Quem escolhe o egoísmo e a intolerância como guias se perde no caminho

O mundo não para. Os acontecimentos se seguem uns aos outros de maneira acelerada, enquanto tentamos ainda, de uma forma cambaleante, lidarmos com os impactos da Covid-19, que abriram enormes fendas na sociedade humana, que agora precisa tentar lidar com feridas profundas que deverão ficar expostas por muito tempo. Sem dúvida, não será fácil compreendermos o que se passou e continua passando e como devemos seguir para frente. Ainda que atordoados, vamos seguindo, vamos vivendo, vamos nos adaptando.

Em discussões do mundo corporativo, é comum ouvir que vivemos, hoje, no mundo “VUCA”, que quer dizer um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. A abreviação vem da origem em inglês (vulnerability, uncertainty, complexy and ambiguity). Esse conceito surgiu no final da Guerra Fria e representa as incertezas que se vivia naquele momento, no qual o desfecho que ora parecia favorável às forças norte-americanas, da noite para o dia, mudava, ou seja, tudo que se havia planejado poderia mudar de uma hora para outra, causando, assim, uma necessidade de se repensar e mudar a estratégia.

Quando tentamos de alguma sorte conectar o termo corporativo para a nossa sensação de vivência diária, parece que começamos a compreender o que realmente é vulnerabilidade, incerteza e desafios complexos e ambíguos que nos são apresentados na atualidade.

O momento de transição pela qual passamos nos faz, de forma contundente, repensarmos quem somos, por que estamos aqui, o que queremos para o nosso amanhã. A necessidade de mudança nos bate à porta. Quando parecia que o coronavírus já poderia ter nos nocauteado com a fome, o desemprego e a doença, de repente a intolerância e a violência ganham contornos globais com cenas de horror e sofrimento com nossos irmãos no Afeganistão e, uma vez mais, somos chamados a repensar as relações e os direitos humanos. A terra treme no Haiti, e milhares morrem. Outros tantos perdem sua moradia. Os ventos sopram com força, e os EUA são varridos pelo ciclone Ida, que deixa um rastro de destruição. E não para por aí. As mudanças climáticas conferem ainda mais sofrimento nos polos da Terra. Parece que não teremos “sossego”.

A frase “Pare o mundo que eu quero descer”, que dá nome à canção de Silvio Brito, se apresenta de forma tão atual e verdadeira… E o que fazer neste momento? Como náufragos à deriva em um oceano de incertezas, dores e sofrimento, somos levados a lutar de forma desesperada para tentarmos não afundar em meio ao mar gélido e perigoso que nós mesmos criamos. Levados por um sentimento de imediatismo, natural de nossas escolhas pautadas no materialismo, queremos uma salvação, que alguém nos salve da tormenta, a todo custo. Sonhamos com dias melhores, com mais paz, com mais equilíbrio, mas como estamos buscando isso? Como fazer isso?

Queremos um caminho, precisamos nos reconectar com a verdade e necessitamos reprogramar nossas vidas. É neste momento que tanto necessitamos de Jesus. Ele nos disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. A essa afirmação do Cristo, podemos juntar outras tantas que serviriam muito para este momento, mas cremos que, talvez, em nome dessa busca desenfreada por um sentido existencial, por uma resposta, por uma “salvação”, muitas vezes somos levados a repetir equívocos de um passado milenar, reafirmar comportamentos egoístas que focam em nosso próprio bem-estar, nos esquecendo que vivemos conectados. Ou ainda, com violência e intolerância para com os nossos semelhantes, queremos impor nossa vontade a todo custo. Certamente, podemos até estar querendo ir ao Pai, justificando como quisermos nossos atos impensados, mas desse modo tentaremos ir pelos nossos caminhos, e não pelo caminho que o Mestre nos ensinou e exemplificou.

Disse-nos também Jesus: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).
Essa afirmação nos convida a resgatar dentro de nós a paz de Jesus, que é fundamentada no amor e no perdão incondicional, mas, sobretudo, na busca pela Paz interior, aquela que é a grande guardiã contra nossas próprias imperfeições, que nos ajuda até o limite de nossas forças a vencermos nossas más inclinações que, por vezes, revestidas até mesmo de um desejo por dias melhores, nos arrasta para o desfiladeiro da beligerância, da violência e da intolerância.

Não podemos mudar o mundo lá fora, não podemos frear o avanço célere da transição que se faz necessária, mas podemos reagir com novos comportamentos. Será que alcançaremos alguma “paz” se ainda não furtamos das oportunidades repetidas em semear a discórdia? O convite que o mundo VUCA nos traz é para que nos renovemos de dentro para fora, a maneira como que reagimos diante das adversidades, do sofrimento e da dor, e a senha para a paz, mesmo diante de tantas dificuldades, é o exemplo do Cristo.
É imperioso que lutemos para fazermos novas escolhas, definitivas e eternas. É preciso sabermos reagir diante do inesperado com amor, tolerância e muita fé. Só assim estaremos nos credenciando para um dia seguirmos com firmeza os passos de Jesus.
Enquanto o egoísmo e a intolerância guiarem nossas reações perante as incertezas terrenas, mais distantes estaremos do Caminho do Cristo.

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