Intolerância

“Qual é o verdadeiro sentido da palavra ‘caridade’, como entendia Jesus? Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas”

(Kardec – O livro dos Espíritos, pergunta n. 886).

Intolerância é o mesmo que ausência de tolerância, característica que corresponde à falta de compreensão ou aceitação em relação a algo. Uma pessoa que age com intolerância é chamada de intolerante e, por norma, apresenta um comportamento de repulsa, repugnância e ódio por determinada coisa que lhe seja diferente.

A etimologia da palavra “tolerância” (do Latim tolerantia), segundo o Dicionário Aurélio, é uma qualidade de quem é tolerante, ou ainda, o ato ou efeito de tolerar, delineando-se como “tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos”. Essa acepção exige ainda o entendimento que a ela é conferido sob a perspectiva das Ciências Sociais.

Tolerância e intolerância

A tolerância e a intolerância são condutas e situações individuais ou coletivas que, certo ou não, fazem parte da atividade social. Seja étnica, sexual, classe, condição econômica, cultural, regional ou religiosa, inúmeras situações de intolerância são registradas e noticiadas pelos meios de comunicação, ou testemunhadas pessoalmente pelos indivíduos da e na sociedade.

A intolerância apresenta-se de várias formas:

  • Intolerância real: aquela que é referente a um caso concreto ou à pessoa física.
  • Intolerância abstrata: aquela que não se refere a caso concreto, atingindo de maneira geral todo um grupo de pessoas.
  • Intolerância visível: aquela que discrimina direta e explicitamente uma pessoa ou grupo de pessoas.
  • Intolerância invisível: aquela que não é explícita, aparece velada em algum comentário ou comportamento.

O que não praticar:

  • Intolerância racial: esse preconceito está associado à raça, etnia e aos aspectos físicos de uma pessoa. O exemplo mais comum é o que ocorre entre brancos que se julgam superiores aos negros. Muitas sociedades e governos o combatem ativamente, sendo que o racismo é considerado crime em diversos países do mundo.
  • Intolerância social:geralmente ocorre entre indivíduos de classes sociais diferentes. Ricos geralmente se sentem superiores aos pobres, com seu maior número de posses, facilidades e benefícios.
  • Intolerância religiosa: acontece quando uma pessoa simplesmente não aceita ou respeita outras religiões que não sejam a que ela segue. Os conflitos no Oriente Médio, em sua maior parte, têm como causa esse tipo de preconceito.
  • Intolerância sexual: a homofobia, sem dúvida, é um dos maiores exemplos de preconceito sexual, que se define pela intolerância no que diz respeito a pessoas que possuem relações afetivas com indivíduos do mesmo sexo. Apesar do alto índice de crimes, agressões e assassinatos contra homossexuais no Brasil, a situação é ainda pior em outros países, como Rússia e países de influência muçulmana, como Somália, Arábia Saudita, Iêmen, entre outros.
  • Sexismo:caracteriza-se pela crença de que um sexo é superior ao outro. No Brasil, isso está bastante presente, pois na maior parte das empresas as mulheres ganham menos, são menos respeitadas, além de ser um dos países onde mais ocorrem crimes e violência contra as mulheres.

Muitas vezes, podemos praticar esse tipo de atitude sem mesmo perceber. É sempre importante meditar e analisar nossas atitudes, por mais insignificantes que sejam. Nunca se sabe quando podemos estar contribuindo negativamente, sem perceber. Ser você mesmo é importante, mas respeitar a identidade alheia, por mais diferente que seja, é sempre fundamental.

Internet sem vacilo

Navegar é se aventurar. Toda aventura é uma oportunidade de aprender e curtir, mas há riscos: conhecer alguém que pode não ser exatamente quem você pensou que fosse, brincar num tom mais agressivo ou ficar mal com a zoeira sem limites, alimentar brincadeiras de mau gosto ou acreditar em mentiras.

A campanha Internet sem vacilo incentiva uma atitude positiva de adolescentes e jovens no uso da rede mundial de computadores. Ela é fruto de uma parceria da Unicef com a SaferNet, o Google, a Agência Fermento e a Produtora Digital Wavez. Para falar de segurança e boas práticas na Internet, a campanha traz dois dos youtubers mais conhecidos da atualidade: Jout Jout e Pyong Lee.

Entre as ações realizadas pela campanha está uma série de vídeos que desmistificam temas que ainda são tabus, como sexting, relacionamentos on-line, buscas seguras, preconceito e intolerância na rede. A grande sacada da campanha é tratar de assuntos delicados de forma clara, direta e, principalmente, bem-humorada.

Internet sem vacilo: assista aos vídeos

#InternetSemVacilo | Preconceito e Intolerância

#InternetSemVacilo | Sexting

#InternetSemVacilo | Privacidade

#InternetSemVacilo | Busca com segurança

#InternetSemVacilo | Relacionamento

A campanha também utilizou memes e até um quiz para conscientizar os jovens para o uso positivo da rede. Para saber mais, visite a página oficial da campanha Internet sem vacilo.

Publicações

PDF para download:

Internet sem vacilo: O guia para usar a internet sem se dar mal

Internet Sem Vacilo | Cidadania digital entre adolescentes – Resumo executivo

Internet Sem Vacilo – Relatório da ação

Dizia Spinoza: “Tenho-me esforçado por não rir das ações humanas, por não as deplorar e nem as odiar, mas entendê-las”. “Partindo disso, exprime-se a importância de respeitar as diferenças e de zelar pela diversidade cultural. Nesse sentido, o ato de discriminação por motivos religiosos se configura em intolerância religiosa. Ademais, tal problema apresenta raízes históricas no Brasil e deve ser combatido para garantir a liberdade individual”.

Referências

KARDEC, A. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131. ed. Brasília, DF: FEB, 2013.

______. O livro dos Espíritos. Araras, SP: IDE, 1994.

KISHIMI, I.; KOGA, F. A coragem de não agradar. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

RIBEIRO, D. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

SILVA, D. M. P. Racismo: a psicologia e o Judiciário no trato dos crimes de intolerância racial. Curitiba: Juruá, 2017.

SPINOZA, B. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

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