Olhemos, primeiro, para os nossos defeitos

Homem de terno apontando com o dedo
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Já repararam como costumamos ter o olhar apurado para descobrir o defeito dos outros? Acredito que pelo fato de sermos tão afiados em reparar nos erros alheios nos falta a mesma disposição para perceber os nossos, que não são poucos! Até mesmo quando estamos imbuídos em nos corrigir ou pelo menos minimizarmos esses aspectos negativos da alma nos pegamos a esticar o olhar para o lado e a criticar o feito de alguém.

E assim, com muito esforço, não comentamos com ninguém, mas, em pensamento, lá estamos nós no papel de juiz. Não é um exercício fácil. Afinal, trata-se de um hábito que está impregnado na nossa sociedade. Infelizmente, apontar e criticar os defeitos alheios são comportamentos praticamente normais.

Refletindo melhor sobre o assunto, cabe a pergunta: por que investimos boa parte do nosso tempo observando os outros e sempre prontos para notar qualquer deslize para então criticar? Quem já não observou que no ambiente de trabalho, quando não se tem nada a criticar em relação a alguém, parece que está faltando assunto? Já notaram como nas rodas de conversas entre “colegas” de trabalho sempre alguém é o alvo? Porque fulano fez assim, beltrano errou nisto e naquilo, não devia ter feito assim, e por aí vai.

O quintal do vizinho

Tem uma historinha que gosto de contar e que ilustra esse tema de forma bem didática. Um casal, recém-casado, se mudou para um bairro muito tranquilo. Na primeira manhã em que estavam na nova casa, enquanto tomavam o café, a mulher reparou através da janela numa vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido: “Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!”

O marido observou calado. Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal, e a mulher comentou com o marido: “Nossa! A vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu mostre a ela como se lava roupas!”

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passado um tempo, a mulher, durante o café da manhã, se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e empolgada disse ao marido: “Veja, ela aprendeu a lavar as roupas. Será que a outra vizinha ensinou? Porque eu não fiz nada”.

E o marido calmamente respondeu: “Não, hoje eu me levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!”

“Não julgueis para não serem julgados”

Quanto tempo perdemos na observação do alheio, fechando os olhos para tudo o que precisamos melhorar ou aprimorar em nossa vida? Jesus já tinha se adiantado nessa lição, na narrativa de Mateus cap. 7:3-5: “Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mateus, VII: 3-5).

Notem que a lição está no contexto dos versículos anteriores, que se referem ao “não julgueis para não serem julgados”. Ao criticarmos alguém, automaticamente estamos julgando. E pior, sem dar ao outro a oportunidade da defesa. Quantos estragos isso causa em relacionamentos? Quantas injustiças são cometidas? Tomemos cuidado ao criticar alguém, pois, mesmo sem querer, influenciamos as pessoas com a nossa opinião irresponsável, podendo trazer-lhes prejuízos por vezes irremediáveis, pelos quais responderemos mais dia, menos dia… Por outro lado, ao deixamos de enxergar os nossos pontos fracos, os nossos defeitos, agiremos como os hipócritas citados por Jesus! Se temos dificuldade em perceber os nossos defeitos, Kardec nos dá uma dica interessante no seu comentário a respeito da lição do argueiro no olho do outro: “Que pensaria eu se visse alguém fazendo o que faço? É o orgulho, incontestavelmente, o que leva o homem a disfarçar os seus próprios defeitos, tanto morais como físicos. Esse capricho é essencialmente contrário à caridade, pois a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente”.

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