Casas espíritas durante e pós-pandemia. O que esperar?

Esther Rocha e Cláudia Santos

O fechamento das casas espíritas, em cumprimento às recomendações de isolamento feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), motivou uma necessária discussão sobre como ficariam os atendimentos aos Espíritos sem as reuniões mediúnicas. Neste momento de tantas incertezas, inseguranças e dúvidas, é importante resgatarmos a essência da Doutrina Espírita como exercício da fé raciocinada e buscarmos entender este momento de maneira madura e esclarecida. Não é de hoje que os Espíritos nos recomendam voltarmos para nosso interior e buscarmos em nossa fé o verdadeiro sentido da vida. Se a realidade nos impõe o recolhimento, isso não quer dizer que a ausência do convívio com nossos irmãos deva ser traduzida em desconexão, esquecimento e abandono.

Basta abrir O Evangelho segundo o Espiritismo,em seu capítulo XXVII, “Pedi e obtereis”, para encontramos a mais perfeita explicação sobre a ação e o poder da prece. Nestes longos anos, desde que Kardec nos ofereceu a codificação da Doutrina Espírita, não são poucas as obras em que o assunto é tratado com riqueza de detalhes. Conscientes do valor inestimável das obras enviadas por mensageiros de luz, precisamos entender que é chegado o momento de colocar em prática todas as lições recebidas do plano maior.

“Está no pensamento o poder da prece, que por nada depende nem das palavras, nem do lugar, nem do momento em que seja feita. Pode-se, portanto, orar em toda parte e a qualquer hora, a sós ou em comum. A influência do lugar ou do tempo só se faz sentir nas circunstâncias que favoreçam o recolhimento. A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e colimam o mesmo objetivo, porquanto é como se muitos clamassem juntos e em uníssono”, diz o Evangelho do Consolador, que segue nos oferecendo ensinamentos de valor inestimável. “Mas, que importa seja grande o número de pessoas reunidas para orar, se cada uma atua isoladamente e por conta própria?! Cem pessoas juntas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma mesma aspiração, orarão quais verdadeiros irmãos em Deus, e mais força terá a prece que lhe dirijam do que a das cem outras”.

Chegou o tempo de agirmos com prudência e serenidade. Já nos foi ensinado que os Espíritos necessitados seguirão recebendo o atendimento necessário, mesmo nestes dias de isolamento social. Se a recomendação é evitar contato físico e aglomerações, é primordial que cada um de nós, seguidores da Doutrina Espírita, faça a sua parte colocando em prática as recomendações do Mestre Jesus e dos Espíritos de luz. Este é o momento de aperfeiçoarmos as nossas competências espirituais e entrarmos em sintonia fina com as almas misericordiosas do Plano Superior. A nova realidade trazida pela Covid-19 nos convida ao crescimento espiritual e à adoção de hábitos e posturas guiados pela responsabilidade e pela segurança.

A convite da Folha Espírita,Marta Antunes Moura, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), e Regina Célia de Santis Feltran, responsável pela Coordenação do Departamento de Orientação Mediúnica no Centro Espírita Luz da Esperança, de Uberlândia (MG), escreveram sobre o tema. Ainda batemos um papo com Décio Iandoli Jr., presidente da Associação Médico-Espírita do Mato Grosso do Sul, coordenador médico do Departamento Acadêmico da Associação Médico-Espírita do Brasil e vice-presidente da Associação Médico-Espírita Internacional e autor de vários livros, que trouxe também o olhar médico sobre o assunto.

“Obra de Allan Kardec é roteiro seguro a ser trilhado”

Marta Antunes Moura

O insuperável trabalho de Allan Kardec, realizado na organização ou codificação dos princípios espíritas na forma de um corpo doutrinário denominado Doutrina Espírita ou Espiritismo, é roteiro seguro para o espírita sincero trilhar, evitando-se os equívocos das interpretações pessoais nem sempre coerentes com as orientações dos Espíritos Orientadores que compõem a falange do Espírito da Verdade.

Nesse sentido, e para facilitar o estudo espírita, O Codificador apresenta na Introdução VI de O livro dos Espíritos uma relação dos conteúdos doutrinários, intitulada “Pontos principais ou importantes da Doutrina”, os quais, necessariamente, o espírita deve conhecer a respeito da Doutrina Espírita. Destacamos entre eles o que diz respeito à prática mediúnica séria, a que deve ser realizada no Centro Espírita, que apresenta regras básicas de funcionamento relacionados aos processos de intercâmbio mediúnico entre os dois planos da vida. Emmanuel pondera a respeito: “O médium sincero necessita compreender que, antes de cogitar da doutrinação dos Espíritos, ou de seus companheiros de luta na Terra, faz-se mister a iluminação de si próprio pelo conhecimento, pelo cumprimento dos deveres mais elevados e pelo esforço de si mesmo na assimilação perfeita dos princípios doutrinários”.

Em O livro dos médiuns, Allan Kardec analisa com muita propriedade, e com o apoio de elevados Espíritos orientadores, questões fundamentais relacionadas à mediunidade ou faculdade mediúnica, ao médium, à prática mediúnica – que necessita ser não apenas séria, mas também instrutiva – e aos processos obsessivos. Assinala, igualmente, que a imprudência ou precipitação na realização de reuniões mediúnicas sem os devidos cuidados tem conduzido, muito comumente, a resultados infelizes, alguns danosos a curto, médio e longo prazos.

Esclarece, por fim, que por não se tratar de uma atividade banal, a reunião mediúnica possui regras de organização e funcionamento que envolve a atuação conjunta e sincrônica de duas equipes de trabalhadores, a dos desencarnados e a dos encarnados. Portanto, a correta execução da prática mediúnica exige conhecimento e compromisso moral dos envolvidos na atividade, para que a tarefa ofereça bons resultados, visto que envolve ações que atuam diretamente na parte mais nobre do ser humano: o seu psiquismo.

Nas situações especiais ou de exceção, como a que estamos vivendo atualmente em razão da pandemia pelo coronavírus, em que as casas espíritas estão com as portas cerradas, consequentemente as reuniões mediúnicas não são realizadas. É importante que assim permaneçam, até como medida de cuidados higiênico-sanitários, pois a pandemia virótica revela ser doença infecciosa de natureza respiratória, com elevada taxa de transmissão: o ambiente da convivência humana está saturado pelo agente microbiano veiculado, sobretudo pelas partículas ou gotas da saliva (perdigotos). Nessas condições, o ambiente das salas de reuniões mediúnicas, onde usualmente há pouca circulação de ar, é considerado “viciado”, em razão da elevada carga microbiana presente. Aliás, mesmo em situações corriqueiras, de ocorrência de resfriados, gripes ou outras enfermidades, recomenda-se aos integrantes da equipe mediúnica ausentarem-se da reunião até a recuperação da saúde.

Com o fechamento dos centros espíritas, alguns confrades revelam-se preocupados com o auxílio aos Espíritos, encarnados e desencarnados. Diante disso, importa considerar, em primeiro lugar, que o verdadeiro auxílio provém da Providência Divina, que, por meio de Jesus, Guia e Modelo da Humanidade terrestre, supre as necessidades de todos os seres da Criação. Os bons Espíritos sempre socorrem os que sofrem, na casa espírita ou fora dela, como lembra Emmanuel: “Os núcleos espíritas precisam considerar que em seus trabalhos há quem os acompanhe do plano superior e que receberão sempre o concurso espiritual de seus irmãos libertos da carne, dependendo a satisfação deste ou daquele problema particular dos méritos de cada um. […]”.

Quanto aos encarnados, as casas espíritas, mesmo as menores, estão ajustando-se à atual demanda, realizando reuniões virtuais, pela Internet: estudos, palestras, atendimento espiritual pelo diálogo (que também tem sido realizado por telefone). Os serviços de assistência social, nas diferentes localidades do país, têm ampliado o auxílio aos irmãos e irmãs que se encontram em estado de vulnerabilidade social, por meio da doação de alimentos, vestimentas e encaminhamento a empregos. Essas atividades são realizadas de forma cuidadosa, em períodos específicos, geralmente uma vez por mês, evitando-se a propagação do vírus quando presenciais: uso de máscara, distanciamento de um metro ou mais entre as pessoas, higienização básica (água e sabão) e uso de álcool em gel.

Em qualquer situação, o importante é prosseguirmos no esforço de praticar o bem, independentemente de estarmos, ou não, vinculados a uma instituição espírita, que esta esteja funcionando plenamente ou, como nos tempos de pandemia, esteja com as portas temporariamente fechadas. Não há ninguém que não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra oportunidade de o praticar. Basta que se esteja em relação com outros homens para se ter ocasião de fazer o bem, e cada dia da existência oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo. Fazer o bem não consiste somente em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, toda vez que o auxílio se fizer necessário.

Referências

EMMANUEL (Espírito). O consolador. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 29. ed. 11. imp. Brasília, DF: FEB, 2020.
KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 9. imp. Brasília, DF: FEB, 2020.

Marta Antunes Moura é vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB)

Pensamento, vontade e prece

Regina Célia de Santis Feltran

Na atual crise de pandemia pela Covid-19, ao ser anunciada a decisão do isolamento social às instituições, dentre as quais as religiosas, uma das perguntas mais desafiadoras foi a de como ficaria o atendimento aos Espíritos, antes realizado presencialmente por meio da psicofonia e da palavra esclarecedora e confortadora do doutrinador.

No Centro Espírita Luz da Esperança, do qual sou participante há mais de 30 anos e há 20 responsável pela coordenação do Departamento de Orientação Mediúnica, na estruturação do novo formato não presencial, tivemos serenidade ao confiar na recomendação de André Luiz: “Auxilie a quem lhe procure a presença, mas não se esqueça de socorrer diretamente quem padece à distância”.

Igualmente, levamos em conta nossos principais recursos: o pensamento, a vontade e a prece, aliados a uma ardente confiança nos dirigentes espirituais liderados por Jesus. De imediato, foram estabelecidas duas equipes para as atividades não presenciais do Centro, respeitando-se os horários em que ocorriam habitualmente. Contamos com cerca de 20 médiuns para as reuniões especificamente mediúnicas, que são escalados mediante prévio contato por WhatsApp.

Às segundas-feiras pela manhã, temos a reunião de desobsessão, após uma hora de estudos sobre a obsessão e o fenômeno mediúnico. Os médiuns não trabalham como antes, mediante psicofonia, mas sintonizados em prece, recebendo percepções especialmente pela inspiração e pela vidência.

Às quintas-feiras, temos duas reuniões concomitantes, após uma hora de estudos temáticos doutrinários, relativos aos atendimentos espirituais do dia. Uma dessas reuniões é a de irradiação de lares, em que preces e vibrações de amor são dirigidas a famílias em instabilidade. A outra reunião é de educação mediúnica, em que as mediunidades ostensivas se apresentam na oportunidade da prática da caridade. Nesse trabalho ocorrem atendimentos aos enfermos do corpo e da alma, para encarnados e desencarnados.

Em relação às reuniões de desobsessão, adotamos a seguinte conduta:

  • preparação costumeira, cultivando bons pensamentos, evitando a carne na alimentação e abstendo-se de qualquer bebida alcoólica;
  • reserva de local tranquilo para permanecer sem ser incomodado das 8h30 às 9h30;
  • música suave;
  • escolha prévia de uma página do Evangelho, algumas mensagens e preces;
  • retomada na memória dos objetivos da reunião feita presencialmente: atendimento aos espiritualmente fragilizados, encarnados e desencarnados, e aos enfermos do corpo e da alma;
  • deixar anotados os nomes dos pedidos que entregará aos nossos dirigentes espirituais, sem se fixar emocionalmente na problemática de cada caso;
  • lembrar-se que a participação será em vibrações, em ofertas de fluidos que os dirigentes usarão nos atendimentos, das maneiras que considerarem as mais convenientes. Não tentar resolver nada sozinho(a). Nada de psicofonia, basta ofertar, levar amor e vontade de ajudar;
  • iniciar a participação com uma prece, como de costume. Depois, a leitura de um trecho do Evangelho, tentando interpretar a lição para a sua vida; leitura de mensagens e preces; vibrações em favor dos atendidos nesse dia em nossa Casa Espírita. Finalizando, a prece de encerramento e de agradecimentos;
  • em seguida, em pensamento, dirija-se ao Centro Espírita Luz da Esperança e “logo, ao portão, você encontrará Jesus, o nosso amado Mestre, de braços abertos, aguardando-o(a) com o carinho de sempre. Entregue a ele os pedidos que lhe foram encaminhados, além de suas súplicas pessoais. Agora, a sua contribuição valiosa, cheia de amor e de vontade de aliviar o sofrimento do próximo. ‘Vim para lhe trazer a minha ajuda vibratória, Mestre, a partir da mediunidade que me foi concedida como instrumento de trabalho em sua seara’”;
  • confortado(a) e agradecido(a), retorne ao seu lar. Missão cumprida.

Nesse preparo, a assiduidade e a disciplina são de responsabilidade dos que assumiram o compromisso com esses atendimentos espirituais, e o valor da prece é de fundamental importância, como ressalta O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVII – “Pedi e obtereis”: “Quando quiserdes orar, entrai para o vosso quarto e, fechada a porta, orai a vosso Pai em secreto; e vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos dará a recompensa […]. Seja o que for que peçais na prece, crede que o obtereis e concedido vos será o que pedirdes”.

Também André Luiz, em muitas de suas obras, expõe a eficácia da prece. Um exemplo está no livro Entre a Terra e o Céu, cap. I – “Em torno da prece”. No Templo do Socorro, o ministro Clarêncio ensina: “Cada prece […] tem certo potencial de frequência e Inteligên­cias que nos cercam sintonizam com o nosso apelo, como estações receptoras”.Em seguida, comenta a respeito de uma oração comovedora que superou as vibrações comuns da matéria mais densa. Ela vem da jovem Evelina, que faz pedido em prece à mãe Odila, desencarnada, em intensa perturbação, sendo por isso a prece “desviada” para planos superiores. No livro Nos domínios da mediunidade, cap. XIX,o mentor Áulus comenta sobre o caso de Jovino e Anésia, que é socorrida, pois, apesar de seus conflitos e momentos de fragilidade, mantém sua rotina de preces, o que lhe possibilita ser ajudada pelos amigos espirituais.

No livro Os mensageiros, cap. 24, em que nos comove a prece de Ismália, André Luiz relata:“grande quantidade de flocos esbranquiçados caía do alto sobre nós que orávamos […]. Os flocos leves desapareciam ao tocar-nos começando, em seguida, a sair de nossa fronte e do peito grandes bolhas luminosas, com a coloração da claridade de cada um e velocidades variáveis, multiplicando-se no ar em direção aos enfermos […]”. Outro comentário é de Aniceto: “Na prece encontramos a produção de elementos-força, que chegam da Providência em quantidade igual para todos em prece, mas cada Espírito tem uma capacidade diferente para recebê-los. E como Deus socorre o homem pelo homem e atende a alma pela alma, cada um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor, com as qualidades de elevação já conquistadas”.

No livro Libertação, cap. XII, é por demais emocionante a prece de Gúbio, em favor do filho de Saldanha, o chefe dos obsessores de Margarida, no recinto deprimente da prisão em que se encontrava. O peito de Gúbio “explode” em luz, sendo desmantelada toda a falange de obsessores por intermédio da prece fervorosa, com vitória do amor que cobre a multidão de todos os pecados!

Além de cultivar a rotina da prece silenciosa, não descuidamos do indispensável acompanhamento dos médiuns ostensivos, por meio de um plantão permanente. Quando se sentem fragilizados, entram imediatamente em contato com a coordenação, recebendo de pronto os recursos necessários para o seu equilíbrio para que possam retomar suas atividades do cotidiano. Nesse atendimento (SOS mediúnico), a coordenação aciona de dois a quatro médiuns mais experientes da equipe para nos unirmos, assim que possível, em pensamento e em prece, mobilizando, assim, nossa vontade para ajudar o companheiro e o Espírito necessitado. Afirmo com muita convicção que os resultados têm sido muito positivos. Entramos em contato com o solicitante mais de uma vez num dia para saber como está se sentindo e se conseguiu voltar normalmente à sua rotina.

Os médiuns socorristas quase sempre percebem o atendimento e as necessidades subsequentes, como, por exemplo, a de incluir determinado lar no próximo trabalho de irradiação de lares; a de esclarecer solicitante a respeito da relação com familiares que se foram; ou esclarecer-lhe a respeito de algum conceito doutrinário que se aplique à situação; ou a de recomendar o culto do Evangelho no Lar à família, dentre tantos outros valiosos recursos terapêuticos que a Doutrina nos oferece. Tudo isso nos sugere a necessidade de muita vigilância para podermos corresponder ao chamado do trabalho a qualquer momento.

Destaco ainda dois pontos que considero muito relevantes e que justificam essa prática descrita: as mediunidades estão ativas o tempo todo; e os Espíritos estão sendo atendidos, tanto os encarnados necessitados como os Espíritos que estão na erraticidade e que são encaminhados pelos benfeitores espirituais ao Centro Espírita nele encontram o seu pouso temporário de tratamento, conforto, esclarecimento, compreensão e solidariedade.

A prática descrita, que foi assumida pela diretoria e o conjunto de trabalhadores do Centro Espírita Luz da Esperança, tem nos autorizado a firmar a convicção de que o isolamento social não é suficiente para cerrar os pensamentos transmissores do amor e da vontade de ajudar o próximo. E assim vamos compreendendo o que significa um Centro Espírita.

Referências

ESPÍRITOS DIVERSOS (Espírito). O Espírito da Verdade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Brasília, DF: FEB, 2014.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 9. imp. Brasília, DF: FEB, 2020.
LUIZ, André (Espírito). Entre a Terra e o Céu. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília, DF: FEB, 2013.
______. Nos domínios da mediunidade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília, DF: FEB, 2013.
______. Os mensageiros. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília, DF: FEB, 2013.
______. Libertação. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília, DF: FEB, 2012.

Regina Célia de Santis Feltran é responsável pela Coordenação do Departamento de Orientação Mediúnica no Centro Espírita Luz da Esperança, em Uberlândia (MG). Pedagoga e professora titular (aposentada) pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia

“Cada centro tem de procurar a orientação da Secretaria de Saúde da sua cidade”

Décio Iandoli Júnior

FE – A pandemia já se estende por mais de sete meses e a maioria dos centros espíritas permanece fechado. Em razão disso, existe uma preocupação das pessoas em relação aos Espíritos. Eles estão desassistidos?

Iandoli Jr. – Não! Somos uma parte do tratamento, mas não todo ele. A maior parte da casa espírita não está no plano físico, mas, sim, no espiritual. Geralmente são hospitais e prontos-socorros onde os Espíritos desencarnados estão atendendo e sendo atendidos normalmente, porém a assistência nas casas espíritas é muito importante, também, para os encarnados, e essas pessoas, sim, precisam de alguma mobilização, com o estabelecimento de um contato virtual para poder fazer o atendimento fraterno e o atendimento a distância, pela Internet ou pelo telefone. Quanto aos desencarnados, principalmente os Espíritos sofredores que normalmente seriam atendidos na reunião de desobsessão, deixaram de receber essa parte do tratamento, o momento do choque anímico, que é a hora em que ele entra em contato com o médium, e é um momento muito importante para ele, mas a equipe espiritual deve conseguir administrar isso. É como você estar administrando um hospital e, em tempos de Covid-19, ter que redistribuir os leitos e as medicações disponíveis. Os Espíritos não agem de improviso!

FE – Como tem funcionado na sua casa espírita?

Iandoli Jr. – Reuniões de estudo são eletivas, paramos nas férias, no Natal e Ano-Novo, já as reuniões de desobsessão são urgência, como um pronto-socorro, não fechamos nos feriados. Agora que isso tudo está acontecendo, o que estamos fazendo? Um “esquema Covid”. Aqui em Campo Grande, que vivia toque de recolher até poucos dias atrás, antecipamos o horário da reunião e atendemos com um número limitado de médiuns seguindo a orientação das autoridades sanitárias, com médiuns fora do grupo de risco para as formas graves da doença e, todos com distanciamento de 1,5 metro, máscara e uso de álcool em gel para entrar e sair do ambiente que mantinha portas e janelas abertas. Seguimos todas as recomendações imaginando que somos um posto de atendimento e não podemos fechar completamente as portas para os pacientes.

FE – O que você me diz sobre fazer reuniões mediúnicas em casa?

Iandoli Jr. – Na minha opinião, devemos evitar fazer isso, já que não é o ambiente recomendado. É como operar um paciente na sala de casa, o melhor é ir para um centro cirúrgico preparado para o procedimento ser realizado com segurança e antissepsia.

FE – Com a casa espírita fechada, o que é possível fazer?

Iandoli Jr. – Pode-se fazer reuniões de vibração, prece em grupo, mas acho arriscado transe mediúnico on-line.

FE – A prece a distância, no mesmo horário antes realizado na casa, tem o poder de mobilizar Espíritos socorristas, por exemplo, para que esses Espíritos, antes atendidos nas casas espíritas pelos médiuns, continuem a receber atendimento?Iandoli Jr. – Esses Espíritos socorristas vão atender independentemente de a gente fazer a prece ou não. Eles vão pelo merecimento do assistido, entretanto, com um grupo em prece no mesmo horário do atendimento, é possível potencializar muito o trabalho, porque os socorristas recebem a matéria amorosa, o pensamento de amor do grupo em prece e podem fazer curativos, podem atuar com mais recursos, utilizando essa matéria mental fornecida pela prece. Na mesa mediúnica, estamos disponíveis para atender aos desencarnados, mas o que precisamos pensar, também, é no atendimento ao encarnado que está com uma perturbação espiritual. Esse trabalho fica mais difícil sem a possibilidade da presença física, porque o ideal é, além de dar o passe, acolher fraternalmente, abraçar, estar “junto”, e isso é que não está dando para fazer agora, mas, ainda assim, podemos fazer prece a distância e fazer o atendimento fraterno virtual. As coisas vão se adaptando de acordo com as possibilidades de cada lugar. São poucos centros que mantiveram algum tipo de atividade, pois isso depende de muitas coisas. Depende do perfil da equipe encarnada, dos recursos disponíveis para a utilização de tecnologia, das condições locais, da parte física da casa espírita e assim por diante. O prejuízo maior, na minha opinião, ainda é dos encarnados, pois muita gente sente falta de ir à casa espírita, de ouvir a palestra, tomar o passe, conviver com as pessoas, aumentando os casos de depressão. Sabemos que a experiência pessoal é bem diferente da on-line.

FE – Como você vê o pós-pandemia? Atividades on-line serão permanentes? Como tem sido essa sua experiência?

Iandoli Jr. – Espero que as atividades on-line permaneçam, sim. Nas reuniões de estudo aqui da AME-MS, por exemplo, reuníamos, em média, 5 pessoas às quintas-feiras à tarde. Agora, on-line, chegamos a 20, temos até gente da Alemanha assistindo, ganhamos a participação de uma médica da Lituânia como membro efetivo, entre outras boas notícias. Não dá mais para parar de fazer essa atividade. Podemos voltar a ter uma ou outra reunião presencial, mas as virtuais não podem mais ser interrompidas. No grupo de estudo do centro, vejo isso também, tem mais pessoas participando on-line nos grupos de estudo do que tínhamos participando presencialmente antes da pandemia. Na minha opinião, esses recursos vieram para ficar em todas as áreas e também no Espiritismo.

FE – Como a maioria dos médiuns está ainda em casa, o que devem fazer com sua mediunidade?

Iandoli Jr. – Prece! Em todas as nossas escorregadelas diárias, baixamos a vibração e damos abertura para os Espíritos menos felizes se juntarem a nós. Esse fenômeno é mais evidente para um médium que é mais sensitivo, mais perceptivo, é como se fosse uma antena ligada o tempo todo fazendo com que o “Orai e Vigiai” seja mais necessário ainda. É preciso estar mais atento que o normal, evitar confrontos, fazer Evangelho uma ou duas vezes por dia. Ninguém deixa de ser médium por causa da pandemia. Para os que aplicam passes normalmente, acho que devem equilibrar suas energias cuidando de plantas, de animais, ou seja, trocar energia com outros seres vivos e manter a vigilância.

FE – As atividades estão sendo retomadas em vários setores, em vários lugares do país. Como médico, qual a sua recomendação para as casas espíritas?

Iandoli Jr. – Isso é muito regional. Aqui em Campo Grande a pandemia começou muito depois de São Paulo e estamos em um momento diferente daí. Cada centro tem de procurar as orientações da Secretaria de Saúde da sua cidade e segui-las rigorosamente. Pode ser que a casa espírita tenha de abrir e fechar várias vezes, a depender do que estiver acontecendo naquela localidade, por isso o dirigente da casa tem de ficar atento a isso e ter bom senso.

Próximas Matérias

Quem faz?