Ao fazermos o bem, criamos condições para a nossa paz interior

Recentemente, para nossa satisfação, têm ganhado força nas redes sociais frases e apelos que nos convidam a uma reflexão muito importante sobre a empatia. Frases como “Quando a dor do próximo não o afeta, quem precisa de ajuda é você” nos ajudam a olhar o mundo ao nosso redor com outros olhos. E o momento singular e doloroso pelo qual a humanidade passa é um convite a uma mudança de atitude. Você já parou para pensar a respeito de como você tem lidado com a dor alheia?

A palavra “empatia”, tão propagada, quando analisada em sua etimologia quer dizer colocar-se no lugar do outro e poder sentir o que ele sente. Se praticada em seu significado mais profundo, estamos verdadeiramente vivenciando a mensagem do Cristo, ao nos convidar a amarmos nossos irmãos como a nós mesmos. Entretanto, como podemos pensar em amar os nossos semelhantes em meio a tanta angústia e desequilíbrio íntimo que cada um de nós vivemos?

Na edição passada, registramos dados preocupantes sobre o aumento expressivo do consumo de bebidas alcoólicas durante a pandemia, bem como o uso de drogas ou mesmo a compulsão alimentar, que resulta em uma situação preocupante de obesidade, inclusive entre jovens e adolescentes. Ou seja, se temos sinais de bem-estar íntimo que parecem adoecidos, como conseguir pensar no outro, fazer algo pelos nossos semelhantes, se não estamos cuidando de nós mesmos?

O Testemunho de Chico

O que temos aprendido com os benfeitores espirituais, e mais precisamente com exemplos de grandes missionários, como Chico Xavier, por exemplo, é que o caminho é exatamente o oposto, isto é, para nos sentirmos bem, firmes e capazes de auxiliarmos o nosso próximo, não devemos esperar as condições íntimas necessárias, mas, sim, por meio da prática, angariarmos esses recursos. Ele mesmo, Chico, nos deixou o testemunho de que cuidava de si mesmo cuidando dos outros. Cada indivíduo que aguardava nas intermináveis filas formadas para receber atendimento por ele era consolado, ouvido, amparado, e isso era para ele bálsamo para suas dificuldades, sobretudo, para sua saúde.

Temos visto expressivo crescimento em todo o nosso país de movimentos humanitários. Para se ter uma noção, a Cruz Vermelha do Brasil apresentou, no último ano, um aumento de 100% de doações e um engajamento ainda maior de toda a sociedade. Um bom sinal do que podemos continuar a fazer.

Por isso, se o desânimo, a ansiedade ou mesmo as dificuldades nos visitam, devemos olhar à nossa volta e, a exemplo dos Espíritos de escol, nos lembrar que, ao fazer o bem para o nosso semelhante, estamos criando condições reais para o nosso equilíbrio e nossa paz interior. O momento é agora. Não devemos esperar.

Quando nos faltarem razões e motivos para fazer o bem e compreensão quanto à dor alheia, recordemo-nos de Emmanuel no livro Religião dos Espíritos, que nos escreve sobre o “Homem Bom”:

Compreensão e misericórdia

“Conta-se que Jesus, após narrar a Parábola do Bom Samaritano, foi novamente interpelado pelo doutor da lei que, alegando não lhe haver compreendido integralmente a lição, perguntou, sutil:

– Mestre, que farei para ser considerado homem bom?

Evidenciando paciência admirável, o Senhor respondeu:

– Imagina-te vitimado por mudez que te iniba a manifestação do verbo escorreito e pensa quão grato te mostrarias ao companheiro que falasse por ti a palavra encarcerada na boca.

Imagina-te de olhos mortos pela enfermidade irremediável e lembra a alegria da caminhada, ante as mãos que te estendessem ao passo incerto, garantindo-te a segurança.

Imagina-te caído e desfalecente, na via pública, e preliba o teu consolo nos braços que te oferecessem amparo, sem qualquer desrespeito para com os teus sofrimentos.

Imagina-te tocado por moléstia contagiosa e reflete no contentamento que te iluminaria o coração, perante a visita do amigo que te fosse levar alguns minutos de solidariedade.

Imagina-te no cárcere, padecendo a incompreensão do mundo, e recorda como te edificaria o gesto de coragem do irmão que te buscasse testemunhar entendimento.

Imagina-te sem pão no lar, arrostando amargura e escassez, e raciocina sobre a felicidade que te apareceria de súbito no amparo daqueles que te levassem leve migalha de auxílio, sem perguntar por teu modo de crer e sem te exigir exames de consciência.

Imagina-te em erro, sob o sarcasmo de muitos, e mentaliza o bálsamo com que te acalmarias, diante da indulgência dos que te desculpassem a falta, alentando-te o recomeço.

Imagina-te fatigado e intemperante e observa quão reconhecido ficarias para com todos os que te ofertassem a oração do silêncio e a frase de simpatia.

Em seguida ao intervalo espontâneo, indagou-lhe o Divino Amigo:

– Em teu parecer, quais teriam sido os homens bons nessas circunstâncias?

– Os que usassem de compreensão e misericórdia para comigo – explicou o interlocutor.

– Então – repetiu Jesus com bondade –, segue adiante e faze também o mesmo.”

Referência

Emmanuel (Espírito). Religião dos Espíritos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 22. ed. Brasília, DF: FEB, 2012.

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