A natureza da alma

Pelos gregos, Aristóteles (384-322 a.C.) e Demócrito (460-370 a.C.), as indagações sobre a natureza da alma já eram cogitadas. A Demócrito era atribuída a ideia de que: “A alma se constitui de átomos esféricos”. Admitiam eles que os átomos eram indivisíveis, de quatro tipos. As opiniões dos diversos pensadores, de diferentes épocas, relativas à substância da alma, variam de forma surpreendente. Uma grande parte desses pensadores não faz distinção entre alma e Espírito. As ideias sobre a alma e a sua natureza sofreram inúmeras modificações através dos tempos.

A Ciência, atualmente, não lhe atribui nenhuma constituição de natureza substancial, a identificando com os processos mentais das atividades fisiológicas do sistema nervoso. A visão de alma, dentro do paradigma científico é de que a mente e suas funções são elaborações do cérebro, do quimismo neuronal, entendido como um complexo mecanismo de extensas redes plexiformes. O potencial dos nossos recursos cerebrais, no entanto, tem apresentado manifestações inusitadas que extrapolam os seus limites puramente físico-químicos.

Joseph Banks Rhine fazendo experimento de ESP, percepção extrassensorial na Universidade de Duke, Estados Unidos

As cartas Zenner

As percepções extrassensoriais pesquisadas amplamente por J. Banks Rhine na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, ensejaram a criação da Parapsicologia como disciplina acadêmica, que veio ampliar consideravelmente o alcance da mente, fora das estruturas do cérebro. A memória extracerebral criada pelo parapsicólogo indiano Hemendras Nath Banerjee, ao pesquisar lembranças em crianças e adultos relacionadas a fatos por eles vividos em outras existências, foi comprovada, em sua maioria, no confronto pessoal com seus familiares anteriores. Essas memórias evidenciam a existência de um banco de recordações arquivadas em outra natureza, que transcendem os cérebros de indivíduos daquelas experiências vividas noutra realidade existencial. Essa natureza certamente não se constituiria de nervos, nem de seus condutores químicos ou eletromagnéticos.

Hemendra Nath Banerjee recepcionado ao chegar no Aeroporto Internacional de São Paulo, 1971

O Dr. Hernani Guimarães Andrade dedicou-se, por certo tempo, às pesquisas com as cartas Zenner, conforme métodos e padrões criados por Rhine. Familiarizado, desde o início do estabelecimento da Parapsicologia, com a então nomenclatura dos fenômenos psi, Dr. Hernani passou a utilizar nos seus estudos, pesquisas e desenvolvimentos de  a linguagem psi. Como veremos, essa sua abordagem sobre a natureza dessa entidade não corpórea é pautada dentro dos modernos paradigmas científicos conquistados por essa disciplina, a Parapsicologia, admitida como Ciência pela Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência.

Reproduzimos esta citação do mestre Andrade, do cap. V, “O Psiátomo”, no seu livro PSI Quântico, como segue:“Ao propor, também, uma estrutura quântica para a suposta matéria psi, quiçá estejamos reeditando as ideias de Leucipo e Demócrito, aproximadamente como ocorreu com a Física quântica em relação à matéria física. Todavia, a matéria psi seria apenas relacionada com a alma, ou mais precisamente com o Espírito. A quantificação de psi seria, de certa forma, um retorno às ideias de Demócrito, porém em outras bases, tanto quanto a Física se aproxima do atomismo grego à medida que se descobrem partículas materiais cada vez mais simples, mais elementares”.

As considerações feitas pelo autor nos conduzem à sua premissa de que, provavelmente, “as partículas últimas se resolvam apenas em energia pura”. Admite ele, num vislumbre simplesmente maravilhoso, que “Não seria este o ponto de convergência entre a Física e uma possível Parafísica que trate dos fenômenos psi?”

Entendemos como estabelecendo uma conexão, em essência, entre a natureza física e a natureza espiritual, mutuamente interagentes. Ele faz, mais adiante, uma previsão formulando os princípios dos seus postulados das propriedades da matéria psi. “Provavelmente chegaremos à conclusão de que tanto a matéria psi quanto psi não sejam senão categorias de estruturas energéticas. No caso da matéria, a energia encontra-se estruturada em três dimensões. No caso de psi, teríamos uma dimensão a mais, isto é, quatro dimensões. Assim, o que se conceitua metafisicamente, como sendo Espírito, teria outra conotação mais física ou, propriamente, parafísica. Ele seria constituído de matéria psi, isto é, de átomos tetradimensionais, os psiátomos”.

Leia também: O mundo psi e suas dimensões

Propriedades da matéria psi

Podemos entender que nos planos físico e espiritual tudo é energia em distintas escalas vibratórias (Luiz, 1958). O mestre Andrade enumera as principais propriedades da matéria psi de que o Espírito é constituído, atuando da 4ª dimensão sobre a 3ª dimensão:

  1. capacidade de vivificar a matéria física;
  2. ser suscetível de sofrer a influência modeladora do pensamento organizado;
  3. possuir um psiquismo latente e capaz de desenvolver-se por meio de uma auto-organização;
  4. capacidade de transmitir, receber e acumular informação;
  5. possibilidade de influenciar, de certa forma, a matéria física, emprestando-lhe algumas de suas propriedades.

E completa sua hipótese: “A presença das funções e dos fenômenos psi, no mundo da matéria física, decorreria da interação dessa última com a matéria psi. O mesmo diríamos com relação aos fenômenos biológicos. Essa interação se daria ao nível dos átomos, tanto os da matéria física quanto os da matéria psi – os “átomos da alma”, conforme denominou Demócrito”.

Prosseguiremos, no próximo artigo, comentando os conceitos elaborados pelo dr. Hernani sobre as qualidades das psipartículas constituintes do Espírito.

Leia também: A realidade tetradimensional de psi

Referências

ANDRADE, H. G. PSI quântico: uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à ideia do Espírito. São Paulo: Pensamento, 1986.

LUIZ, A. (Espírito). Evolução em dois mundos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Rio de Janeiro: FEB, 1958.

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