O chiclete Babaloo e o Cristo Consolador

Desde que voltei a viver em Santos, no litoral paulista, um casal amigo prometia me convidar para um almoço de domingo. Esse é o tipo de convite que não podemos cobrar a efetivação, pois quem recebe em casa um amigo procura fazer o melhor para agradar o convidado. Procurei aguardar o concurso do tempo para a efetivação do carinhoso convite e no tempo certo ele veio.

Nada mais precioso para o ser humano do que seu próprio lar, pois nossa casa é solo sagrado onde habitam as almas que amamos e, certamente, para abrir esse santuário, a ocasião pede uma gostosa sacralidade. Nada mais sagrado do que receber amigos do coração no “templo doméstico”.

Minha alegria não se deteve apenas nos prazeres gastronômicos que o delicioso almoço de domingo promoveu. Ao redor da mesa estavam outras pessoas, novos amigos que eu não conhecia e faziam parte do cardápio de alegrias dominicais. Conversar com velhos ou novos amigos é sempre algo especial, pois junto com eles vêm as histórias que emolduram o quadro das emoções.

Nessa época especial que é dezembro, nos tornamos criaturas mais emotivas. Não que não sejamos durante o ano, mas no Natal a história do nascimento de Jesus remete o homem a reflexões mais profundas, para além da demanda das suas ocupações diárias. E foi nessa perspectiva que resumo nas próximas linhas a historieta emocionante que pude digerir num banquete com corações amigos.

O novo amigo que ganhei naquele dia narrou que, acompanhando uma expedição de voluntários em solo africano, presenteou um menino de determinada tribo com um chiclete Babaloo. Nada de anormal em se tratando de dar um chiclete a uma criança qualquer, mas esse episódio nos mostra que a dor, nossa mestra, nos torna todos iguais e incita o homem a manifestar mais solidariedade com seu próximo. Para a surpresa do voluntário que presenteou o menino, ele não colocou o chiclete na boca para saboreá-lo sofregamente. Ele reuniu os outros garotos daquela aldeia, no total de 27 meninos, e promoveu o “milagre” da multiplicação do chiclete Babaloo em 27 pedacinhos.

Jesus, menino negro e africano, se manifestou naquele gesto adocicando a boca daqueles meninos que tinham na fraternidade nascida da necessidade a vivência do Evangelho. A variante Ômicron da Covid-19, que surgiu da falta de fraternidade vacinal dos países ricos para com os países pobres, vem convidar o homem a dividir seu “chiclete Babaloo” com o continente africano.

Seja qual for a direção para a qual se olhe deste planeta, Jesus é o roteiro seguro para uma evolução civilizatória, para a construção do mundo novo. O menino Jesus promoveu a multiplicação do chiclete Babaloo. Que nesse Natal, possamos multiplicar o amor para os famintos do caminho que seguem tateando nas trevas da ignorância.

Kardec e o benfeitor Emmanuel nos convida a refletir na essência dessa data tão significativa para a trajetória do espírita em trânsito pela Terra: “Para o homem, Jesus representa o tipo de perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua lei […]” (Kardec, 2010, p. 405).

É possível, então, que nos falte, mesmo, é a vontade firme de mudar a direção que estamos dando à nossa vida, vontade disciplinadora que possa nos libertar dos aflitivos séculos de conduta viciada, sempre geradora de sofrimentos nas inúmeras reencarnações reparadoras, pois somente a “[…] vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do Espírito” (Emmanuel, 2008, p. 15).

Assim, nunca é demais recordar:
“As lembranças do Natal, porém, na sua simplicidade, indicam à Terra o caminho da Manjedoura… Sem ele, os povos do mundo não alcançarão as fontes regeneradoras da fraternidade e da paz. Sem ele, tudo serão perturbação e sofrimento nas almas, presas no turbilhão das trevas angustiosas, porque essa estrada providencial para os corações humanos é ainda o Caminho esquecido da Humildade”

Emmanuel, 2009).

Feliz Chiclete Babaloo, para você e sua família!

“Naqueles dias, havendo uma grande multidão, e não tendo o que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes: ‘Tenho compaixão da multidão, porque há já três dias que estão comigo, e não têm o que comer. E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe’.

E os seus discípulos responderam-lhe: ‘De onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?’

E perguntou-lhes: ‘Quantos pães tendes?’ E disseram-lhe: ‘Sete’.

E ordenou à multidão que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, para que os pusessem diante deles, e puseram-nos diante da multidão.

Tinham também alguns peixinhos; e, tendo dado graças, ordenou que também lhos pusessem diante.

E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete cestos.

E os que comeram eram quase quatro mil; e despediu-os”

(Marcos 8:1-9).

Referências

EMMANUEL (Espírito). A manjedoura. In: ESPÍRITOS DIVERSOS. Antologia mediúnica do Natal. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

EMMANUEL (Espírito). Pensamento e vontade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 16. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008.

KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010.

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