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Relacionamento aberto ou monogamia?

Nos últimos tempos, temos ouvido muito se falar sobre relacionamento aberto como uma evolução da monogamia. Em uma matéria recente, de 21 de outubro de 2022, do jornalista João Ker, publicada no jornal Estadão, podemos observar que cresce o número de casais que declaram ter firmados “acordos sinceros”, segundo eles, com vistas a permitir ao parceiro a liberdade para se relacionar com mais de um parceiro.

Percebe-se um movimento para se estabelecer novos modelos de relacionamentos visando à busca da liberdade e independência sexual, mesmo que muitos também declarem que, apesar da abertura do relacionamento, é possível manter-se o vínculo emocional com o parceiro que se ama.

A psicanalista Regina Navarro Lins, autora do livro Novas formas de amar, diz que esses relacionamentos não monogâmicos estão crescendo no Brasil e no Ocidente e reforça que esse aumento na mudança de comportamento segue uma sucessão de conquistas e marcos pela individualidade: “Os anseios contemporâneos são em busca da individualidade. Cada um quer saber seu potencial de desenvolver possibilidades na vida, o que não tem nada a ver com egoísmo. Isso entra em conflito com a proposta do amor romântico, sendo a não individualidade”. A Dra. Navarro reforça ainda que esse movimento crescente colide de frente com a “saída de cena do amor romântico”, sendo este a base da monogamia, construída ao longo de nossa história por uma imposição cultural, ou seja, é muito mais uma questão sociocultural do que propriamente uma escolha.

O que nos ensina a Doutrina Espírita?

Em uma primeira leitura de todos os pontos acima citados, dentre muito outros que transbordam nas redes sociais que defendem a não monogamia, o poliamor, o relacionamento aberto, é preciso ter cuidado para que não se interprete tais buscas como uma manifestação clara de uma mudança de comportamento com vistas às conquistas individuais e relações mais equilibradas entre os parceiros. É preciso esclarecer que cada um deles pode expressar suas vontades e desejos sem repressão ou culpa, visto que há a combinação entre os envolvidos.

Para uma melhor compreensão, naturalmente, sob a ótica da Doutrina Espírita, é necessário mergulharmos nas intenções que sustentam esses ideais. Antes de qualquer coisa, é preciso que se reforce que encontramos em O Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo XI – “Amar o próximo como a si mesmo” –, mais precisamente na instrução dos Espíritos: “O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais”.

Essas palavras já devem nos levar à reflexão. É muito importante compreender se essas propostas de relacionamento estão respaldando nossos sentimentos ou nossos instintos. O tema também foi tratado em O livro dos Espíritos, na questão 701: “Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é a mais conforme à lei natural? A poligamia é uma lei humana, cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há verdadeira afeição: não há mais do que sensualidade”. Kardec ainda complementa: “se a poligamia concordasse com a lei natural, devia ser universal, o que, entretanto, seria materialmente impossível em virtude da igualdade numérica dos sexos. A poligamia deve ser considerada um uso ou uma legislação particular, apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento social fará desaparecer pouco a pouco”.

Certamente, ainda contaremos com aqueles que podem argumentar que não diz respeito aos instintos, mas, sim, aos sentimentos. Basta nos perguntarmos se esse empenho para desenvolvimento de um amor incondicional, verdadeiro e plural também se processa em nossas relações familiares e sociais, onde a expressão sexual não está presente, ou seja, nessas relações somos capazes de nos empenharmos pelo poliamor? Com nosso olhar voltado para a nossa evolução, também cabe-nos relembrar que, durante muitas e muitas encarnações, vivemos sob o regime da poligamia, e apesar de algum avanço moral ao longo dos séculos, ainda temos um longo caminho a percorrer.

Esse caminho de busca pelo entendimento do amor e da conquista da perfeição, um dia todos nós alcançaremos. O autoconhecimento e a reforma íntima são essenciais para esse desenvolvimento, e para compreendermos como adquirir esses valores morais, devemos recordar Kardec na Introdução de O livro dos Espíritos, que nos ensina: “Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual”. Assim, cada vez que caminhamos na direção da sustentação das paixões que nos aproximam da natureza animal, estamos retardando nosso progresso moral.

O exercício do amor a dois é um grande desafio, nos traz inúmeras reflexões, sobretudo quando nos dedicamos a nos conhecermos e nos esforçamos para fazer ao outro o que realmente desejamos para nós mesmos. Estamos certos de que ninguém precisa ser refém de uma relação, e as próprias leis terrenas nos possibilitam romper contratos que não mais se sustentem em valores dignos. O que não se pode reformular é o aprimoramento moral como objetivo real de nossa encarnação, por isso, relembramos Emmanuel em Vida e sexo, que nos faz um convite a compreendermos melhor o sexo em nossa vida terrena: “[…] Em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganarmos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um”.

Não há dúvidas de que veremos avanços nas relações terrenas. Temos a certeza de que aprenderemos a lidar com o sexo de forma mais equilibrada, pois isso faz parte de nosso progresso e nossa evolução, que deverão constituir as bases para um Mundo de Regeneração. Em uma brilhante explicação do benfeitor Alexandre, em Missionários da luz, podemos confiar nesse progresso: “É necessário deslocar a concepção do sexo, abstendo-nos de situá-la tão somente em determinados órgãos do corpo transitório das criaturas. Vejamos o sexo como qualidade positiva ou passiva, emissora ou receptora da alma. Chegados a esse entendimento, verificamos que toda manifestação sexual evolui com o ser. Enquanto nos mergulhamos no charco das vibrações pesadas e venenosas, experimentamos, nesse domínio, simplesmente sensações. À medida que nos dirigimos a caminho do equilíbrio, colhemos material de experiências proveitosas, oportunidades de retificação, força, conhecimento, alegria e poder. Em nós, harmonizando com as leis supremas, encontramos a iluminação e a revelação, enquanto os Espíritos Superiores colhem os valores da Divindade. Substituamos as palavras ‘união sexual’ por ‘união de qualidades’ e observaremos que toda a vida universal se baseia nesse divino fenômeno, cuja causa reside no próprio Deus, Pai Criador de todas as coisas e de todos os seres”.

Enquanto elegemos a aquisição de valores morais para nosso Espírito em evolução, devemos sempre voltarmos nossos olhos para que todo o nosso esforço seja nessa direção, vencendo a nós mesmos e refletindo sobre nossas escolhas, sem esmorecermos, compreendendo que a vida terrena é transitória, assim como todas as sensações vivenciadas. O que verdadeiramente fica são as conquistas do Espírito eterno, que deverá seguir em harmonia com as leis de amor.

Sigamos confiantes e vigilantes, colocando em prática o que Kardec nos ensinou: reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações.

Referências

EMMANUEL (Espírito). Vida e sexo. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília, DF: FEB, 1970.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Araras, SP: IDE, 1994.

______. O livro dos Espíritos. Araras, SP: IDE, 1994.

KER, João. ‘O amor romântico está dando sinais de sair de cena’, diz autora de ‘Novas Formas de Amar’. Estadão, 21 out. 2022. Disponível em: https://www.estadao.com.br/brasil/o-amor-romantico-esta-dando-sinais-de-sair-de-cena-diz-regina-navarro-lins/. Acesso em: 29 out. 2022.

LINS, Regina Navarro. Novas formas de amar. São Paulo: Planeta, 2017.

LUIZ, André. (Espírito). Missionários da luz. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro: FEB, 1945. (Coleção A Vida no Mundo Espiritual, 3).

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