestígios de vida de um passado longínquo, encontramos nos relatos de Maria João de Deus, a mãe desencarnada de Chico Xavier, em seu livro, de 1932, Cartas de uma morta, os detalhes da aparência dos marcianos: “Vi homes mais ou menos semelhantes aos nossos irmãos terrícolas, mas seus organismos possuíam diferenças apreciáveis. Além dos braços, tinham ao longo das espáduas ligeiras, ligeiras protuberâncias à guisa de asas que lhes prodigalizavam interessantes faculdades volitivas. Percebi que a vida da humanidade marciana é mais aérea”.

Ao nos revelar a condição evolutiva mais adiantada do planeta, Humberto de Campos nos relata que “os homens de Marte não apresentam as expressões psicológicas de inquietação, em que se mergulham os nossos irmãos das grandes metrópoles terrenas. Uma aura de profunda tranquilidade os envolve”. Ele prossegue com detalhes importantes, que o mentor que o acompanhava compartilhou sobre as escolhas que as comunidades marcianas fizeram ao longo de sua trajetória: “os marcianos já solucionaram os problemas do solo, já passaram pelas experimentações da vida animal, em suas fases mais grosseiras. Não conhecem os fenômenos da guerra, e qualquer flagelo social seria, entre eles, um acontecimento inacreditável. Envolveram sem as expiações coletivas, amarguradas e terríveis com que são atormentados os povos insubmissos da Terra. As pátrias, aí, não recebem o tributo do sangue ou da morte de seus filhos, mas são departamentos econômicos e órgãos educativos, administrados por instituições justas e sábias”.

Um fato que merece nosso destaque, e que é muito interessante, é se aqui na Terra há um esforço para que as grandes lentes de telescópios poderosos possam capturar algumas imagens do planeta distante, lá também existem equipamentos para estudar e contemplar o nosso planeta com imagens que são ampliadas mais de 100 mil vezes (na época em que o livro foi escrito, os equipamentos terrenos aumentavam 12 mil vezes), mas, não só isso, os equipamentos também são capazes de examinar as vibrações de ordem psíquica na sua atmosfera. E enquanto essas imagens e vibrações eram contempladas, cita o livro Novas mensagens, um Espírito de grande evolução começou a falar depois de uma prece comovedora:

“Irmãos, ainda é inútil toda tentativa de comunicação com a Terra rebelde e incompreensível! Debalde os astrônomos terrenos vos procuram ansiosos, nos abismos do Infinito! Seus telescópios estão frios, suas máquinas, geladas. Faltam-lhes os ardores divinos da intuição sublime e pura, com as vibrações da fé que os levariam da ciência transitória à sabedoria imortal. Fatigados na impenitência que lhes caracteriza as atividades inquietas e angustiosas, os homens terrestres precisam de iluminação pelo amor, a fim de que se afastem do círculo vicioso da destruição, na tecnocracia da guerra. Lá, os irmãos se devoram uns aos outros, com indiferença monstruosa! Os povos não se afirmam pelo trabalho ou pela cultura, mas pelas mais poderosas máquinas de morticínio e de arrasamento. Todos os progressos científicos são patrimônio do egoísmo utilitário ou elementos sinistros da ruína e da morte!”

Essas palavras do Espírito angelical devem nos servir como um grande alerta, e quem sabe não resida nesse comportamento, ainda dominado pelo orgulho e egoísmo, uma das razões, além das questões da diferença de matéria, que nos impeça de conseguirmos nos maravilhar com as belezas e avanços que o planeta vermelho e sua comunidade têm para nos ensinar.

Certamente, o progresso moral que tanto necessitamos poderá nos ajudar a avançar ainda mais no progresso intelectual. Será preciso muita “Perseverance” no bem e no amor para que possamos aprender mais e mais sobre Marte. Estamos no caminho, sejamos perseverantes.

Fontes:

Cartas de uma morta, Maria João de Deus/Chico Xavier.

Novas mensagens, Humberto de Campos/Chico Xavier.

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