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Viver é sempre a melhor escolha

Laço de fita amarela sobre uma mão

O suicídio é uma triste realidade que atinge o mundo todo. Segundo a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados – estima-se mais de um milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, por dia, em média, 38 pessoas cometem suicídio. É preciso entender que sempre, em qualquer circunstância, Viver é sempre a melhor escolha.

Apesar de os números estarem diminuindo em todo o mundo, os países das Américas vão na contramão dessa tendência, com índices que não param de aumentar, de acordo com a OMS. “Sabe-se que praticamente 100% de todos os casos de suicídio estavam relacionados às doenças mentais, principalmente não diagnosticadas ou tratadas incorretamente. Dessa forma, a maioria dos casos poderia ter sido evitada se esses pacientes tivessem acesso ao tratamento psiquiátrico e a informações de qualidade”, informa a Associação Brasileira de Psiquiatria, que, neste mês, com o Conselho Federal de Medicina, promovem o Setembro Amarelo, campanha que teve início há oito anos com o objetivo de prevenir e reduzir os números de suicídio.

Setembro Amarelo®

Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem e ajudar na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu. É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha.

Quando uma pessoa decide terminar com a sua vida, os seus pensamentos, sentimentos e suas ações apresentam-se muito restritivos, ou seja, ela pensa constantemente sobre o suicídio e é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema. Informar-se para aprender e ajudar o próximo é a melhor saída para lutar contra esse problema tão grave. É muito importante que as pessoas próximas saibam identificar que alguém está pensando em se matar e a ajude, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos, mostrar que está disponível para ajudar e demonstrar empatia, principalmente levando-a ao médico psiquiatra, que vai saber como manejar a situação e salvar esse paciente.

Entrevista

Neste mês de campanha, entrevistamos o médico geriatra Carlos Eduardo Durgante (foto), que também é professor do curso de pós-graduação em Saúde e Espiritualidade da Universidade de Caxias do Sul, diretor do Departamento Editorial da AME-Brasil e autor e organizador de vários livros, dentre eles Fé na vida, editado pela FERGS.

Folha Espírita – Durante, por que organizar um livro que trata do suicídio?

Carlos Eduardo Durgante – A obra é fruto de um encontro que aconteceu em 2016, no Ministério Público, em Porto Alegre (RS), que reuniu vários médicos e juízes para falar de suicídio. O livro foi lançado em 2017 com a organização dos temas lá tratados. Como organizador da obra, minha apresentação cita que a vida da gente é um palco, e nós nos exibimos nesse palco, fazendo várias peças, e devemos valorizar a nossa vida, um bem inalienável. Mas muitas pessoas, em determinados momentos da vida, não a veem desse jeito e acabam preferindo optar por uma saída, saindo desse palco de forma nada honrosa. Nós, espíritas, sabemos que a vida não cessa em absoluto. Por isso, devemos falar sobre suicídio, tirando aquele tabu de que isso não pode ser falado e o estigma da família que tenha alguém que o tenha cometido.

“Como é que você não conseguiu perceber? Como deixou isso acontecer? A sociedade tem esses estigmas com a família que teve um caso de suicídio”

FE – Por que o suicídio acontece na infância e adolescência?

Durgante – Principalmente na infância, a gente não imagina como isso pode acontecer, não é mesmo? Em crianças são estimadas 300 tentativas para um suicídio consumado. Isso é relativamente frequente e, na maioria das vezes, a depressão está por trás. Na adolescência, sabemos que é um período de instabilidade emocional muito grande, de insegurança. É relativamente fácil ser levado por tendências. Em ambos os casos, ambientes familiares desarmônicos, com abusos, rejeição, privação de afeto, doenças mentais ou sofrimentos causados por fim de relacionamentos ou bullying são desencadeadores, assim como álcool e drogas. Às vezes, não são percebidos em casa porque os pais não estão muito presentes. Na escola, atrasos sistemáticos, baixa concentração, dificuldade de realizar a tarefa que é dada, choros, dificuldade de adaptações, de se inteirar com outros colegas, brigas, discórdias, inquietação, nervosismo. São vários os sinais. A não aceitação da orientação de gênero também é fator de risco. É importante destacar que o acesso fácil a armas de fogo é algo preocupante.

FE – Da mesma forma que existem fatores de predisposição para o suicídio, existem os protetores?

Durgante – Sim, nas famílias mais religiosas, por exemplo, os riscos são menores, assim como nos lares nos quais temos uma família unida, amorosa.

“Quem não conhece alguém que teve um caso próximo de suicídio? Quanto mais esclarecimento trazermos, mais medidas preventivas poderão ser adotadas e sinais percebidos”

FE – E o que dizer dos idosos? Por que essa faixa etária pode ter ideias suicidas?

Durgante – Hoje vemos muitos pais órfãos dos filhos. Ambos não se veem tanto como deveriam e não percebem as necessidades. Alguns idosos acreditam que suas vidas estão sem significado. Há muitos casos de suicídio por isolamento social muito longo, mas também por doenças mentais, depressão, rompimentos emocionais, o fato de olhar para o futuro e não ver um propósito.

O suicídio é um drama relacionado ao silenciar da pessoa idosa. Diante das mudanças do comportamento social da sociedade em relação a esse idoso e a necessidade individual do ser escutado”

FE – O pensador espírita Léon Denis afirmou que “O suicídio não põe termo aos sofrimentos físicos nem morais”. Por quê?

Durgante Léon Denis fala muito sobre as dores, a natureza de provas que cada um passa. Ele vai falar da destinação nossa e dos objetivos da alma humana, que é sempre a elevação moral e intelectual, a busca de virtudes. E aí, e para isso acontecer? Há a necessidade de se passar por inúmeras vidas. Sabemos que as vidas estão encadeadas nas anteriores e nas posteriores. A pessoa morre, mas o Espírito continua animando aquele corpo com as mesmas impressões. E quando despertarmos desta vida vamos despertar com as mesmas impressões, as fraquezas, as falhas do sofrimento. Esse é um dos motivos para que a gente entenda que precisa enfrentar os caminhos propostos. Ressignificar as situações dolorosas, ressignificar o sofrimento, entender que existe uma dor reparadora, que existe um sofrimento necessário que, muitas vezes, faz parte da natureza de provas, que é para a grande maioria de nós. Reencarnamos com naturezas distintas de provas. Temos de valorizar a vida, esse corpo que temos. Somos templos de Deus. Devemos continuar lutando, enfrentando com coragem. A vida é assim, ela vai precisar de todas essas etapas: sofrimento, conquistas e vitórias.

FE – Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo II, há um texto brilhante chamado “O ponto de vista”. Em sua opinião, se essa recomendação de Kardec de vermos a vida fosse uma prática, teríamos menos suicídios? Como incorporar isso na sociedade?

Durgante – A ideia é clara e precisa que se faz da vida futura, da fé inabalável ao futuro. E essa fé tem consequências imensas sobre a moralização dos homens. A vida corporal não é mais que uma passagem. As vicissitudes e as tribulações da vida não são mais que incidentes que recebemos com paciência. A morte nada mais tem de apavorante e não é mais a porta do nada, é a morada da felicidade, da paz. Sabendo que está em um lugar temporário e não definitivo, recebe as inquietações da vida e a calma de Espírito. Temos de entender que tudo é transitório. A cada vida, a gente vem nos edificando. Temos de aprender a nos aperfeiçoar, nos prepararmos para voltarmos se houver necessidade de repararmos algo que não conseguimos. A gente não aprende só com os acertos. Isso é uma máxima tão grande da sociedade, independentemente no que se crê. Segurança espiritual é importante para enfrentar tudo o que vem na nossa vida.

“Importante ficar atento às crianças que começam a apresentar sinais de irritabilidade, humor deprimido e isolamento”

FE – Que mensagem você deixa para as pessoas que nos ouvem neste momento e que têm ideias suicidas?

Durgante – Não há quem não passe por problemas existenciais. Até Chico Xavier teve doenças e privações. Ele poderia ser poupado daquele sofrimento, mas ele tinha uma mente muito forte. Ele aceitou o envelhecer, o ficar sem visão, ter graves problemas de saúde. Tudo passa e sempre fica um aprendizado. A razão de ser da vida não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente creem. A finalidade maior é o aperfeiçoamento de cada um de nós. E esse aperfeiçoamento deve ser conquistado por meio do trabalho. O fim é a perfeição. Chico Xavier nos dizia que o mundo é escola abençoada, o hospital onde curamos desequilíbrios através do sofrimento, que funciona por medicação compulsória. O remédio eficaz está na ação do próprio Espírito enfermo, e a cura real pertence exclusivamente ao doente. Que possamos seguir sempre firmes, enfrentando tudo o que temos pela frente, tendo a nossa fé para nos dar esse suporte.

Ouça abaixo a entrevista completa no podcast Folha Espírita episódio – 172 – Setembro Amarelo – Fé na Vida – entrevista com o dr. Carlos Durgante

Participe da campanha, acesse www.setembroamarelo.com e confira todo o material disponível para a população em geral.

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