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Catástrofes naturais: castigos de Deus?

Foi no meio de uma madrugada, nos primeiros dias de maio que, uma vez mais, a família de Rolf Jesse Fürstenau viu as águas do Rio Gravataí, na cidade de Canoas/RS, avançarem em minutos de forma avassaladora. Era impossível conter a força da água. As ruas, já totalmente tomadas, viraram corredeiras, onde carros e muitos outros objetos deslizavam de forma incontrolável. Rolf, pai de duas filhas, viu sua casa ser tomada pela água em instantes. O gaúcho, que foi entrevistado pela repórter Flávia Albuquerque, da Agência Brasil, encerra seu comovente relato dizendo: “É um pesadelo que a gente nunca pensou que fosse viver”.

A tragédia não ficou restrita a Canoas. Foram mais de 470 cidades atingidas, desalojando mais de 600 mil pessoas. Uma tragédia de proporções inimagináveis, cujo impacto real ainda é impossível de ser avaliado. Uma coisa é certa: a história do povo gaúcho jamais será a mesma, e muito ainda precisa ser feito para a reconstrução das cidades e, principalmente, para a continuidade das vidas de milhares de pessoas que não sabem nem por onde recomeçar.

Em outro extremo do mundo, no arquipélago de Papua-Nova Guiné, um dos países mais pobres do mundo, na aldeia de Yambali, a madrugada também foi de pesadelo. Um deslizamento de terra devastador soterrou mais de duas mil pessoas, a grande maioria delas dormindo. Mais de 670, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), morreram. Em um país que já sofre com condições tão precárias, o resgate de sobreviventes é dramático e muito difícil, o que poderá aumentar vertiginosamente o número de mortos.

Em 10 e 11 de maio, as inundações também atingiram a região nordeste do Afeganistão, deixando um rastro de destruição de grandes proporções. Foram mais de 18 províncias atingidas, mais de 540 mortos e mais de três mil casas completamente destruídas, além da devastação de milhares de acres de plantações e a perda de muitos animais. Segundo dados do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU), a região já enfrentava muitas dificuldades para combater a fome.

Temos vivido um período de grandes catástrofes. Não é algo recente. Muito pelo contrário, temos visto eventos como esses de forma muito mais frequente, e os prognósticos não são nada animadores, visto que o impacto comprovado pela ciência do aquecimento global há tempos nos sinalizava dias difíceis.

Em momentos como estes, é possível observarmos comportamentos distintos entre as pessoas. Felizmente, a grande maioria, pelo menos em nosso país, se mostra solidária à dor alheia e colabora com o socorro imediato às vítimas. Entretanto, além da ajuda, temos ainda outra postura das pessoas: a necessidade latente de quererem explicar as causas das tragédias. De um lado, temos um grupo que busca a compreensão por meio da leitura clara das mudanças climáticas e, principalmente, dos inúmeros efeitos dos erros humanos na maneira como formatamos nossa vida contemporânea. Do outro lado, mesmo diante da dor e do sofrimento, temos uma grande parcela de pessoas que insiste em buscar explicações equivocadas na intervenção da Providência Divina.

Se já não bastasse a dor e o sofrimento a que essas pessoas estão submetidas, ainda temos que lidar com manifestações infelizes que tentam explicar, por meio de uma argumentação equivocada a respeito das ações da Providência Divina, a razão pela qual catástrofes como essas acontecem. Lamentamos ver na mídia os relatos da pregação de um padre do estado do Mato Grosso do Sul, que alertou aos fiéis que as razões das enchentes no Rio Grande do Sul decorrem de um “afastamento” dos gaúchos de Deus, justificando ser o estado o mais ateu da federação e declarando haver “mais centros de macumba na cidade de Porto Alegre do que no estado da Bahia inteiro” (Folha de São Paulo).

O que será que São Vicente de Paulo se dedicaria a fazer e a pregar em um momento de tanta dor e sofrimento como este? Seria este um ato de caridade? Vale nos perguntarmos: será que Rolf Jesse Fürstenau, pai de duas filhas, morador de Canoas que perdeu tudo, não pode professar a mesma religião que o padre? E se assim for, por que motivo ele, sendo fiel, teria sido também penalizado pela escolha de uma parcela do povo gaúcho? Onde está a Justiça Divina pregada pelo padre, que em um momento como este pune milhares de pessoas, tornando a vida ainda mais dura para pessoas já sofridas por conta da escolha de alguns?

Ora, é preciso ter muita responsabilidade para lidar com um assunto como este. Certamente, não é isso que a Espiritualidade espera de nós diante do sofrimento alheio. Quem somos nós para explicarmos as razões dos acontecimentos?

Nós também, como espíritas, não devemos dedicar tempo, energia e muito menos propagar comentários que se dedicam a explicar, desta vez, com base nos mecanismos da reencarnação, o sofrimento do povo gaúcho. Momentos como estes são verdadeiros convites ao nosso amadurecimento. Uma chance de nos unirmos por meio da caridade, sem perdermos tempo com a pequenez de nossa incompreensão. Devemos ampliar nossa percepção de Deus; a visão míope do Deus vingativo e que pune não tem sustentação em um mundo que necessita caminhar em direção à Fraternidade Universal. Somos todos irmãos e necessitamos das mãos uns dos outros.

Tomemos cuidado com as elucubrações desnecessárias que podem causar falsas interpretações dos acontecimentos e nos distanciar do essencial, que é fazer o bem. Disse Jesus aos seus discípulos: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!” E é isso que temos visto de forma tão dolorosa. Nesses momentos tão difíceis, o melhor que temos a fazer é arregaçar as mangas e atuarmos de forma caridosa e amorosa, aliviando o quanto pudermos a dor dos que sofrem. Pensemos nisto: não nos cabe compreender as razões, mas nos é solicitado que atuemos de forma caridosa para aliviar o sofrimento de quem quer que seja.

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