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Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD)

Embora muitos trabalhadores das escolas de evangelização infantojuvenis não tenham a formação de professor, dedicam suas vidas a levar a educação espiritual a crianças, jovens e seus familiares. Constantemente, evangelizadores, coordenadores e diretores dos Departamentos de Infância e Juventude lidam com situações importantes dentro das salas de aula, como, por exemplo, os distúrbios que influenciam a aprendizagem de uma criança e que precisam de tratamento.

Nas edições n. 565 e 572[1] de março e outubro de 2021 da Folha Espírita, fizemos importantes observações acerca dos transtornos de aprendizagem e da educação moral na infância e o que esta pode evitar de reincidências negativas do Espírito reencarnante.

Agora, vamos falar sobre o Transtorno Opositor-Desafiador

Todos nós já ouvimos a frase “nossa, que criança birrenta”, pois é, se seu aluno apresenta esse comportamento, o desafia, é desobediente, tem uma irritabilidade excessiva e é “difícil” de lidar, pode apresentar alguns sinais do TOD.

O que é Transtorno Opositivo-Desafiador?

TOD é um transtorno infantil caracterizado por comportamentos desafiadores, antissociais, desobedientes e perturbadores. Dessa forma, o comportamento é visível quando há a presença de figuras autoritárias, como pais e professores. Apesar das atitudes desafiadoras, crianças e adolescentes com TOD não são agressivas com pessoas ou com animais.

É comum que o TOD se desenvolva nos anos pré-escolares, até os 8 anos de idade, e é raro que se desenvolva no início da adolescência. Ademais, antes da adolescência, o transtorno é mais comum em meninos, e durante a puberdade, mais meninas apresentam tal transtorno. As causas do TOD ainda são desconhecidas, mas alguns estudos apontam combinações genéticas e fatores ambientais.

Quais são os sintomas?

Os sintomas e sinais normalmente se manifestam antes dos 8 anos de idade. Além disso, o diagnóstico é feito quando os sintomas e sinais persistem por mais de seis meses e causam problemas em casa e/ou no ambiente escolar. Uma criança com TOD:

  • tem irritabilidade fácil e frequente;
  • irrita as pessoas de propósito e sem motivo específico;
  • tem crises de raiva;
  • perde a paciência com facilidade;
  • tem baixa autoestima;
  • tem dificuldade de se relacionar com outras crianças;
  • é extremamente sensível e tem dificuldade em receber críticas;
  • culpa os outros pelos próprios erros;
  • apresenta comportamento rancoroso e vingativo;
  • é antissocial e ansioso;
  • não aceita ordens e discute frequentemente com adultos ou figuras de autoridade;
  • possui comportamento desafiador e desafia normas e regras;
  • quer tudo do seu jeito e se recusa a realizar atividades escolares;
  • fica facilmente ressentido e perturbado;
  • apresenta sinais de depressão.

O TOD ainda apresenta três níveis de gravidade. Primeiramente, o mais leve é quando a criança com o transtorno apresenta os sinais e sintomas apenas em um ambiente específico, como em casa ou em sala de aula. Já o moderado, a criança com TOD demonstra os sinais e sintomas em dois ambientes. Por conseguinte, o nível grave é quando a criança expressa os sinais e sintomas em três ou mais ambientes e situações.

Como é feito o tratamento?

O tratamento pode ser muito diversificado e passa por promover o treinamento dos pais, com o objetivo de interagirem mais eficazmente com a criança e fazer terapia familiar para dar suporte e apoio à família. Pode ainda ser recomendada a realização de psicoterapia. Tem cura, principalmente se o tratamento for iniciado de forma precoce.

Como diferenciar uma dificuldade comum de um transtorno de aprendizagem?

É importante que pais e professores estejam atentos à persistência desses sinais e direcionem a criança para uma avaliação multidisciplinar. Somente dessa forma os sintomas poderão ser identificados e definidos (ou não) como transtorno de aprendizagem.

Para Telma Pantano, psicopedagoga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o ambiente em que a criança estuda também deve ser levado em conta. “Problemas de aprendizagem são diferentes de transtornos de aprendizagem. O primeiro pode estar associado a questões pedagógicas como alguma deficiência no sistema de ensino aplicado nas escolas; já os transtornos ocorrem devido aos processos cerebrais das crianças, o que dificulta a assimilação de informações”, destaca.

O diagnóstico de um transtorno de aprendizagem geralmente só ocorre após a criança ingressar na escola. Para ele, é realizada uma avaliação neuropsicológica, que pode ser feita por uma equipe multidisciplinar (neuropediatras, psiquiatras, fonoaudiólogos, psicólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos). São feitas diversas entrevistas com os alunos e os pais, para se observar o comportamento da criança, o histórico familiar e escolar. Não há exames específicos que determinem se a criança tem ou não um transtorno de aprendizagem, por isso a observação do comportamento é um fator determinante para o diagnóstico correto.

Vale destacar que, pelo fato de ser um transtorno (e não uma doença), não há cura, mas há diversas medidas terapêuticas efetivas que são recomendadas de acordo com a condição da criança ou jovem. “O ideal é ter o acompanhamento de um neurologista, psicopedagogo e/ou fonoaudiólogo, além de um psicólogo para trabalhar com as questões emocionais, como lidar com o sentimento de frustração e de incapacidade, por exemplo”, afirma Brandalezi.

Os pais não devem pressionar as crianças para melhorar o desempenho escolar ou diminuir seus esforços e os progressos. Já os professores, que muitas vezes são os primeiros a notar os sintomas, devem comunicar os pais sobre as dificuldades do aluno e orientá-los a procurar ajuda especializada. Durante as aulas, a recomendação é sempre conversar com o aluno de forma individual, para evitar uma exposição desnecessária. “Forçar ou brigar só vai afetar ainda mais a autoestima da criança. É importante que os pais identifiquem a forma que seu filho aprende melhor e utilizem estratégias lúdicas como jogos e brincadeiras para deixar as atividades mais leves e prazerosas”, diz Moura.

Referências

COSENZA, R. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2014.

INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (IPQ/HCFMUSP). Home. 2023. Disponível em: https://ipqhc.org.br. Acesso em: 31 maio 2023.

PALESTRA – cem anos de evangelização infantil na FEB – Sandra Borba. FEBtv, 5 jun. 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=J8RT31Rv_FI. Acesso em: 31 maio 2023.

PANTANO, T.; ROCCA, C. C. A. (org.). Como se estuda? Como se aprende? São José dos Campos, SP: Pulso Editoria, 2015.

PANTANO, T.; ZORZI, J. L. (org.). Neurociência aplicada à aprendizagem. São José dos Campos, SP: Pulso Editoria, 2009.

RAFAEL Latorraca (psiquiatria e espiritualidade). Lutz Podcast, 9 fev. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dqV6Sc0nWE4&t=10s. Acesso em: 31 maio 2023.

ROCCA, C. C. A.; PANTANO, T.; SERAFIM, A. P. (ed.) Estimulação da atenção de crianças e adolescentes. Barueri, SP: Manole, 2020.


[1] https://www.folhaespirita.com.br/jornal/parece-preguica-mas-pode-ser-transtorno-de-aprendizagem/

https://www.folhaespirita.com.br/jornal/educacao-moral-na-infancia-pode-evitar-reincidencias-do-espirito-reencarnante/

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