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Como cuidar dos centros de força para harmonizar corpo, mente e Espírito

O homeopata e médico de família e comunidade Domingos José Vaz do Carmo abordou o tema “Centros de forças e terapêutica energética” em sua palestra na mais recente edição do Mednesp, promovido em junho passado pela Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil). Na ocasião, ele também falou com a Folha Espírita sobre a relação entre energia, centro de força e saúde e como um novo entendimento sobre autocuidado pode mudar paradigmas, tendo como base a união entre a medicina milenar e a atual, que, segundo ele, são muito mais complementares que pensávamos.

Com o início deste novo ciclo solar de 2024, o conhecimento da importância da harmonia dos nossos sete centros de força pode nos ajudar a cultivar a saúde física e espiritual. Entenda como nesta entrevista com o Dr. Domingos.

Folha Espírita – Em sua palestra no Mednesp 2023, você falou sobre centros de forças e terapêutica energética, tendo como base o conceito de Medicina Integrativa. Você pode dar mais detalhes sobre o que esse conceito representa?

Domingos – Ele diz respeito ao entendimento, desde tempos milenares, pela prática da Aiurveda, por exemplo, de que as energias que fluem do nosso organismo através dos sete centros de força – também conhecidos como chacras –, conforme descritos por André Luiz –, são as que estabelecem a autorregulação do nosso organismo físico. Dessa forma, quando estão em harmonia, nosso corpo pode gozar de saúde para atingir os seus mais altos fins. Por isso, entendendo como a energia flui, ou como ela pode ser eventualmente represada, ou até mesmos ser hiperexcitada, podemos compreender os movimentos de saúde e doença do corpo.

FE – A medicina integrativa propõe então uma união entre a medicina atual com a milenar. Como isso traz benefícios para as práticas atuais?

Domingos – Isso é muito interessante porque remete ao conhecimento de muitos séculos. Vamos partir do exemplo de um centro de força e depois tentar trazer para os demais. Quando a gente fala do centro de força básica, o Muladhara, o primeiro chacra da tradição hindu e das doutrinas tântrica e yoga, que é o centro voltado para as raízes da Terra, o entendimento dos hindus é que esse centro de força traz a ideia de segurança, nos trazendo aquela sensação de conforto e que não precisamos temer nada porque a Terra provê tudo aquilo que necessitamos.

Ao mesmo tempo, por meio da medicina moderna, entendemos que todo centro de força é conectado a uma glândula e que o Muladhara é ligado à glândula adrenal, que produz adrenalina e cortisol, exatamente os hormônios que estão implicados no sistema de medo e fuga. Quando estamos diante de uma situação de perigo, a adrenalina é injetada no nosso sangue; quando saímos da situação de perigo, volta o cortisol, e temos aquela sensação de calma.

O estresse da vida moderna faz com que essas reações aconteçam inúmeras vezes no nosso organismo, fazendo com que a nossa carga de cortisol se torne alta. Na visão hindu, a energia desse centro de força está represada, representado pelo cortisol alto. Ao relacionarmos o mesmo quadro com a fisiologia clássica, o cortisol alto está relacionado à hipertensão, diabetes, obesidade e às lipidemias. A partir dessa nova visão de medicina integrativa, consigo olhar para um paciente hipertenso e entender que a doença pode estar relacionada ao medo de coisas que estão acontecendo no dia a dia, ao medo de faltar algo no futuro, ou pela insegurança diante de um trabalho ou de um relacionamento que não está indo bem. Dessa forma, consigo estabelecer uma correlação a partir da leitura do adoecimento da pessoa e o que está por detrás desse processo.

FE – Quais são os centros de força e a função de cada um deles?

Domingos – Vamos partir então do chacra raiz, o Muladhara, que é ligado à ideia de conexão com a Mãe Terra, representando o conforto e a segurança da mãe. Essa energia sobe para o centro de força genésico, ou sexual (Swadhistana), relacionado à força sexual e à ideia do relacionamento com o outro, de me permitir me entregar ao outro, pela lógica da troca.

Mais acima do nosso corpo, temos o plexo solar (Manipura), que está ligado às nossas funções digestivas. Mais do que digestão, ele está ligado mesmo à ideia de transmutar matéria e energia, o que, em última análise, está relacionado com o que fazemos com aquilo que comemos para que essa energia, uma vez dissolvida, deixe de ser matéria e coloque em nós a ideia consciente de que necessitamos transmutar nosso ego para que ele se torne energia criativa e cocriadora.

Essa energia vai então para o nosso quarto centro de força, que é o centro cardíaco (Anahata), onde conseguimos distribui-la em forma de cuidado, pela forma com que nos movimentamos em direção do outro, por meio da caridade, e isso precisa ser comunicado.

Na sequência, essa energia ascende para o nosso quinto centro de força, que é o laríngeo (Visuddha), onde ela se torna transparente para que as pessoas consigam visualizar essa luz própria que passamos a produzir. A partir da garganta, ela sobe então para o nosso sexto centro de força, conhecido como o terceiro olho (Ajña), o chacra frontal, onde começamos a “entender” a visão do espiritual. Por meio desse “terceiro olho”, conseguimos visualizar o mundo espiritual, senti-lo e, ao mesmo tempo, controlar e estabelecer o processo de vontade que vai, então, finalmente transcender do ponto de vista espiritual para o nosso sétimo chacra, que é o coronário (Sahasrara). Esse chacra está ligado à epífise (ou glândula pineal). Quando ele está em conexão elevada, vai trazer para nós a ideia de que eu e o Pai somos um, de que todos fazemos parte de uma mesma realidade. A partir daí, se estabelece um processo de integração que vai permitir que esse fluxo energético vá conduzindo centro a centro, conforme as glândulas às quais eles estão associados (coração, cérebro, garganta e tireoide, entre outras), o equilíbrio e a harmonia para que nosso corpo possa então exercer suas funções.

FE – André Luiz, por meio das obras psicografadas por Chico Xavier, fala desses centros de força. Então, como podemos cuidar de cada um deles?
Domingos –
André Luiz cita muito os centros de força em duas obras: Entre a Terra e o Céu e Evolução em dois mundos. Nas demais, ele também os menciona, mas nessas duas o tema é bastante abordado.

André Luiz nos explica que a realidade não é dada por aquilo que é material, ou seja, não é o nosso corpo físico, que é material, que vai estabelecer a realidade. Quem estabelece a realidade é o Espírito, que coordena esse corpo físico, e ele dá as pistas de que ele coordena a partir dessa interface entre o lado material, dado por um aspecto do nosso perispírito, que é o duplo-etérico, e o outro lado que se conecta com esse aspecto mais fluido, que é o lado espiritual.

Para melhor exemplificar, deixe-me dar o exemplo da disbiose intestinal, um problema digestivo, sabendo-se que a digestão é ligada ao terceiro centro de força, o plexo solar. Essa patologia é um desequilíbrio na microbiota intestinal que pode causar inflamação, náuseas, gases, diarreia, dentre outros sintomas, e em muitas pessoas está relacionada à dificuldade de digerir alimentos com glúten. Agora, a grande questão é eu entender por que o glúten faz mal para um e não faz mal para outro. Existem aspectos genéticos, mas, em última instância, eles também são aspectos estruturais que, por sua vez, foram determinados por uma lógica energética que conduziu para aquilo, e não para outra coisa.

Dessa forma, resgatamos o que nos trouxe André Luiz, de forma muito simples, sobre a necessidade de equilibrar o centro de força também ao resgatarmos os princípios evangélicos. Quando Jesus falava que o que faz mal não é o que vem de fora, mas aquilo que vem de dentro, começamos a entender que o problema de eu não estar conseguindo digerir determinado alimento, por meio do processo de ele estar tentando se transformar na energia que me compõe, temos que tentar entender o que está me fazendo recusá-lo. E aí vou entrar em aspectos que podem estar relacionados ao meu ego, ou ligados à raiva diante de determinadas circunstâncias. A partir desse entendimento, podemos estabelecer um processo de meditação, de autocuidado, de compreensão de qual alimento eu consigo lidar melhor e estabelecer um processo de equilíbrio e saúde. Isso vale para cada centro de força.

O mais importante é ter a compreensão, a partir do processo de adoecimento, do que está errado comigo para que eu consiga estabelecer um processo de mudança de mentalidade e atitude.

FE – Dentro dessa união entre a medicina atual com a milenar, podemos estar caminhando para uma nova medicina no futuro, aliando tecnologia com conhecimentos seculares?

Domingos – Já existem protótipos de cabines em que você entra e passa por uma série de aferições que são capazes de dar diagnósticos e estabelecer uma terapêutica adequada, com muito mais acuracidade do que o próprio médico. Isso significa que o médico vai ser substituído por um robô? Na minha visão, a medicina do futuro tem que começar a olhar além do que a medicina tecnológica já está olhando de estabelecer diagnóstico e tratamento. A questão fundamental então passa a ser por que estamos adoecendo? É essa a pergunta que o médico do futuro tem que se fazer. E para que ele consiga auxiliar seu paciente nesse processo de autoconhecimento e autocuidado, é fundamental que ele se abra a esse conhecimento milenar. Ele deve olhar para o passado e entender que por trás de todo o processo de adoecimento existem diferenças marcantes que vão fazer com que a amigdalite de Maria seja diferente da amigdalite de João.

O médico do futuro não tem mais que ser o médico da doença, mas, sim, o da pessoa. Essa medicina da pessoa, ou slow medicine, ou medicina de estilo de vida, assim como também a medicina de família e comunidade, é que se tornará a medicina do futuro. Deter os conhecimentos do passado e trazê-los para o futuro vai ser a grande chave que vai proporcionar a alavancagem de uma nova potência dentro da medicina.
A medicina integrativa já traz o conceito sistêmico de que não é uma doença que eu estou tratando, e sim de uma pessoa que tem uma individualidade, que tem uma lógica de relações que vai fazer com que ela adoeça desta e não daquela maneira.

Assim, o paciente não vai seguir sendo encaminhado a diferentes especialistas como se ele fosse fragmentos. Ah, se você está com um problema de pressão, você tem que ir para o cardiologista, mas agora se o cortisol subir, você vai para o endocrinologista, e assim por diante… Nessa nova visão, o entendimento do adoecimento passa a ser o entendimento da pessoa, porque o paciente não é um órgão separado, ele é um ser integral: corpo, mente e Espírito.

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