O farol de nossas vidas, um estudo do Evangelho, por Marlene Nobre

A FE Editora lança este mês O farol de nossas vidas, comentários de Marlene Nobre sobre O Evangelho segundo o Espiritismo. Conrado Santos, responsável pelo marketing da editora, fala sobre o livro, organizado por ele e por Eleni Gritzapis. Essa obra é baseada em palestras da médium, que desencarnou em 5 de janeiro de 2015, acerca da obra O Evangelho segundo o Espiritismo, resgatando assim todo o seu conhecimento e sua vivência cristã.

FE – Qual o tema de O farol de nossas vidas, da FE Editora?

Conrado Santos – Em 2019, tivemos um avanço muito significativo na FE Editora. Foi um ano para comemorarmos, pois conseguimos reeditar vários livros de Marlene Nobre que são um sucesso e mereciam uma modernização no projeto editorial. Conseguimos refazer quatro deles. Além disso, um dever de consciência nos chamou para que reeditássemos, com o Geraldo Lemos Neto, o livro Não será em 2012 veja vídeo abaixo, pois ele tem mensagens importantes sobre a transição planetária e a data-limite. Ampliamos seu conteúdo e lançamos 2019 O ápice da transição planetária. Com essas tarefas prontas, sentimos a necessidade de novos títulos. Lançamos o livro de Irvênia L. S. Prada, O Espiritismo – razão como método, mediunidade como laboratório, moral como objetivo. Foram todos muito bem-aceitos, mas, por ser Marlene Nobre a autora de maior visibilidade de nossa editora, saímos em busca de algo inédito dela que pudesse ser transformado em livro. Foi então que minha querida amiga Eleni Gritzapis teve a ideia de transcrever uma série de palestras da dra. Marlene, que foram ministradas no Grupo Espírita Cairbar Schutel por ocasião do aniversário de 150 anos de O Evangelho segundo o Espiritismo. No início, não o encaramos como um livro, mas depois das primeiras transcrições, vimos que estávamos diante de um material importante e riquíssimo e que deveríamos seguir. O livro objetiva compartilhar o conhecimento doutrinário e evangélico da dra. Marlene, mostrando também que a base moral que ela tinha no evangelho do Cristo foi decisiva para que pudesse realizar a tarefa na expansão da Ciência e da Espiritualidade, principalmente na Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil).

FE – Por que o título O farol de nossas vidas?

Conrado Santos – Este título é um presente que ganhamos, pois surgiu em uma noite de sono. Depois de editar alguns capítulos, eu estava simplesmente deslumbrado com o conteúdo, como Marlene versava sobre o Evangelho de forma tão atual e complementando muito com o seu vasto conhecimento. Foi uma noite difícil de dormir. Então, com os pensamentos a mil por hora, ao adormecer, me vi em uma travessia marítima e era noite. A embarcação se agitava com as ondas violentas. Eu não podia ver, mas, sim, ouvir a voz inconfundível da dra. Marlene, que me acostumei a ter por perto desde pequeno e que eu tanto amava e tanta saudade tinha. Ao ouvi-la me emocionei, caí em prantos e, ao mesmo tempo, o medo da travessia diminuiu. Pouco a pouco a tormenta foi diminuindo, e no horizonte surgia uma luz que vinha de um farol. Quanto mais a embarcação se aproximava, mais eu me acalmava. Parecia que eu ia adormecendo e era capaz até de sentir um carinho na minha testa, no meu cabelo, que me era conhecido, pois era feito por ela quase todas às segundas-feiras, quando ela me encontrava em nossas tarefas no Grupo Espírita Cairbar Schutel, na capital paulista. Ela me cumprimentava e passava a mão suavemente na minha fronte. Que gostoso foi me lembrar disso. Já bem sereno, o farol ficava mais perto, e a voz dela, mais distante, como se esmaecendo. Ainda assim deu para ouvir, como um sussurro: “O evangelho do Cristo é o farol de nossas vidas”. Ao despertar, eu não tive dúvidas sobre o título do livro.

FE – O que os leitores poderão encontrar no livro?

Conrado Santos – Em 2013 e 2014, no Grupo Espírita Cairbar Schutel, alguns companheiros e Marlene Nobre estudaram capítulo a capítulo da obra. Havia um revezamento das palestras semanais, e coube a ela realizar algumas. Infelizmente, não temos comentários dela de todo o Evangelho, o que seria algo maravilhoso, mas, ao mesmo tempo, caso assim o fosse, teríamos um livro que ficaria muito grande e de certa forma inviável. Com o intuito de garantir que todos os comentários sobre o Evangelho fossem dela, optamos por registrar nas páginas do livro apenas os trechos do estudo que couberam a ela. O que mesmo assim não foi pouco conteúdo. Eu confesso que fiz uma viagem no tempo ao ler o livro, porque tive a alegria e o privilégio em minha adolescência de ter estudado, com outros jovens, O livro dos Espíritos com a dra. Marlene, e foi incrível pois ela tinha uma forma didática e um vasto conhecimento que nos fez conhecer bem o livro. Agora, os leitores poderão ter a oportunidade de vê-la discorrendo de forma profunda sobre o Evangelho, e o seu conhecimento médico- científico, sua bagagem cultural e o conhecimento ímpar da obra da larva mediúnica de Chico Xavier fazem toda a diferença. Com isso, o livro ganha contornos bem interessantes, pois as conexões que ela faz ao texto de Kardec nos ajudam a compreender e admirar ainda mais essa tão importante obra que é O Evangelho segundo o Espiritismo. Guardamos uma surpresa para rechear o livro. Pedimos a amigos, familiares e pessoas muito próximas a Marlene que nos enviassem um depoimento que estivesse relacionado sobre um fato, uma lembrança de como podia reconhecer em Marlene, além da médica estudiosa e pesquisadora dedicada da obra de Chico Xavier, uma verdadeira cristã, que em seus dias soube exemplificar a mensagem do Cristo. O resultado desses depoimentos é simplesmente emocionante, só eles já valeriam o livro.

FE – Você ressaltaria algo interessante e inédito desses depoimentos?

Conrado Santos – O primeiro depoimento que colocamos para abrir o livro é de Marcelo Nobre, filho dela. “Marlene, minha mãe!” é emocionante. Para os leitores e o próprio Movimento Espírita, é algo novo o registro de fatos de uma face inédita de Marlene Nobre, o convívio próximo de um filho com ela, suas lembranças, as memórias dele com ela sobre o Evangelho. É realmente lindo. Os depoimentos vindo de pessoas como Irvênia L. S. Prada, Gilson Luís Roberto, amigos da diretoria do GECS, Roberto Lúcio Vieira de Souza, Márcia Regina Colasante Salgado e Décio Iandoli Jr., entre outros, vão construindo uma visão clara de que o conhecimento e o amor pela obra O Evangelho segundo o Espiritismo e sua vivência na prática foram pilares de sustentação para a produção de cunho mais científico que ela deixou. Outro ponto que é marcante é uma breve referência que fazemos sobre o Evangelho em sua vida, desde a infância, o que também reforça que as suas raízes doutrinárias eram sólidas e fizeram a diferença. Cremos que, ao colocarmos esses depoimentos, pudemos dar ao livro algo que sempre acreditamos e sentíamos: que o legado deixado por ela, que com certeza é enorme, repousa sua base no seu amor acendrado pelo Cristo e na prática que ela vivenciou em sua vida. Foi maravilhoso poder registrar essa sua face para a posteridade.

FE – Como foram organizados os capítulos?

Conrado Santos – Decidimos, Eleni e eu, seguir uma ordem cronológica dos capítulos de O Evangelho segundo o Espiritismo, ainda que, como já falamos, não tenhamos todos os capítulos estudados por ela. Além disso, na grade de apresentações que constituíram o estudo, as partes que couberam a ela não eram sequenciais, ou seja, os capítulos que temos não seguem a sequência exata, apesar de seguirem a ordem de estudo segundo o livro. Na construção da figura da imagem que desejávamos eternizar dela, que como dissemos, foi feita através dos relatos da convivência com ela, fomos intercalando os capítulos de estudos com esses depoimentos.

FE – Há algum trecho do livro que vale destacar?

Conrado Santos – Ah! A leitura do livro é fascinante, porque ela vai recortando trechos que ia lendo do Evangelho e complementando com comentários que demonstram o seu profundo conhecimento. São aulas riquíssimas. O capítulo “A reencarnação no Evangelho” é muito bom. O estudo é decorrente dos seus comentários sobre o capítulo IV, “Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo”. Ela faz citações de trechos de outras obras, como O livro dos médiuns e a obra de André Luiz, essenciais para a compreensão. A forma como ela explica, por exemplo, a transfiguração no Monte Tabor é de um didática ímpar. O resgate histórico que ela vai dissertando sobre as citações de reencarnação é surpreendente. A maneira que ela conduzia a sua explanação, conhecida por muitos, sempre foi surpreendente. Como quem puxa o fio de um novelo, ela pegava um gancho, uma frase de Kardec e, a partir daí, com raciocínio lógico e uma base de conhecimento dotada de uma memória para citar fontes incrível, ela ia complementando. Nesse capítulo, por exemplo, entram assuntos como suicídio, cocriação, livre-arbítrio e outros. Gosto também do capítulo “O berço cristão”, em que ela dá um show de conhecimento sobre a obra de André Luiz, demonstrando de forma tão precisa a coerência e complementaridade da obra Chico Xavier-Emmanuel com a Codificação kardequiana. As suas colocações e a discussão foram tão abrangentes e tornam o estudo do Evangelho tão rico que passaríamos aqui horas discorrendo sobre achados que aparecem nas páginas do livro.

FE – E o capítulo final do livro?

Conrado Santos – Este tem uma importância crucial e foi escolhido com muito carinho. Ao organizarmos o livro, naturalmente, nossa ligação com tudo o que lembrávamos dela, líamos e ouvíamos tomou grandes proporções. Era muito frequente enquanto editava o livro, eu passar tempo ouvindo outras palestras dela, ou mesmo, quando não estava editando, em horas vagas, ficar conectado ouvindo as palestras que constavam no livro e outras. Num belo domingo de sol, me dediquei à limpeza do quintal, eu estava só. Coloquei no fone de ouvido uma palestra dela que não era exatamente sobre o estudo do Evangelho, mas abriria a série subsequente do estudo. Como foi proferida em 2013, ela escolhera falar de maneira a “linkar” com a importância do estudo do Evangelho sobre a transição planetária. Ao ouvir essa palestra, imediatamente liguei para Eleni e disse a ela que era assim que deveríamos fechar o livro, com uma palestra dela que nos convidasse a mudanças de atitudes nos tempos que vivemos agora, na necessidade de colocarmos em prática os ensinamentos do Cristo. Demos como título do capítulo uma frase dela: “Nossa principal obrigação no momento é sermos cristãos-espíritas”. O resultado ficou muito bonito. Vale a pena a leitura para nos situarmos perante os desafios do momento em que vivemos.

FE – Onde o livro pode ser adquirido?

Conrado Santos – O lançamento deste livro também nos trouxe uma novidade na FE Editora, pois trata-se do primeiro que foi lançado simultaneamente nas versões e-book e impresso. No caso do livro impresso, tem ainda uma inovação, pois passamos a operar com o formato POD (Print On Demand). Dessa forma, avançaremos testando esse modelo moderno que nos permitirá mais agilidade no lançamento com a impressão sob demanda. Os interessados podem adquirir as versões do e-book nos marketplaces da Amazon, Apple, Google, Livraria Cultura, Storytel e outras, e a versão impressa, pode ser encontrada direto no site www.feeditora.com.br ou também no da Amazon, entre outros.

FE – O que você leva de aprendizado após se dedicar à organização do livro, juntamente com a Eleni?Conrado Santos – Foi uma alegria indescritível a tarefa de organização da obra. Sou muito grato, de verdade, pela oportunidade. Aprendi muito com a Eleni, que foi essencial para que este trabalho viesse a lume. E não posso deixar de abrir o meu coração em dizer que foram inúmeras as vezes em que as lágrimas tomaram conta de mim e fui obrigado a fazer pausas para continuar o trabalho quando até o ar faltava no peito, tamanha era e continua sendo a saudade. Aquela saudade boa, carreada de gratidão e, no meu caso, de um senso de responsabilidade muito grande, porque, ao me lembrar dela, me vinha à mente a importância que era fazer algo que pudesse expressar uma obra dela, e isso não é pouca coisa. Ao concluir o trabalho, e minha expectativa é que isso também aconteça com os leitores que concluírem a leitura, pude reconhecer naquele momento uma personificação de uma citação dela em outro livro, Chico Xavier, meus pedaços do espelho, em que ela diz, ao se referir ao Chico: “Eu nunca vi ninguém subir aos céus com asas emprestadas”. Essa citação é uma referência às conquistas do médium mineiro, que desenvolvera as asas da razão e dos sentimentos. Imediatamente, ao concluir o livro, essa citação me veio na cabeça, e pude ter a certeza de que Marlene, através de seu conhecimento do Evangelho e de sua prática, aliou ao seu conhecimento científico e racional as asas para alçar voos na Pátria do Espírito. Só tenho a agradecer a essa querida senhora (como eu a chamava sempre) por tantos ensinamentos e exemplos.

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