Skills e hard skills: o que são e como desenvolver essas habilidades

Um homem olhando o desenho de um cérebro

Costuma-se dizer no mundo corporativo que, em grande quantidade, somos admitidos nas empresas por nossas habilidades técnicas e demitidos pela falta de habilidades socioemocionais, ou seja, estas representam o modo como lidamos com nossas emoções e com as alheias, além da forma como nos relacionamos com as pessoas. São influenciadas por um conjunto de aspectos, como a personalidade e as experiências ao longo da vida. O que isso tem a ver com hard skills e soft skills? Primeiro, vamos aos conceitos.

O que são hard skills?

Hard skills são todas as habilidades técnicas que desenvolvemos ao longo da vida. Na maioria das vezes, esse tipo de habilidade é adquirida através de uma educação formal ou treinamento. Hard skills costumam ser incrivelmente específicas e são consideradas determinantes para que você se encaixe em uma certa profissão.

Um verdadeiro profissional deve ser experiente nas hard skills necessárias para desempenhar o seu trabalho de forma capaz. E, como se trata de conhecimentos palpáveis, essas habilidades conseguem ser medidas e examinadas com facilidade. Para avaliar um bom profissional, entretanto, não devemos levar em consideração apenas suas hard skills. O ambiente de trabalho tem mudado, em grande parte, por causa da tecnologia, e as soft skills têm ganhado extrema importância nesse novo contexto.

O que são soft skills?

Soft skills são habilidades interpessoais que dizem respeito ao comportamento social e à forma com que nos expressamos emocionalmente. Por isso, influenciam como trabalhamos ou interagimos com outras pessoas.

Elas geralmente aparecem no formato de características que remetem à personalidade, como empatia, comunicação, organização e flexibilidade, mas também se pode incluir a capacidade de trabalhar sob pressão ou se adaptar a mudanças.

Em resumo, soft skills são todas as habilidades que não se encontram dentro de uma amplitude simplesmente técnica, mas estão relacionadas à maneira com que nos comunicamos, nos expressamos e colaboramos com o outro. São capacidades subjetivas, que atuam no espectro comportamental e social do ser humano e não dependem de diplomas ou certificados.

Um estudo realizado pelo Linkedin – que é uma grande plataforma que ajuda pessoas e empresas a anunciarem vagas, procurar empregos, alimentar a sua rede de contatos (networking), fazer parcerias, dentre outras atividades relacionadas – mostrou que soft skills têm se tornado tão importante quanto hard skills no momento da contratação. Um estudo realizado pela Deloitte Access Economics, contratação profissional, prevê que um terço das empresas vão ter soft skills como prioridade até 2030.

Agora que já sabemos o que temos de desenvolver, vamos à parte prática.

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Quais são os soft skills mais importantes para o futuro?

Future of Jobs Report 2020 apresentou as habilidades mais importantes para o futuro:

1. Resolução de problemas complexos.
2. Pensamento crítico.
3. Criatividade.
4. Gestão de pessoas.
5. Liderança e influência social.
6. Pensamento analítico e inovação.
7. Resiliência, tolerância e flexibilidade.
8. Inteligência emocional.
9. Persuasão e negociação.
10. Gestão do tempo.
11. Aprendizado ativo.

O que o Espiritismo nos ensina sobre soft skills e habilidades socioemocionais?

Kardec nos trouxe, em O livro dos Espíritos, que somos seres sociais: “Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdade necessárias à vida de relação” (Questão 766). Nesse sentido, em nota à questão 768, Kardec adiciona de forma muito elucidativa: “Nenhum homem tem as faculdades completas. Pela união social, eles se completam uns pelos outros para assegurar seu bem-estar e progredir. Por isso, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade, e não isolados”.

Tendo em vista tais pontos, André Luiz, no capítulo 3 do livro Evolução em dois mundos, explica: “A inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço […] tecendo com os fios da experiência a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação e reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica”.

Emmanuel, no capítulo 15 do livro Pensamento e vida, ensina: “A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança criam zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico (corpo físico), impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência. Todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação. Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços. Os reflexos dos sentimentos menos dignos que alimentamos voltam-se sobre nós mesmos, depois de convertidos em ondas mentais, tumultuando o serviço das células nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no tronco cerebral, desempenham as mais avançadas funções técnicas. Não nos esqueçamos, assim, de que apenas o sentimento reto pode esboçar o reto pensamento, sem os quais a alma adoece pela carência de equilíbrio interior, imprimindo no aparelho somático (corpo físico) os desvarios e as perturbações que lhe são consequentes”.

Ainda Emmanuel, no capítulo 28 do mesmo livro, nos lembra: “Os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influência sobre todas as doenças. Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante à martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento. Guardemos, assim, compreensão e paciência, bondade infatigável e tolerância construtiva em todos os passos da senda, porque somente ao preço de nossa incessante renovação mental para o bem, com o apoio do estudo nobre e do serviço constante, é que superaremos o domínio da enfermidade, aproveitando os dons do Senhor e evitando os reflexos letais que se fazem acompanhar do suicídio indireto”.

Na coleção André Luiz, encontraremos diversos estudos sobre o desenvolvimento da educação dos sentimentos.

Mãos à obra!

Referências

ALVARENGA, Carina Abud; OKAWA, Cinthya Soares. Conversando se entende: aprendizados, técnicas e práticas para transformar conflitos em possibilidades. Porto Alegre: Arquipélago Negócios, 2021.

ANALFABETISMO emocional e educação dos sentimentos. Rossandro Klinjey, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZXd1q1-DxCw. Acesso em: 26 abr. 2022.

ANTUNES, Lucedile (coord.).Soft skills: competências essenciais para os novos tempos. São Paulo: Literare Books International, 2020.

COMO O LIV desenvolve as habilidades socioemocionais? LIV, 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hs9kTP37HsA. Acesso em: 26 abr. 2022.

EMMANUEL (Espírito). Pensamento e vida. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 19. ed. Brasília, DF: FEB, 2013.

FRAGMENTOS – para pensar habilidades socioemocionais. Suelen Nery, 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=V-rXgE_ZDLg. Acesso em: 26 abr. 2022.

KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Araras, SP: IDE, 1994.

KIM, Helena. Soft skills for hard people: A Practical Guide to Emotional Intelligence for Rational Leaders. [S.l.]: Ed. da autora, 2020.

LUIZ, André (Espírito). Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Rio de Janeiro: FEB, 1958.

SILVA, Rodrigo. Como desenvolver suas hard skills e soft skills: habilidades essenciais para ser um profissional completo. Sarapuí, SP: Ed. do autor, 2021.

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