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Eclosão e crescimento da fé dependem da nossa vontade ativa

Não é a primeira vez nem será a última que escreverei sobre o tema fé, dada a sua importância na vida de todos nós, humanos, encarnados e desencarnados. Resolvi falar novamente sobre fé depois de ter relido o capítulo XIX, item 12, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando me deparei com a seguinte explicação concedida por um Espírito Protetor, em 1863. “A fé é o sentimento inato, no homem, de sua destinação futura; é a consciência que tem das faculdades imensas, cujo germe foi depositado nele, primeiro em estado latente e que deve eclodir e crescer por sua vontade ativa.”

Certamente, já li este trecho algumas dezenas de vezes na minha vida, mas agora, lendo novamente, me detive melhor no seu sentido. Em primeiro plano, temos a afirmação de que a fé nasce do sentimento que trazemos no cerne do nosso Espírito, ou seja, em nível inconsciente, sobre a nossa imortalidade, da intuição de que somos Espíritos eternos. Em segundo, o homem traz consigo uma espécie de consciência de que pode realizar coisas imensas e de que tem poder de conseguir alcançar coisas grandiosas. No entanto, ele traz essa consciência em estado latente, e ela eclodirá conforme sua vontade ativa, que expandirá tal capacidade, segundo a interpretação do que mentor nos escreve.

Chamou-me a atenção porque nunca tinha parado para pensar nessa realidade de que todos trazemos dentro de nós potencialidades grandiosas nas quais não confiamos. Preferimos ignorá-las e deixá-las à sombra da nossa personalidade, sem dar-lhes direito de se expressar. Por exemplo, quando nos deixamos vencer pela falta de confiança e decidimos por não fazer algo, mas que na verdade gostaríamos muito de conseguir concretizar.

Agindo assim, ou melhor, não agindo, estamos abafando aquela vocação, aquele potencial inato, aprisionando-o. E o guardião dessa “prisão” quase sempre é o medo, filho da falta de fé. Dessa forma, não conseguimos evitar a frustração conosco, e sempre haverá uma pontinha de dúvida que tanto nos faz mal. Aquela que vira e mexe “fala baixinho” à nossa consciência: “e se eu tivesse feito…?” Ainda, podemos lançar mão do velho hábito, superprejudicial ao nosso desenvolvimento espiritual, que é o “desculpismo”, ou seja, encontrar uma justificativa para o fato de não termos confiado mais, isso quando não colocamos a culpa em alguém ou alguma situação pelo o que não realizamos.

O Espírito protetor, é claro, quando escreve que a fé que existe em estado latente dentro de cada um de nós para se eclodir depende da nossa vontade ativa quer dizer que necessita da ação concreta para se chegar ao objetivo. Embora a lição seja de 1863, o que o mentor espiritual nos escreve aplica-se perfeitamente aos dias atuais e continuará valendo por muito mais tempo.

A fé é de suma importância para a paz e o desenvolvimento de todos nós. A fé em Deus, de que Ele é o Nosso Pai e o princípio de tudo é fundamental para que possamos nos situar e nos sentir como seus filhos legítimos. Isso nos dá a consciência de que existimos e caminhamos na atmosfera do Criador. Só esse pensamento nos acalenta, porque nos vemos fortemente ligados a Deus, e essa confiança não nos deixa sucumbir, mesmo que nos falte a fé em nós mesmos.

Desse modo, é fácil entender que Deus não daria inteligência e livre-arbítrio a criaturas incapazes. Logo, se ele confiou em nós, por que não confiarmos também? Ademais, devemos acrescentar a esta reflexão o fato de que Deus é todo Amor e por amor criou o Universo e nós, Espíritos humanos. Daí nasce a certeza de que a nossa essência é o amor. Por outro lado, a fé humana, que é aquela que trazemos em nós mesmos, pode nos trazer resultados que nos elevarão ou que nos rebaixarão, dependendo para o que nós a direcionamos. Finalmente devemos nos lembrar que, indubitavelmente, responderemos pelo mal que causamos, mas, em contrapartida, se somarmos a fé humana à fé divina, podemos realizar coisas maravilhosas na construção do bem!

Fonte

O Evangelho segundo o Espiritismo.

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