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Pensar na coletividade, o caminho para combater a pobreza e avançar com nossas conquistas morais

Atualmente, mais de 8,4% da população global, cerca de 670 milhões de pessoas, vivem em extrema pobreza, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Neste momento de transição planetária, em que estamos cada vez mais sendo empurrados para uma mudança do ponto de vista das nossas conquistas morais, é preciso arregaçar as mangas e buscar mudanças. Para falar sobre elas, conversamos com o empresário e profissional Conrado Santos (foto), que tem especialização em Negócios Sociais e atua ativamente como voluntário no Lar do Alvorecer Marlene Nobre, em Diadema/SP.

Folha Espírita – A métrica para determinar a pobreza extrema é um rendimento diário inferior a US$ 2,15 por pessoa. Atualmente, mais de 8,4% da população global, cerca de 670 milhões de pessoas, vivem nessa condição, segundo a ONU. Como, em pleno século XXI, isso é possível?

Conrado Santos – Essa é uma notícia que nos preocupa e nos entristece muito, que nos mostra o quanto precisamos repensar a nossa vida e a maneira como enxergamos um assunto tão sério. A ONU elegeu 17 de outubro como o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, colocando o lema trabalho decente e proteção social para colocar dignidade em prática para todos. Quando vi esse lema, confesso que fiquei ainda mais preocupado, porque estamos às portas de uma grande transformação do mercado de trabalho que tende a diminuir postos. Inteligência artificial e machine learning vão executar algumas funções. Como ficará a dignidade social diante de uma mudança tão extrema e da distribuição da riqueza que vemos hoje? No Brasil a desigualdade só aumenta, enquanto 1% da população brasileira concentra 50% da riqueza do país. Veja o quanto isso é gravíssimo. Não estou dizendo que essas pessoas não possam ser ricas, mas que essa concentração de renda acaba criando um processo de desigualdade. É preciso haver uma mudança do ponto de vista dessa distribuição que destine parte da riqueza para uma melhora das condições reais da vida das pessoas. E como é que se melhora a condição das vidas dessas pessoas? Principalmente questões básicas, que possam dar a elas dignidade de poder lutar para ter uma condição de vida que seja acima da miséria. Elas precisam de educação, de saneamento básico, de saúde, de alimento e segurança alimentar, mas isso não acontece.

“Nós estamos, sim, em pleno século XXI, com a tecnologia batendo a nossa porta, proporcionando tantos avanços, crescimento de forma exponencial do ponto de vista do conhecimento e até mesmo da nossa relação com o trabalho. Mas isto não pode ser uma situação que beneficie apenas uma minoria. Como nós, enquanto sociedade, vamos transferir estes avanços para que ele possa ser impactante, transformador e trazer dignidade ao maior número de pessoas em nosso país e nosso planeta? Precisamos olhar de forma coletiva!”

FE – Você acha que a nossa sociedade é individualista?

Santos – Não podemos, evidentemente, generalizar, mas é importante não fecharmos os olhos porque isso de fato acontece. Existe uma dificuldade muito grande de se tocar nisso, sempre justificando a questão de que essas fortunas também são capazes de gerar empregos e desenvolvimento. Mas será que isso tem sido efetivo? Será que não precisamos repensar isso? Repensarmos a maneira de lidarmos com as nossas necessidades? Acho que falta uma visão coletiva e uma mudança de base sobre como lidamos com a riqueza e a desigualdade.

FE – As projeções até 2030 indicam que 7% da população mundial, o equivalente a 575 milhões de indivíduos, ainda enfrentarão a extrema pobreza. O que pode ser feito para melhorar esse índice?

Santos – Acho que precisamos de um movimento mundial, verdadeiro, que faça com que a humanidade persiga, forma obsessiva, a extinção da fome e da miséria. Isso, naturalmente, não é fácil de se conquistar, mas deve não só ser uma política pública. Para acabarmos com a fome, deve haver um compromisso de cada indivíduo. Há concentração de alimentos e recursos nas pessoas mais abastadas que certamente seriam suficientes para levar o mínimo e o básico a essas pessoas, assim como há desperdícios e precisamos diminuí-los.

“Estamos falando de mudar a nossa relação com os recursos naturais e o nosso consumo. Se esse comportamento começa a acontecer, e claro que já existem muitas pessoas engajadas para essa mudança, começa a existir de forma a impactar mais e mais pessoas e naturalmente mais nações.”

É preciso realmente mexermos em feridas, em disputas de maior competitividade econômica deste ou daquele país. De que adianta você ter uma nação que tem um grande PIB, que está perseguindo dois dígitos de crescimento consecutivos se isso amplia a pobreza no mundo? Temos que nos lembrar de que essa situação é também vetor de grande risco para a própria humanidade. Enquanto tivermos pessoas vivendo nessa situação, haverá grande vulnerabilidade do ponto de vista da saúde, e isso não está mais localizado. Não podemos mais pensar que algo que acontece numa região mais vulnerável seja um fato isolado. O mundo está conectado, interligado, então o problema é de todos. Se alguém não tem água potável para beber, é problema nosso. Se alguém não tem uma moradia digna, é problema nosso. Se alguém não tem segurança alimentar para ter uma refeição que lhe proporcione o mínimo de nutrientes para se manter saudável, é problema nosso. É algo que precisamos olhar coletivamente para o que deve ser feito de forma individual.

FE – Este ano, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, 17 de outubro, foi marcado por pedidos de solidariedade com as pessoas vivendo na pobreza e compromissos em favor de uma economia justa, com foco na proteção do bem-estar humano e ambiental, ao contrário de prioridades financeiras. Como mudar esse cenário, que ainda permeia a sociedade?

Santos – Acho que essa mudança é profunda. Eu não acredito que vamos conseguir passos muito efetivos enquanto a palavra “renúncia” não fizer parte da nossa reflexão diária. Precisamos renunciar a algo que nos sobra, que vai além das nossas necessidades para compartilhar com alguém que tem necessidade e falta disso. Essa busca não pode ser algo pontual na nossa vida. Estamos chegando ao final do ano e vamos ter inúmeras ações espalhadas pelo mundo, como distribuições de cestas de Natal, de alimentos preparados nas ruas, algo que engaja muitas pessoas. No entanto, precisamos nos lembrar que essas pessoas atendidas nessa época do ano também têm fome nos outros dias do ano, e mais do que a fome, mais do que a pobreza, temos que nos debruçar nas soluções para que crianças que passam por uma situação de extrema vulnerabilidade com seus familiares não repitam a mesma história dos seus pais.

FE – O que cada um de nós pode fazer para mudar esse quadro?

Santos – Devemos refletir sobre as nossas escolhas diárias, como, por exemplo, deixar comida no prato, desperdiçar água, mas também sobre o que podemos fazer na direção da erradicação da pobreza, nos ambientes público e privado. Esse assunto deve estar na nossa pauta diária, e não apenas algumas vezes.

FE – Segundo a Doutrina, riqueza e pobreza são provas pelas quais o Espírito necessita passar. No entanto, a percepção é de que a pobreza exige mais sacrifícios. Como não se render à revolta e blasfêmia contra o Criador?

Santos – Não dá para responder isso não estando na pele de quem está passando por essa situação. É muito difícil. É algo que exige fé e capacidade de aceitação, que, claro, não é comodismo.

“Precisamos levar algo a mais do que o prato de sopa, do que a cesta básica, do que a roupa a essas pessoas. Precisamos levar amor aos que passam por essas situações e mostrar que não estão sozinhas nessa luta. Isso faz muita diferença.”

FE – Neste momento de transição, como podemos enxergar a luta contra a pobreza e as desigualdades sociais?

Santos – Nesse momento de transição, estamos cada vez mais sendo empurrados para uma mudança do ponto de vista das nossas conquistas morais. Precisamos crescer moralmente, nos transformar em alguém que busca a conquista de valores morais e não dorme em paz enquanto alguém tiver fome, não tendo atitudes que possam prejudicar outras pessoas, que possam prejudicar aqueles que menos têm. É uma mudança que vai exigir de nós uma declaração íntima do que realmente queremos para o nosso futuro.

FE – Em mundos mais avançados, existe pobreza? Como está configurada a sociedade?

Santos – O mundo de regeneração que vivemos ainda não é um mundo feliz, e sim um mundo em que há predominância do bem, do amor, mas ainda desfrutaremos de momentos de desigualdades, porque é preciso dar um passo após o outro nos valores eternos, espirituais. Vemos isso na obra de André Luiz, onde há uma hierarquia, não pautada nas conquistas materiais, mas, sim, na responsabilidade perante a obra divina. A hierarquia está pautada na dedicação verdadeira para com o semelhante. Então, aqueles que estão em posições altas são aqueles que são mais dedicados, são aqueles que aprenderam a lidar com as questões materiais de maneira muito mais equilibrada, de maneira a não suportar as desigualdades, a lutar contra elas. Então, eu imagino que quanto mais a gente vá avançando nessa escala de progresso dos mundos, vamos tendo uma predominância dessa visão.

FE – Muito tem se falado sobre o capitalismo consciente. No que ele se traduz e como está relacionado a este momento de transição que passamos?

Santos – O capitalismo consciente é um movimento que nos faz pensar de maneira coletiva, em todos os envolvidos, colaboradores, fornecedores, clientes, meio ambiente. Tudo isso está conectado. O capitalismo consciente nos convida a uma nova maneira de liderarmos e de realizarmos negócios, fazendo com que as decisões não beneficiem tão somente uma pequena parcela que se fará valer do lucro, mas que isso possa ser distribuído para as outras partes interessadas.

“Não adianta ter lucro deteriorando o meio ambiente, não contribuindo para a comunidade e não beneficiando pessoas.”

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