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Juiz de Fora realizará o Conupes, levando à pauta também a área de humanidades

Organizado pelo psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, diretor do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o 4º Congresso Internacional de Saúde e Espiritualidade (Conupes), que acontecerá em 26 e 27 de maio de 2023, no Trade Hotel, em Juiz de Fora/MG, irá discutir a integração da espiritualidade na prática clínica de modo ético e com base em evidências.

Mais de 30 professores e especialistas ministrarão palestras, conferências e minicursos, além de participarem de mesas-redondas. Entre eles, o médico canadense Christopher Kerr, autoridade internacional nos estudos sobre cuidados paliativos e o impacto das experiências de fim de vida nesses pacientes e suas famílias. No Conupes, o especialista vai ministrar a conferência com o tema “Validando sonhos e visões na terminalidade”.

Também estarão presentes o professor de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB) Agnaldo Cuoco Portugal, ex-presidente da Associação Brasileira de Filosofia da Religião (ABFR); o psiquiatra e pesquisador Bruno Paz Mosqueiro, coordenador da Comissão de Estudos em Espiritualidade e Saúde Mental da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP); e a professora Mary Rute Gomes Esperandio, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), liderança nacional na área da Psicologia da Religião.

O Conupes vai contar também com as apresentações musicais da Orquestra Acadêmica da UFJF e do Coral da UFJF. O diretor-geral do Coral e professor do Departamento de Música do Instituto de Artes e Design (IAD) Rodolfo Vieira Valverde está entre os convidados.

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Mentoria

As apresentações de pôsteres acadêmicos estão previstas para acontecer nos dois dias do evento no Trade Hotel, porém as mentorias serão agendadas um dia antes, em 25 de maio, na Faculdade de Medicina da UFJF. Os responsáveis serão os professores Alexander Moreira-Almeida (Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina e diretor do Nupes), Giancarlo Luchetti (Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina) e Humberto Schubert Coelho (Departamento de Filosofia do Instituto de Ciências Humanas). Confira a programação completa no site de inscrição do Conupes.

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Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes)

O psiquiatra Alexander Moreira Almeida (foto) conversou com a Folha Espírita sobre seu interesse pelo tema, as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas na universidade e o que será apresentado no evento. “Neste ano, a lista de temas a serem abordados foi ampliada. Com a ideia de tornar o evento um ponto de encontro dos pesquisadores acadêmicos na área da espiritualidade, decidimos fazer essa expansão e vamos tratar de temas nas áreas de Educação, Arte, Antropologia, Sociologia, História, Filosofia e Comunicação. Estamos consolidando Juiz de Fora como um centro nacional e internacional na área de estudos acadêmicos sobre espiritualidade. Estudos que são interdisciplinares”, afirma o professor.

O psiquiatra Alexander Moreira Almeida
O psiquiatra Alexander Moreira Almeida – Imagem Divulgação

FE – O que fez você se interessar por saúde e espiritualidade e o que ainda o atrai nessa área?

Alexander Moreira-Almeida – Esse tema sempre me interessou porque desde muito jovem tive contato com múltiplas vivências espirituais. Acompanhava o Espiritismo, a Umbanda, o Catolicismo e o Protestantismo. Me atraía a ciência e filosofia nesses aspectos e busquei integrar as coisas e tentar entender essa dimensão da vida humana usando também a racionalidade, a ciência. Então, foi na Medicina que uni essas coisas. Interessei-me muito naturalmente pelo bem-estar das pessoas, para poder tentar entender o que pode gerar saúde, doença e cada vez mais entendendo também o quanto a espiritualidade era importante para muitas pessoas, de um modo geral, de forma positiva, mas às vezes também de modo negativo. Avançamos muito desde que eu entrei na faculdade, há mais de 30 anos. Naquela época não se falava sobre espiritualidade na saúde. Hoje já é um assunto bastante reconhecido. As principais faculdades, publicações e associações médicas abordam o tema e reconhecem sua importância. Acho que os desafios atuais mais importantes são treinar melhor os profissionais sobre como abordar os pacientes nesse sentido, de modo ético. O que eu mais me dedico atualmente é justamente estudar as experiências espirituais, inclusive a mediúnica, de quase morte e fora do corpo. Me interesso muito e cada vez mais em estudar não só para distinguir quando essas experiências são indicativas de uma doença mental ou quando seriam saudáveis e, principalmente, o quanto podem nos dizer sobre a mente humana e além do cérebro.

FE – Na sua perspectiva, quais são as mais reveladoras pesquisas e experiências sobre o tema espiritualidade e saúde e o que poderá ser visto no Conupes?

Almeida – Mais de 30 pesquisadores e clínicos, conferencistas de todo o Brasil, das mais diversas áreas, estarão presentes, além de um importante convidado internacional, que é um médico paliativista que trabalha em situações de final de vida. O primeiro e mais importante objetivo é como trazer para a prática clínica esse conhecimento da espiritualidade. Vai haver uma grande ênfase no congresso em como aplicar na prática, ou seja, como na psicoterapia eu incluo ou eu entrevisto um paciente, como eu lido com um paciente numa situação de terminalidade. Como eu lido com a espiritualidade na criança e em múltiplas situações na prática clínica com a espiritualidade. Como posso fazer uma psicoterapia cognitiva comportamental que está sendo utilizada atualmente, mas integrada na espiritualidade. Há muitas pesquisas hoje em dia sobre ensaios clínicos controlados mostrando que essas terapias integradas são tão e até mais eficazes do que as convencionais. Nós, inclusive, publicamos recentemente, em parceia com a dra. Marianna Costa, uma revisão das técnicas que foram testadas e que funcionam. Isso vai ser apresentado no congresso. Outra linha de pesquisa muito importante são as próprias experiências espirituais. Vamos falar de experiências de final de vida, sobre pacientes em situações de terminalidade, próximos à morte, que começam a ter uma série de experiências desde o encontro e a visão de parentes já falecidos que vêm recebê-los. Também iremos abordar outros aspectos de experiências espirituais, alguns resultados preliminares de pesquisas sobre pessoas que alegam memórias de vidas passadas, sobre experiências de final de vida, experiências de quase morte. E também aspectos na área das humanidades. Muito bom reunir pessoas de ambientes diferentes, com formações diferentes, mas que se unem com interesse, seriedade e rigor para entender melhor a espiritualidade.

“O Conupes sempre focou mais nessa área da saúde, espiritualidade. E agora vamos dar esse salto para cobrir também a área de humanidades.”

FE – Como você vê a abordagem multidisciplinar?

Almeida – A espiritualidade é um fenômeno universal. Precisa ser vista de várias perspectivas, com várias abordagens e vários ângulos. Impossível de ser abordada por um único aspecto. Esse é um dos motivos que me levou para a psiquiatria. Conecta genética, neuroimagem, filosofia, psicologia, sociologia, antropologia. Todas juntas. O Nupes, além da Medicina, envolve pesquisas em enfermagem, fisioterapia, psicologia e múltiplas outras áreas. Já fazemos pesquisa há muitos anos desse modo interdisciplinar, mas o Conupes sempre focou mais nessa área da saúde, espiritualidade. E agora vamos dar esse salto para cobrir também a área de humanidades. Teremos mesas discutindo pesquisa sobre espiritualidade e sociologia, religião, história, antropologia, jornalismo e divulgação científica. Teremos ainda apresentações de orquestra e coral, abordando a espiritualidade na música. Também falaremos sobre educação e espiritualidade, a forma como a espiritualidade perpassa e influencia a educação, a filosofia.

FE – É um tema de muita relevância na universidade e que tem crescido?

Almeida – As principais universidades do mundo têm centros específicos de pesquisa e espiritualidade, como Oxford, Cambridge, Harvard. Aqui no Brasil temos na USP, tanto na psicologia quanto na psiquiatria, assim como aqui na Universidade Federal de Juiz de Fora. Claramente, já é uma linha consolidada de pesquisa nesse tema. Mas ainda ouvimos muitos alunos de vários cursos de graduação ou pós-graduação que desejam estudar o assunto e às vezes se sentem um pouco intimidados ou desencorajados até por outros professores e colegas que apresentam uma visão muito negativa sobre o tema. Mesmo no ambiente acadêmico, muitos desconhecem as pesquisas que existem sobre o tema, por isso é tão importante um evento como o Conupes.

FE – Uma de suas linhas de pesquisa atuais é o levantamento nacional de casos sugestivos de reencarnação na população brasileira. Que fase está esse trabalho? Você pode nos adiantar um pouco os seus achados e quanto eles estão complementando os estudos de Ian Stevenson?

Almeida – Temos dois doutorandos e um mestrando que estão nessa linha de investigação. Dois doutorandos, os psicólogos Sandra Carvalho e Lucam Justo, estão realizando um levantamento brasileiro com mais de 300 pessoas de todo o Brasil que relatam lembranças de vidas passadas. Estamos investigando as características dessas memórias, bem como o perfil dessas pessoas e o impacto dessas memórias sobre elas. Publicamos recentemente um artigo de revisão sobre as pesquisas acadêmicas sobre o tema. Identificamos 78 artigos científicos publicados em revistas científicas reconhecidas, incluindo estudos realizados em todos os continentes. De modo geral, assim que a criança começa a falar, em torno de 2 anos de idade, começa a alegar uma vida passada. Além da memória, ela apresenta comportamentos inesperados, desde o interesse muito grande por um tipo de alimento ou por um tipo de brincadeira e fobias compatíveis, muitas vezes, com vivências traumáticas da alegada vida passada. Mais ou menos um terço dos casos tem marcas ou defeitos de nascença, quase sempre compatíveis com a lesão que gerou a morte alegada da personalidade anterior. O médico Eric Pires está realizando  mestrado com casos de crianças que foram investigadas por Hernani Guimarães Andrade. Estamos agora dando sequência, reentrevistando essas pessoas depois de 30, 40 anos. Queremos saber se elas mantêm essas memórias, se houve impacto em suas vidas. Há milhares de casos estudados de crianças, mas há pouquíssimos estudos de seguimento até a vida adulta.

FE – O que hoje a ciência já nos mostra sobre dois temas que sabemos que são objetos de estudo seu: experiência de quase morte e final de vida?

Almeida – A experiência de quase morte é quando se está numa situação de risco de vida, uma doença grave, um acidente, uma parada cardíaca, mas se recupera. Nessa situação, ela tem uma vivência transcendente, percebida como indo além do mundo físico. Já na experiência de final de vida, a pessoa está efetivamente no final da vida, vai a óbito ao final e relata uma série de vivências espirituais. As experiências de quase-morte são uma das mais estudadas da atualidade. Na UFJF temos um levantamento nesse sentido. Os impactos negativos, embora menos frequentes, também podem existir e ainda são pouco estudados. Também temos estudos com pacientes que se encontram em cuidados paliativos. Os profissionais e os familiares frequentemente têm dificuldade em falar sobre essas vivências. Então, muitas vezes as informações são omitidas.

FE – Quais são as evidências trazidas pela ciência da vida após a morte?

Almeida – Esse é um assunto que foi tema de um livro que acabamos de publicar
pela Springer, uma das principais editoras científicas acadêmicas do mundo. Eu, dois amigos e pesquisadores, a psiquiatra Mariana Costa e o filósofo Humberto Schubert Coelho. Escrevemos um livro introdutório que dá um panorama geral do estado da arte, do que existe de pesquisa acadêmica sobre a sobrevivência da consciência ou da alma após a morte. Muitas pessoas desconhecem que é uma linha de investigação que tem pelo menos 150 anos e que envolveu muitas das principais mentes científicas e filosóficas desse período. No livro mostramos que é falsa a concepção de que haveria alguma proibição filosófica ou científica para a investigação científica da vida após a morte. Isso não é verdadeiro. A ideia de uma sobrevivência da consciência após a morte é uma ideia que pode ser racionalmente compreendida e passível de investigação científica. Basicamente, essa investigação científica seria a busca de evidências da da continuidade da memória e do caráter, da personalidade do indivíduo após a morte. Temos um capítulo para cada uma das linhas de evidência mais estudadas e vamos apresentar isso no congresso, onde lançaremos a versão em português do livro. Fornecemos um panorama geral dessas evidências e uma interpretação do conjunto desses fenômenos, mostrando como eles convergem, apontando para a sobrevivência da consciência como a explicação mais simples e racional do conjunto.

FE – Quais são os principais desafios para integrar espiritualidade na prática clínica?

Almeida – Os desafios estão muito mais ligados a nós, profissionais, do que aos pacientes, por não termos sido treinados para lidar com a espiritualidade do paciente. Muitos profissionais e pesquisadores têm preconceitos. Orientei o doutorado da psicóloga Pedrita Reis, no qual foram investigados mais de três mil psicólogos no Brasil e vimos que quanto maior o nível de treinamento do psicólogo (até o doutorado) menos ele aceita a ideia de que a espiritualidade pode ter impacto positivo sobre a saúde. Ou seja, de alguma forma, o treinamento científico gerou crenças não científicas nos profissionais. Isso é algo muito sério. Para melhorar o treinamento dos profissionais, estamos orientando um doutorado, com a elaboração de um curso de seis aulas de espiritualidade para residências na Psiquiatria. Estamos implementando e testando a eficácia desses currículos. Cabe ao profissional conhecer o que existe sobre o assunto para fazer essa integração de forma adequada, de forma ética e baseada em evidências. Ainda nesse sentido, criamos uma pós-graduação de integração e espiritualidade na prática clínica, promovida pelo NEISME. Começa, inclusive, este mês. Alguns pacientes ainda acham que têm de escolher entre um tratamento espiritual ou médico ou psicoterápico. Como se não fosse possível fazer isso em conjunto.

Ciência da via após a morte

O livro Science of Life After Death (Ciência da vida após a morte), sobre a possibilidade de pesquisa e evidências científicas sobre uma das questões mais desafiadoras e difundidas ao longo dos tempos, culturas e religiões, a sobrevivência da consciência humana após a morte, pode ser adquirido no site da Springer Nature, a maior editora científica do mundo (https://link.springer.com/book/9783031060571). A obra foi escrita em uma colaboração dos psiquiatras Alexander Moreira-Almeida e Marianna Costa com o filósofo Humberto Schubert Coelho.

“Que tenhamos conhecimento, é a primeira vez que uma grande editora científica publicará um livro focado no tema. Marca uma nova etapa na divulgação das pesquisas em ciência e espiritualidade. Passa a investigar diretamente a realidade ontológica do ‘espiritual’, não sendo mais entendido apenas como um construto cultural ou fruto de mecanismos psicológicos de defesa ou de ilusões cerebrais”, afirma Moreira.

O livro inclui:

  • revisão abrangente da crença na sobrevivência pessoal na atualidade, na história das religiões e da filosofia;
  • refuta argumentos históricos e epistemológicos equivocados contra a noção de sobrevivência após a morte (por exemplo, ser algo irracional, puramente religioso, impossível de ser abordado pela ciência, que foi provado falso pela neurociência);
  • discute o que constitui evidência empírica para a sobrevivência após a morte;
  • revisão geral das evidências científicas sobre a sobrevivência da consciência humana após a morte, com foco em estudos sobre mediunidade, experiências de quase
  • morte e fora do corpo e reencarnação;
  • principais hipóteses explicativas alternativas à sobrevivência após a morte;
  • principais barreiras culturais para um exame justo das evidências disponíveis para a sobrevivência da consciência após a morte.

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