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Desenvolvimento sustentável: qual o papel dos espíritas na Agenda 2030?

O que a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem em comum com o Espiritismo? Após 10 anos da publicação do livro Espiritismo e desenvolvimento sustentável, pela Federação Espírita Brasileira (FEB), Carlos Orlando Villarraga (foto abaixo) lança pela mesma editora a obra Desenvolvimento sustentável: o papel dos espíritas na Agenda 2030. Nela, o autor traz conexões bem fundamentadas e explicadas, demonstrando como a Doutrina dos Espíritos está profundamente integrada com a mais significativa agenda civilizatória da história.

Sources for renewable, sustainable development. Environment and ecology concept.

Ao promover o encontro de um plano de ação global do século XXI com uma doutrina espiritualista do século XIX, a obra de Villarraga não somente expõe os desafios na resolução de problemas que não podem mais ser ignorados como também propõe um inspirado conjunto de sugestões práticas que transformam a Agenda 2030 em uma experiência concreta de mudança da realidade – e as lições do Evangelho, em um testemunho vivo do amor de Jesus.

Nesta entrevista, o autor, engenheiro químico e também licenciado em Química e Biologia, nos faz refletir sobre o que temos feito pelo planeta que habitamos e o quanto precisamos agir para cumprirmos, de forma ágil e eficiente, a agenda que decidirá nosso futuro.

Folha Espírita – Como surgiu seu interesse pelo tema?

Carlos Orlando Villarraga – Tudo começou em 1991, quando fui transferido da Colômbia para o Brasil e estávamos às vésperas da Eco-92, a conferência mundial do meio ambiente que ocorreu no Rio de Janeiro. Com muitas notícias saindo na imprensa, o tema me chamou a atenção sobre como nós, espíritas, estamos relacionados a ele. Comecei a estudar, então, buscando links, principalmente nas obras de Allan Kardec e em algumas do Chico Xavier. E foi surpreendente porque cada vez que me aprofundava no estudo, verificava que tudo estava interligado.

FE – Foi aí que nasceu a obra Espiritismo e desenvolvimento sustentável?

Villarraga – Essa obra nasceu em 2013. Já havia escrito Planeta vida: contribuição da Doutrina Espírita à conservação do meio ambiente físico e espiritual do Planeta Terra e A justiça social – visão espírita para a ação social. Quando participei da Rio + 20, decidi escrever sobre desenvolvimento sustentável.

FE – Como podemos, como espíritas, contribuir com o movimento de implementação desse novo modelo para a economia e sociedade?

Villarraga – O desenvolvimento sustentável é um modelo que busca atender às necessidades da geração presente, sem comprometer as gerações futuras, e trabalha com três pilares: a conservação do meio ambiente, a prosperidade econômica e a justiça social. Quando estudei As Leis Morais, em O livro dos Espíritos, vi que elas se encaixam perfeitamente neles. Hoje, no mundo, temos muitas pessoas passando fome, há muita desigualdade social e pouco cuidado com o meio ambiente. Então, não estamos nem atendendo à necessidade da geração presente. Allan Kardec, em O livro dos Espíritos, nos ensina a diferença entre o necessário e o supérfluo, e nós temos de pensar nisso. Dedicamos muitos recursos, muita energia, muita água, muito trabalho para produzir uma enorme quantidade de coisas que só atendem ao orgulho, à vaidade das pessoas e a suprir suas carências emocionais.

“A Doutrina Espírita nos ensina que, pela Lei da Causa e Efeito e da reencarnação, teremos as consequências das nossas decisões atuais. É nosso dever cuidar do que temos e pensar nas gerações futuras, nas quais poderemos estar.”

FE – Estamos muito longe de cumprir a agenda 2030?

Villarraga – A agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável é resultado de uma consulta popular de anos com organizações não governamentais e entidades governamentais sobre o que queremos para o futuro do planeta. Ela é a principal agenda civilizatória na história. Trata-se de um plano efetivo que prevê um mundo livre da pobreza, da fome, com alfabetização universal e sem violência. Um mundo no qual todas as pessoas tenham acesso, com igualdade de direitos. A missão da agenda 2030 descreve o que seria o Mundo de Regeneração. Então, deve haver um esforço dos espíritas para trabalhar para ajudar na implementação da 2030, pois estamos muito longe de cumprir essa agenda.

“Eu acho que a espiritualidade trabalhou muito na definição da Agenda 2030 para colocar os requisitos do Mundo de Regeneração: um mundo sem violência, sem fome, sem pobreza, com igualdade e atendendo às necessidades básicas de todos.”

FE – Como você coloca isso em seu livro?

Villarraga – Descrevo a Agenda 2030 na íntegra e como se relaciona com a descrição do Mundo da Regeneração. Depois, cada capítulo é um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definido pela ONU, e cada um é dividido em quatro partes. Elas descrevem a situação no mundo com relação a um ODS, tendo a referência de várias publicações e estatísticas, principalmente de organizações ligadas à ONU. Depois faço as referências da Doutrina Espírita com relação a esse tema, trazendo sugestões práticas sobre como agir em cada tema de forma individual, no lar e nas organizações das quais fazemos parte, influenciando políticas públicas. Há ainda uma série de perguntas para reflexão.

FE – Estamos em 2023 e muito longe de alcançar as metas de 2030, não?

Villarraga – Quando essas metas foram traçadas em 2015, o objetivo era alcançá-las até 2030. Recentemente, o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, em discurso na assembleia geral da ONU, fez uma avaliação de como estamos em nível global no andamento dos objetivos. E só 15% das metas estão sendo atendidas. Qual é a minha leitura do que está acontecendo? Foi muito bom colocar essa Agenda 2030 para a sociedade começar a pensar sobre esses assuntos e ter objetivos para definir. O grande aporte da Agenda 2030 é que está começando a mudar o rumo, só que precisamos acelerar. Até 2030, não tenho dúvidas de que não vamos atingir os objetivos. É quase impossível. Para chegarmos às metas, é preciso que ocorram mudanças estruturais, ou seja, a forma que estamos organizados como sociedade requer mudanças dos nossos hábitos, no nosso estilo de vida. Por exemplo, um dos maiores contribuintes para a mudança climática é o consumo de carne. O principal vetor de desmatamento no Brasil é a expansão da fronteira agropecuária. Desmata-se mais para abrir mais espaço para cultivar mais soja e milho e poder criar mais gado para atender à demanda. Não estou falando que todos devem seguir uma dieta vegetariana, mas, sim, que deve haver uma redução do consumo de carne. Temos uma economia baseada na queima de combustíveis fósseis: carvão mineral, gás natural e petróleo. Precisamos adotar o uso de energia solar e eólica, hidrogênio verde. É uma mudança muito grande. A sociedade precisa mudar e as leis também, para que as mudanças possam ir acontecendo.

“A Agenda 2030 nos ajuda na mudança de rumo e temos de ir acelerando nessa direção. Nós, como espíritas, temos tudo para contribuir nesse movimento e para deixar um planeta em melhores condições para as futuras gerações. Temos de nos lembrar da Lei de Causa e Efeito e da reencarnação.”

FE – Segundo Emmanuel, o processo do mundo de transição para o de regeneração estará concluído em 2057. Temos tempo? E sobre a questão das leis morais, o que você já achou como link e conectou com O Evangelho segundo o Espiritismo?

Villarraga – Kardec falava que, quando os Espíritos mencionam datas, devemos fazer uma análise crítica, porque depende de muitas coisas. Por exemplo, no caso ambiental, depende das decisões que todos vamos tomar como sociedade. Vemos também que o mundo está cada vez mais polarizado quando falamos em política e economia. Acho quase impossível que isso ocorra até 2057.

“A fase de transição para o Mundo de Regeneração já começou, mas, como encontramos em A Gênese, essa fase pode demorar muitos séculos. Tudo depende das decisões que nós estamos tomando neste momento.”

FE – Como a casa espírita pode auxiliar em todo esse processo?

Villarraga – A começar promovendo estudos sobre o tema, fazendo links com as obras espíritas, como, por exemplo, as Leis Morais. Na educação infantil e mocidade, temos uma oportunidade enorme também. Podemos falar de destruição, conservação, entre muitos outros temas. Do ponto de vista de a instituição ser sustentável, há muito a se fazer. A maioria das casas espíritas usa copinhos plásticos. Por que não educar o público que as frequenta a levar suas garrafas? A água será fluidificada, as pessoas poderão tomar um pouco ali, na hora, e levarem para suas casas. Outra questão é com a energia. A instituição da qual faço parte instalou placas fotovoltaicas para geração de energia e em alguns anos seremos autossuficientes. Grande exemplo. Também implantamos um sistema de coleta da água da chuva para uso nos banheiros. Não podemos desperdiçar água potável. Toda a instituição espírita pode trabalhar, avaliar seu consumo de água e energia. As lanchonetes ou refeitórios poderiam disponibilizar alimentos in natura, o que faz uma diferença muito grande para a saúde das pessoas e o meio ambiente. Sem tantas embalagens, aditivos químicos. Aqui estamos falando do cuidado com o corpo e o Espírito.

“Precisamos avaliar os nossos padrões de consumo. A pandemia da Covid-19 foi uma oportunidade interessante para avaliarmos que há muitas coisas que achávamos que eram muito importantes na nossa vida e que vimos que não são. O Evangelho já nos indica que o homem do bem usa, mas não abusa dos bens que lhe foram concedidos, porque terá que prestar contas.”

FE – Quais as cinco principais ações que as pessoas podem adotar no dia a dia e que podem colaborar com a Agenda 2030?

Villarraga – O menor consumo de carne e uso do carro fazem toda a diferença. A compostagem dos nossos resíduos orgânicos e devolver a terra o que dela tiramos também é bem importante. Estudar é outro ponto que recomendo, exatamente sobre esses temas. Chamo isso de alfabetização ecoespírita, que é aprender sobre as questões ecológicas relacionadas com a Doutrina Espírita. Temos de ser agentes de mudança dentro da sociedade e ajudar os mais pobres, que estão preocupados se vão ter o que comer.

“Em O livro dos Espíritos, na questão 573, consta a nossa missão como encarnados, que são: instruir os homens e ajudá-los a avançar e melhorar as instituições. Precisamos estudar e seguir esse caminho, principalmente com questões ambientais, que contribuem muito com as mudanças que necessitamos que ocorram.”

Capítulo X

Das ocupações e missões dos Espíritos

573. Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?

Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais. As missões, porém, são mais ou menos gerais e importantes. O que cultiva a terra desempenha tão nobre missão como o que governa, ou o que instrui. Tudo em a natureza se encadeia. Ao mesmo tempo que o Espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma, para a execução dos desígnios da Providência. Cada um tem neste mundo sua missão, porque todos podem ter alguma utilidade.

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